Bicicleta fantasma será instalada na SC-401 em homenagem a ciclista morta em janeiro

Com participação de vários grupos de ciclistas de Florianópolis, protesto pede atenção para o crescente número de mortes de ciclistas e iniciativas públicas para mobilidade urbana

Grupos de ciclistas irão se reunir neste domingo (14) para instalar uma bicicleta fantasma na SC-401, em Florianópolis, como homenagem à auxiliar de cozinha Simoni Bridi, 28 anos, que morreu em janeiro após ser atropelada enquanto voltava do trabalho de bicicleta, em Canasvieiras. A ação ainda tem como intuito protestar contra o crescente número de mortes de pessoas que usam o meio de transporte, além de chamar a atenção do poder público para a necessidade de criar um real debate sobre a mobilidade urbana na capital catarinense.

Bruno Ropelato/Arquivo/ND

Bicicleta fantasma instalada em homenagem a Róger Bitencourt na SC-401

O coletivo de ciclistas, formado por membros de vários movimentos, como o Bicicletada Floripa, Peladada Floripa, Bike Anjo e ViaCiclo, além de pessoas que costumam se juntar para pedalar em Florianópolis, vão se concentrar às 8h em frente ao Koxixos, na Beira Mar Norte. Depois, eles seguem com escolta da PMRv (Polícia Militar Rodoviária) pela SC-401, em direção ao local do acidente que tirou a vida de Simoni, próximo ao km 18, no sentido Centro-bairro da rodovia.

O grupo precisará do apoio da PMRv para ocupar a faixa da direita da SC-401, já que não há ciclovia, como ressaltou Daniel de Araújo Costa, que faz parte da organização. “A SC-401 é uma via de alta velocidade e não tem ciclovia. Quem precisa ser atropelado para que alguma coisa mude? Algum presidente? Quantas pessoas morrem e nem ficamos sabendo? A irresponsabilidade, imprudência e alta velocidade são os principais motivos das mortes, mas isso acontece também por causa da falta de infraestrutura da cidade”, disse.

Daniel ainda cita a ausência não só de ciclovias em Florianópolis, mas também de calçadas, dispositivos de acessibilidade e desenvolvimento da mobilidade urbana. “Precisamos de uma cidade coletiva, e não de uma cidade que valoriza o individual. A cidade deve ser feita para pessoas”, observou. “Mobilidade é poder escolher meu meio de transporte e ter a capacidade de me deslocar com ele 24h por dia. A bicicleta é um meio de transporte extremamente democrático, porque nem todo mundo pode pagar por um carro”, finalizou.

A bicicleta fantasma ou ghost bike é uma ação global que chama a atenção para as mortes de ciclistas por veículo motorizado. Pelo menos 12 delas estão espalhadas por Florianópolis, mais da metade na SC-401. Em seu projeto original de duplicação, a rodovia já previa espaço para os ciclistas, mas nunca foi efetivamente implantado. Nos pontos com ciclofaixa de 1,5 metro, o acostamento encolhe, ficando também com 1,5 metro.

Simoni Bridi morreu por volta da 1h de 24 de janeiro, no acostamento do km 18 da SC-401, próximo à entrada de Canasvieiras, Norte da Ilha. No momento do acidente, ela voltava do Antônio’s Restaurante, onde trabalhava como auxiliar de cozinha. Natural de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, Simoni era mãe de dois filhos, de 10 e 2 anos, e morava no Morro do Mosquito, na Vargem do Bom Jesus. O motorista do carro que a atropelou fugiu sem prestar socorro.

As outras vítimas e as ghost bikes

1 – Rodrigo Lucianetti, 34 – Morreu dia 3/8/2008 em Jurerê, na Rodovia Maurício Sirotski Sobrinho

Formado em engenharia mecânica, era atleta amador de triatlo. Sonhava se mudar para Jurerê Internacional, o que realizou duas semanas antes do acidente que o levou à morte. Treinava quando o motorista de um carro o atingiu.
 
