Bolsonaro fala de CPMF, Moro e temas polêmicos em entrevista à Record

Atualizado

Após receber alta e antes de embarcar para Brasília, o presidente Jair Bolsonaro deu entrevista à tevê Record, na noite desta segunda-feira. Entre os temas, o presidente falou sobre volta da CPMF, crise do petróleo e as polêmicas envolvendo seus filhos, Carlos e Eduardo.

Bolsonaro garantiu estar bem, após a cirurgia corretiva que fez, ainda fruto do atentado sofrido no período de campanha eleitora. Disse que está se recuperando e se preparando para participar da Assembleia Geral da ONU. O presidente confirmou sua viagem aos Estados Unidos, na próxima segunda-feira.

Bolsonaro concede esclusiva à Rede Record, após receber alta – Reprodução TV Record

“Vou lá para reafirmar nossa soberania e mostrar o que o Brasil representa para o mundo. Poucos ou nenhum presidente brasileiro teve essa postura diante do mundo”, disse Bolsonaro.

Sobre a recente crise do petróleo, com ataque por drones à refinarias da Arábia Saudita, o presidente também se posicionou. Afirmou que a tendência é seguir o que é praticado nas refinarias, mas procurou tranquilizar a população.

“Conversei com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. Ele me disse que, por ser algo atípico, não deve haver influência no preço dos combustíveis. Quero aproveitar e mandar uma mensagem para os caminhoneiros, que podem usar o cartão que criamos para eles. Isso vai garantir o preço do combustível por 30 dias para eles”, ressaltou o presidente, referindo-se ao Cartão Combustível.

Carlos Bolsonaro

A polêmica gerada por uma postagem de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, usando o Twitter, também foi assunto da entrevista. Na rede social, ele escreveu que “por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”. Essa declaração gerou repercussão, sendo interpretada como uma ameaça à democracia.

“Teve essa repercussão toda por que é meu filho. Se não fosse, não teria nada disso. O que se quis dizer é que em casos como Cuba e Coreia do Norte, por exemplo, onde uma só pessoa decide, se cumprem decisões mais rapidamente, só isso. Não teve ataque algum à democracia e até quero lembrar que o presidente sou eu”.

O presidente também comentou a exoneração de Marcos Cintra, secretário da Receita Federal, confirmada no último dia 11.

Eduardo Bolsonaro

Outra questão polêmica envolvendo outro filho do presidente é a indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador nos EUA. “Sabia que o nome dele daria polemica. Mas ele está vencendo resistência, pois tem competência, tem qualidade e tem liberdade com a família do Donald Trump. Isso é um cartão de visita. Ele foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos e daqui  ninguém jamais conseguiu isso”.

Bolsonaro: “Governo não fala sobre CPMF” – Rerprodução

CPMF

“Ele foi meu colega de parlamento de longa data. O que aconteceu foram algumas divergências em relação à reforma tributária. Eu não queria que se falasse em CPMF, que é um imposto que não pode ser proposto pelo governo. Com essa defesa da CPMF ficou insustentável, mas quem o exonerou foi o (ministro da Economia Paulo) Guedes”, explicou Bolsonaro.

“Você pode até falar em CPMF, deixar o povo falar sobre isso e acompanhar. Mas não pode ser uma proposta do governo, pois é um imposto marcado, que nasceu com um fim e foi desvirtuado. Não vamos insistir nisso agora”, completou.

Sergio Moro

O presidente comentou ainda de sua relação com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Garantiu que existe entre eles um clima amistoso, que pode ser comprovado na visita que o ministro fez, ainda no hospital.

“Não foi apenas o Moro. Foi também a esposa dele, minha esposa. Era para ser uma visita de cinco minutos, mas desobedeci o médico e ficamos quase uma hora conversando. A atuação dele tem sido muito importante, desmantelando grupos criminosos, reduzindo a ação de traficantes e os índices de mortes violentas. É trabalho dele. Agradeço ao Sergio Moro pelo trabalho que tem prestado não para mim, mas par o Brasil”.

FGTS

Antes de finalizar a entrevista, o presidente falou sobre o impacto da liberação do FGTS na economia. Bolsonaro espera que isso seja sentido muito rapidamente. “Teve gente que criticou o valor, que era muito baixo. Para um militar, como eu fui, R$ 500 reais é um dinheirinho muito bem vindo”, brincou.

“Esse dinheiro entra de imediato na economia e ajuda a movimentá-la porque ela não está ainda no nível que a gente esperava que estivesse. A questão da Semana da Pátria, por exemplo, um trabalho muito grande feito pelo governo federal junto ao empresariado, que colaborou. As vendas no comércio aumentaram em 12%. Estamos fazendo o possível para movimentar a economia e as mudanças que o Brasil merece.

Logo após a entrevista, o presidente embarcou de avião para Brasília, onde pretende descansar e se preparar para discursar na Assembleia Geral da ONU.

Política