Brasileiros que estão no Equador aguardam auxílio do Brasil para retornar

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Sem perspectivas de voltar para casa, o grupo de mais de 100 brasileiros que está no Equador começa a ficar preocupado com a falta de respostas concretas nas últimas 24 horas dos governos do Equador e do Brasil para que sejam repatriados.

O catarinense Eduardo Linsmeyer 32 anos, faz parte do grupo e tenta chamar atenção de autoridades diante da situação gerada após o cancelamento de vôos de duas companhias áreas que estavam marcados para o último dia 18 de março.

O grupo tem conversado diariamente com uma plantonista da Embaixada do Brasil em Quito, capital do Equador. Diante da situação provocada pelas companhias aéreas, que alegaram insuficiência de passageiros para cancelarem os voos previstos, os brasileiros formaram um grupo no WhatsApp para troca de mensagens e elegeram dois representantes para atuar diretamente no contato com a plantonista da embaixada do Brasil em Quito.

“No contato dos representantes, a resposta é sempre a mesma, dizem que temos que aguardar, permanecer no hotel e as conversas estão sendo feitas com os governos do Equador e do Brasil, mas nada mudou”, relata Eduardo.

“Se formos expulsos do hotel, teremos que dormir na rua”

Sem respostas concretas, a apreensão aumenta com o decorrer das horas e as necessidades de cada um em uma cidade que adotou o toque de recolher para conter o avanço do novo coronavírus.

“A gente está começando a ficar realmente preocupado, turistas de outros países foram expulsos do hotel, consequentemente, se a gente for expulso do hotel, teremos que dormir na rua, se dormirmos na rua podemos ser presos. A gente também não sabe até quando vai ter comida, seja no hotel, seja na rua”, relatou o catarinense.

Já são mais de 100 brasileiros no Equador, sendo que 60 estão em Quito, 20 deles hospedados no mesmo hotel de Eduardo. São turistas gaúchos, paranaenses, baianos, capixabas, mineiros e também do Distrito Federal.

Eles têm feito contato com políticos de vários estados, mas até agora os pedidos de ajuda surtiram apenas respostas cruzadas. “Ora vem mensagem dizendo que o Itamaraty autorizou o retorno nessa madrugada, que receberíamos uma notícia de como seria nossa volta, outra hora recebemos mensagem de um senador dizendo que nosso retorno estaria complicado, então não temos nenhuma definição”, explica.

Desde que não conseguiram embarcar de volta para o Brasil, todos os custos de hospedagem, alimentação, transporte e medicação estão sendo bancados pelos próprios brasileiros.

“As companhias aéreas nos abandonaram, governo também não auxilia com nada e tem pessoas que estão começando a passar dificuldades. Tem pessoas com problemas de depressão, outras que usam medicação de uso contínuo e está acabando, tem outras pessoas que está acabando o dinheiro e não tem mais o que fazer, então está ficando muito complicado”, conta Eduardo.

Segundo país da América com mais casos

Para agravar a situação, o grupo está no segundo país da América do Sul com maior número de casos do Covid-19. Foram 260 registros até as 16h desta sexta-feira (20), e três mortes já foram confirmadas.

“Em Quito a situação está relativamente controlada. A pior cidade é Guayaquil, que não é a Capital, mas é a maior cidade do país e uma cidade portuária. Lá o cerco está bem fechado”, relata o catarinense.

Devido ao toque de recolher das 7h às 19h, a rotina dos brasileiros tem sido restrita. “Só podemos sair para ir à farmácia ou ao mercado do bairro, com luvas e máscaras. Tem bastante policial na rua, o noticiário local só fala do coronavírus, como em todo o mundo”, conta.

Por outro lado, a notícia boa é de que o grupo está saudável. “O Equador é um destino de mochileiros e a grande maioria do nosso grupo é jovem. Tem apenas um senhor, de 60 anos, que portanto está na zona de risco, mas ninguém está apresentando qualquer tipo de sintoma. Já estamos juntos há algum tempo, estamos todos bem, graças a Deus, e os funcionários do hotel são os mesmos desde que a gente entrou e ninguém apresentou nenhum tipo de sintoma”, avisa.

O catarinense ainda espera uma ajuda dos parlamentares catarinenses. “Tentei contato através de pessoas que conhecem eles, mas não tive contato direto. Os senadores dos outros Estados estão mais ativos em querer nos ajudar de alguma maneira, mas ainda assim de forma tímida. A gente precisa ter um porta voz para nós ajudar”, completa.

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