Balanço governo Udo Döhler: “O governo de Moisés foi uma surpresa para mim”

Atualizado

“Foi uma surpresa para mim”. Assim que o atual prefeito de Joinville, Udo Döhler (MDB), resume sua impressão a respeito do primeiro ano de mandato do governador Carlos Moisés da Silva (PSL).

No último ano, Udo já elenca desafios para o próximo governo – Foto: Jaksson Zanco/Divulgação/ND

Além disso, com o fim do mandato de oito anos (Udo foi reeleito em 2016), o prefeito garante que não se aposentará em 2021 e que nas próximas eleições municipais apoiará o candidato do seu partido “independentemente de quem seja”.

Em entrevista à reportagem do ND+, o prefeito da maior cidade do Estado faz um balanço da gestão, apresenta os projetos de 2020 e cita desafios para o novo chefe do Executivo municipal. A série começou a ser apresentada nesta segunda-feira (20), onde o prefeito fez um balanço dos mandatos, falou da saúde e das prioridades da infraestrutura. Nesta terça (21), entraram em pauta o futuro de Joinville e os planos políticos de Udo.

O que ficará para trás?

Além do término nas obras de pavimentação, outra obra que ficará pendente é a construção da Ponte Joinville, obra importante para mobilidade, já que seria a responsável por ligar as zonas Sul e Leste da cidade. O projeto, inclusive, é antigo e já estava mapeado desde o plano viário de 1973.

Promessa desde o início do primeiro mandato de Udo, ele garante que a obra será iniciada este ano, porém a entrega ficará para o próximo governante. “Um dos exemplos do que não vamos terminar é a ponte do Adhemar Garcia. Vamos iniciar esse ano e estamos investindo cerca de R$ 160 milhões. Leva três anos para ser executada”.

Ponte será a principal ligação entre as zonas Leste e Sul da cidade – Foto: Divulgação/Prefeitura de Joinville/ND

Os recursos da obra foram adquiridos por meio de contrato firmado pela Prefeitura de Joinville com o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) dentro do programa Linha Verde Eixo Ecológico Leste Joinville. Apesar da garantia da obra ser iniciada este ano, a Prefeitura ainda aguarda liberação do licenciamento ambiental para iniciar o processo licitatório.

Além da Ponte Joinville, outra questão que era uma vontade do governo mas que não será possível em 2020 é o investimento na área de lazer. Segundo Udo, um dos desejos da Prefeitura era avançar na construção do Parque Piraí, mas não foi possível.

Serra Dona Francisca

Outro tema que, além de ser importante para a economia local, também é motivo de discussão há anos, é a Serra Dona Francisca, principal ligação entre o Norte e o Planalto Norte do Estado. Nos últimos meses, inclusive, moradores e líderes da região cobraram melhorias no trecho, principalmente em relação à segurança na SC-418.

Apesar de a rodovia ser de responsabilidade do Estado, no último ano, a Prefeitura de Joinville sancionou uma lei que proíbe o tráfego de caminhões com cargas perigosas durante a noite no trecho que corresponde da entrada da BR-101 até a linha demarcatória de Joinville. A medida tem como objetivo prevenir eventual contaminação do meio-ambiente, prejudicando, assim, o abastecimento de água da cidade, já que próximo à Serra fica o Rio Cubatão, responsável por 70% do abastecimento.

“Naturalmente, fizemos um avanço. O alcance dessa lei é muito maior do que nós imaginamos. Se um caminhão desses virar dentro de um rio nós não bebemos água por muito tempo. Então, felizmente foi uma medida boa”, explica.

Serra é a principal ligação entre o Norte e o Planalto Norte do Estado – Foto: PMRv/Divulgação/ND

Além da lei, o prefeito alega que a cidade vem cobrando soluções junto ao governo do Estado, principalmente em relação ao policiamento do trecho.

Relação com o governo de Moisés

Após uma relação conturbada com o governador Raimundo Colombo, o prefeito de Joinville avalia de forma positiva como o Estado está sendo conduzido pelo atual governador Carlos Moisés.