2 – Rodrigo Wilmar da Costa, 24 anos – Morreu dia 13/09/2008 em Canasvieiras na SC-401
Era funcionário de um supermercado em Canasvieiras, no Norte da Ilha. No sábado, dia 13 de setembro de 2008, foi atropelado na SC-401, próximo ao trevo de Canasvieiras, enquanto estava de bicicleta no acostamento.
 
3 – Hector Cesar Galeano, 54 anos – Morreu dia  03/01/2012 em Canasvieiras na SC-401

Nascido na Argentina, veio morar em Canasvieiras. Galeano trafegava pela ciclofaixa na SC-401, próximo ao trevo de acesso ao bairro, quando foi atropelado pelo motorista de um carro.
 
4 – Emílio Delfino Carvalho de Souza, 21 anos – Morreu dia 5/2/2012 na SC-401

Veio de São Paulo estudar em Florianópolis e cursava o 2º ano de Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dividia o tempo entre os estudos e a prática de esportes. Foi atropelado na SC-401 quando ia de bicicleta a um churrasco, em Ingleses, no Norte da Ilha.
 
5 – José Lentz Neto, 60 anos – Morreu dia 31/08/2012 na avenida Madre Benvenuta, na Trindade

Por 42 anos, foi servidor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Morreu após ser atropelado ao voltar para casa de bicicleta. Era seu último dia de trabalho antes da aposentadoria.
 
6 – Mário Augusto Fernandes, 32 anos – Morreu dia 3/12/2012 na SC-401, perto do trevo de Cacupé

O ciclista era servente de obras, trabalhava em Jurerê e voltava para casa, no Monte Verde — um trajeto de 15 km.  Ele foi atropelado pelo motorista de uma caminhonete e morreu na hora.
 
7- Lylyan Karlinski Gomes, 20 anos – Morreu dia 1º/7/2013 em uma rotatória próxima à UFSC

A estudante de Oceanografia ia para o campus, às 8h20 da segunda-feira, quando foi atingida por um ônibus na rotatória da Praça Santos Dumont. A estudante chegou a ser atendida no HU.
 
8 – Everton Luis Machado, 22 anos – Morreu em 18/08/2013 na SC-401, perto do trevo de Ratones

O jovem havia recém saído de casa, na SC-401, ao lado do trevo de acesso a Ratones. Seguia em direção à casa do primo para ajudá-lo com um serviço de pintura quando o atropelaram no acostamento.
 
9 – João Victor de Abreu, 10 anos – Morreu em 9/3/2014 no Rio Vermelho

O menino havia saído de casa por volta das 14h30 de domingo para visitar o pai, a cerca de 300 m da residência da mãe. Logo após pegar a estrada foi atingido por um carro e arremessado cerca de 10 metros. A PM realizou o teste do bafômetro no homem que o atropelou e comprovou a embriaguez do motorista.
 
10 – Gabriel Serôa da Mota, 61 anos – Morreu dia 05/10/15 na Via Expressa Sul

Foi atingido por uma moto e não resistiu quando voltava de bicicleta para casa após um passeio na praia do Campeche. Ele era professor de Química no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e ativista do ciclismo.
 
11 – Róger Bitencourt, 49 anos – Morreu dia 27/12/15 na SC-401, próximo ao trevo de Jurerê

Pedalava com mais quatro ciclistas na ciclofaixa da rodovia, na manhã de domingo, quando foi atropelado por um carro. O motorista foi preso e teria confessado ter bebido antes de dirigir.

12 – Simoni Bridi, 28 anos – Morreu dia 24/01/16 na SC-401, próximo à entrada de Canasvieiras

Em uma bicicleta elétrica, ela voltava do trabalho e foi atropelada no acostamento da rodovia por volta da 1h. O motorista fugiu sem prestar socorro.

Fonte: ViaCiclo

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