Bar de Agapito Katcipis deu vida à antiga Praia de Fora

Filho de imigrantes gregos, ele morreu na véspera do Natal, em Florianópolis. Seu bar foi ponto de encontro da cidade durante boa parte do século 20

Kátia Cardoso Dimatos, da comunidade grega de Florianópolis, com Agapito no mesmo encontro social de 4 de dezembro de 2016 - Giovani Lorenzen/Divulgação/ND
Kátia Cardoso Dimatos, da comunidade helênica de Florianópolis, com Agapito num encontro social em 4 de dezembro de 2016 – Giovani Lorenzen/Divulgação/ND

Florianópolis perdeu na véspera do Natal um personagem lendário da região da Praia de Fora, Agapito Katcipis, de origem grega, que comandou um bar na esquina da rua Esteves Júnior com a praça de mesmo nome durante mais de 40 anos. O estabelecimento era um ponto de encontro da cidade, funcionando num casarão que existe até hoje (atual padaria Padoka). O bar foi fundado pelo pai de Agapito, Anastácio Katcipis, imigrante grego, no início do século 20.

Agapito Katcipis ficou conhecido pela longa barba branca, pela simpatia e pela cerveja de qualidade, sempre gelada no ponto. Intelectuais, professores e políticos, como o jurista Henrique Stodieck e o ex-prefeito Bulcão Viana, foram frequentadores do espaço, que não tinha nenhum luxo: era um típico botequim brasileiro.

Praça Esteves Júnior: o bar do Katcipis funcionou no casarão da esquina (direita) do início do século 20 até 1992   - Acervo Carlos Damião
Praça Esteves Júnior: o bar do Katcipis funcionou no casarão da esquina (direita) do início do século 20 até 1992. A foto é um registro de 1972  – Acervo Carlos Damião

Estudantes do Colégio Catarinense também curtiam o bar, por causa da proximidade com o colégio e porque não vendia apenas cerveja. Servia refrigerantes e salgados. Ali era a região do antigo trapiche da Praça Esteves Júnior, muito utilizado como trampolim para mergulhos. O trapiche foi soterrado durante as obras de implantação da Avenida Rubens de Arruda Ramos (Beira-Mar Norte), na década de 1960.

No governo de Angela Amin (1997-2005), obras de drenagem no local descobriram dois canhões do antigo Forte de São Francisco Xavier da Praia de Fora, que funcionou naquela área até o fim do século 19 e era um dos importantes pontos de defesa da área central da Ilha de Santa Catarina.