“Olha, para mim, está sendo uma surpresa. É um governo novo, de alguém que não tinha muita experiência em gestão pública, assumiu e a aposta era de que ele iria fracassar. O que se dizia era que o estado estava falido quando este governo assumiu. Ele conseguiu resistir ao clientelismo, construiu uma base aceitável na Assembleia Legislativa e está resistindo a esse clientelismo que tanto nos incomodava. Então, acho que para o primeiro ano, quem resolveu em um ano um passivo de R$ 650 milhões da saúde, pode ter um voto de confiança”, afirma.

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Sobre a relação com o governo, Udo diz que está boa e que está satisfeito no momento. Entre as conquistas dessa nova parceira, está a liberação de R$ 38 milhões para a duplicação do eixo industrial, uma das vias importantes da cidade.

“É um compromisso que o governo tem conosco até porque Joinville é a cidade mais importante do Estado. Nos respondemos por grande parte do PIB de Santa Catarina, então o Governo do Estado tem essa leitura”, destaca.

Sucessão, desafios e eleições

Em menos de nove meses, os eleitores joinvilenses irão às urnas para decidir quem será o sucessor de Udo. Partidos já começaram suas articulações e alguns nomes começaram a “pipocar” como possíveis candidatos.

Com o MDB, partido de Udo Döhler, não é diferente. Nos bastidores, o nome que tem surgido é o do atual deputado estadual Fernando Krelling – ele, inclusive, foi o vereador mais votado nas últimas eleições municipais com mais de 10 mil votos.

“Vou apoiar o candidato do meu partido. Se for o Fernando Krelling, terá todo o meu apoio. Se ele quiser, posso ser seu cabo eleitoral até, como serei de qualquer candidato do MDB no Estado de Santa Catarina. Se algum candidato a prefeito do MDB pedir apoio, eu estarei andando pelo Estado para dar esse apoio. Agora, essa é uma decisão do candidato”, ressalta.

Prefeito Udo Döhler com o governador Carlos Moisés e o deputado Fernando Kreling – Foto: Jaksson Zanco/Secom/ND

Mas, além do término das obras que não serão finalizadas pelo atual governo, o próximo governante da maior cidade do Estado também deverá enfrentar alguns desafios. O principal, segundo Udo, é pensar no futuro.

“O próximo prefeito vai ter que olhar muito para cidade do futuro e isso é fundamental. Por que? 40% das profissões vão desaparecer nos próximos 20 anos. Então, é preciso dar ocupação a essa juventude que tá por aí. Segundo ele, a tecnologia e a inovação estão aí, a nossa mão, são visíveis. As startups afloram de uma maneira cada vez maior, com uma velocidade cada vez maior”, salienta.

Pensar Joinville do futuro é um dos desafios para o novo prefeito – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/ND

Entre as novidades citadas por Udo que devem mudar a forma de como Joinville será vista estão a compra do Moinho Joinville pela Fiesc, a revitalização do Centro da cidade e o bairro inteligente, que deve ser erguido na região entre os bairros Atiradores e Anita Garibaldi.

“Nós teremos uma nova cidade de Joinville com esse empreendimento que vai ocorrer ai no centro, com esse moinho remodelado. Ele vai ter que buscar que a cidade seja para as pessoas”, afirma.

Udo fez questão de frisar que é contra a continuidade. Para ele, cada prefeito deve construir sua própria forma de governo, mesmo se tratando de alguém do próprio partido.

“Sou contra a continuidade, nós construímos a nossa forma de governar. O candidato do nosso partido do MDB também deverá ter a dele. É um novo governo, é uma nova proposta. Por maior que seja o nosso acerto, a alternância no poder é essencial. Então, isso já declarei de forma ampla pelos meios de comunicação que a continuidade não é a melhor solução”, salienta.

“2022 está distante”

Após oito anos de mandato, Udo garante que não deve se aposentar em 2021 e que tem como meta continuar contribuindo com a cidade. Além disso, segundo ele, atualmente a sua principal preocupação é terminar bem o seu último ano à frente de Joinville e reeleger o candidato do partido.

Questionado sobre a possibilidade de concorrer para algum cargo estadual ou federal nas próximas eleições, Udo é enfático: “2022 tá distante, não é isso? Mas enquanto a gente puder contribuir vai contribuir em qualquer espaço”, finaliza.

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