“Buraco jamais podia estar do jeito que estava”, diz filho que perdeu mãe em acidente de moto

Jovem, que não tem habilitação, levava na garupa Luíza Rosane Figueiredo Diefentheier, 43 anos, quando bateram no monte de entulho de uma obra sem sinalização

Fabrício Porto/ND

Local: acidente aconteceu neste ponto da rua Honório Benevenutti, bairro Vila Nova
Divulgação/ND

Vítima: Luíza Rosane Figueiredo Diefentheler, 43 anos

Um buraco, resultante de uma obra inacabada e sem sinalização. Um menor pilotando uma motocicleta. Foi em meio a esta combinação que o que era para ser mais um dia a caminho do trabalho terminou de forma trágica para a família Diefentheler. Na madrugada desta quinta (18) o filho levava a mãe na garupa de uma motocicleta quando, ao passar pela cratera não sinalizada, perdeu o controle da direção e bateu contra uma pedra. Com o choque, Luíza Rosane Figueiredo Diefentheler, 43 anos, foi arremessada para o ar e caiu de cabeça sobre o asfalto.

O acidente aconteceu a cerca de 300 metros da casa onde Luiza vivia com seus sete filhos, na rua Honório Benevenutti, bairro Vila Nova, zona Oeste de Joinville. A família acompanhou a espera pelo resgate, 20 minutos depois do acidente os socorristas chegaram ao local, mas já era tarde. Luiza tinha acabado de morrer. Equipes do IGP (Instituto Geral de Perícia) foram ao local. O corpo foi recolhido e levado ao IML (Instituto Médico Legal). A família optou em fazer o funeral de Luíza em Canoinhas, onde mora a maioria dos parentes.

Em estado de choque com a situação, o filho de Luiza, que conduzia a motocicleta, conversou com exclusividade com as equipes da RICTV Record e do jornal Notícias do Dia. Ele admitiu que a moto era dele. “Foi um presente que adquiri no Natal”, e que mesmo sem idade para ter carteira de habilitação, era ele quem levava a mãe ao trabalho no momento do acidente. “Comprei a moto para ir trabalhar. Já sabia pilotar há bastante tempo. Meus irmãos têm carteira e sempre nos revezávamos para levar a mãe ao trabalho. Ela tinha medo de ir de bicicleta. Dizia ser perigoso andar no acostamento da Rodovia do Arroz. Por isso, pedia para gente levá-la”, detalhou o jovem.

Tribuna do Povo/reprodução/ND

Família aguardou junto com a vítima pela equipe de resgate

Filho descreve o acidente

Como de costume, a matriarca da família acordou cedo nesta quinta. Às 4h já estava de pé. Por volta das 4h30, chamou o filho para levá-la ao local de trabalho, uma transportadora, onde atuava como zeladora.  “Tudo aconteceu como normalmente. Levantamos e logo saímos, mas alguma coisa estava diferente. A moto não quis pegar. Insistimos algumas vezes e, infelizmente, ela funcionou. Saímos portão a fora”, recorda o adolescente.

“Não vi o buraco. Passo ali todo dia, e não vi que, de ontem para hoje, faziam uma obra no asfalto. Estava escuro. Não tinha nenhuma sinalização. Quando dei por mim, já estava em cima daquele buraco. Tentei desviar, mas não deu. Segurei firme na moto e fui ao chão. A mãe voou. Acho que o capacete se desprendeu. Ela caiu de cabeça. Tinha muito sangue. A mãe gemia, eu tentava fazer o que podia. Chamei várias vezes os bombeiros. Estava apavorado. E assim, nos meus braços, ela se foi”, relata emocionado o jovem ao lado dos demais irmãos, que tem entre 12 e 25 anos de idade. “Eu sei que errei, em pilotar sem habilitação, mas o buraco jamais podia estar do jeito que estava”, argumenta.

Há 12 anos a mulher vivia separada do ex-marido, pai de todos os seus filhos. O vigilante Ramilton Diefentheler, 44, tentava consolar os filhos. “Ela era uma mulher boa, mãe exemplar, que fazia tudo para sustentar esta turma. De manhã ia ao trabalho. À tarde, cuidava da casa e até fazia a limpeza da igreja evangélica que frequentava todas as noites. Não nos acertávamos mais como casal, mas como mãe das crianças, não tenho o que apontar. Ela era exemplar. Vai ser difícil para todos nós”, lamenta o ex-marido da vítima.

Fabrício Porto/ND

Nas primeiras horas da manhã uma equipe  da Subprefeitura da região Oeste trabalhava para finalizar a obra e fechar o buraco. Trabalho foi finalizado às 10h

Reação

Já nas primeiras horas da manhã uma equipe da Subprefeitura da região Oeste trabalhava para finalizar a obra e fechar o buraco. Uma retroescavadeira foi usada no serviço e às 10h tudo estava pronto. Há cerca de três metros do buraco, um monte de areia, cobria o sangue derramado pela zeladora, marcando o local exato onde Luiza morreu. Um funcionário da prefeitura que agilizava os trabalhos não quis dar entrevista, mas revelou que o buraco tinha sido aberto na tarde anterior. A obra era para fazer um conserto na ligação das redes de esgoto e pluvial da via. O buraco seria fechado no mesmo dia, mas por volta das 16h, faltou uma peça para fazer o reparo e a equipe decidiu deixar para concluir os trabalhos nesta quinta. O buraco permaneceu aberto, ao lado de um monte de terra e pedras. Tanto o funcionário, quanto moradores afirmaram que não havia nem cone, nem placas, nada que sinalizasse que a pista estava em reparo.

Nota da Prefeitura

A Prefeitura de Joinville informa que abrirá uma sindicância para apurar os procedimentos adotados numa obra de instalação da rede de esgoto na rua Honório Benevenutti, no bairro Vila Nova, realizada pela equipe da Subprefeitura da região Oeste.

Outros casos

No dia 11 de janeiro o jornal Notícias do Dia publicou uma reportagem a respeito de outro acidente envolvendo buracos de rua em Joinville. Na ocasião, o pedreiro Romário Gonçalves, 43, morreu após cair de bicicleta em um buraco na avenida Santos Dumont. O buraco foi provocado pela falta de manutenção do asfalto.

No dia 22, outro ciclista morreu após cair em um buraco no acostamento da AE-280-A no bairro Itinga de Araquari. JaksonCristiam Adolfo, 28 anos, trafegava pelo acostamento e se desequilibrou ao passar por um buraco, caiu sobre a pista e foi atropelado por um caminhão.

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Joinville e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...