Bustos que sumiram da praça 15, em Florianópolis, podem custar até R$ 200 mil para serem refeitos

Prefeitura da Capital informou que, caso não sejam encontradas, novas estátuas serão feitas

Débora Klempous/ND

Placa de bronze da estátua de Bulcão Viana, na praça dos Bombeiros, foi furtada

Caso os quatro bustos que sumiram da praça 15 não sejam encontrados, a Prefeitura de Florianópolis vai mandar fazer estátuas novas. O valor deve ficar entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, conforme levantamento do Notícias do Dia. Ontem, mais dois furtos foram confirmados. Duas placas de bronze sumiram das praças Celso Ramos e Getúlio Vargas (dos Bombeiros).

Os bustos de Jerônimo Coelho, Cruz e Sousa, José Boiteux e Victor Meirelles foram furtados no dia 8 de agosto, mas o sumiço só foi percebido no dia 22. A Polícia Civil abriu inquérito e tem 30 dias para encerrá-lo, caso não prorrogue novamente. A prefeitura anunciou que, se eles não forem encontrados, serão refeitos.

Pedro Dantas Riso, 73 anos, mora em Blumenau. Entre suas obras estão as esculturas do Teatro Carlos Gomes, também feitas em bronze. Ele avisou que não teria tempo para fazer os bustos para a praça 15, na Capital. Mas, caso fizesse, cobraria R$ 200 mil pelo conjunto e levaria cerca de um ano.

As esculturas que fez para o teatro, patrocinadas pela Malwee, têm seguro. “As cidades têm que colocar câmeras de vigilância. Não estamos na Europa. Aqui roubam tudo. Minha casa já foi assaltada duas vezes”, contou. Entre os objetos estavam lingotes de bronze.  

A Arte Máxima, com sede em São José, também faz bustos. A pedido do ND, apresentou um orçamento: os quatro bustos custariam R$ 120 mil. “O mais indicado é o bronze. Mas há mais baratos”, afirmou a gerente Quelin Rocha. A empresa levaria cerca de 60 dias para terminar o trabalho.

Como o caso foi emblemático, as esculturas, muitas vezes despercebidas, passaram a ser observadas. Segundo a prefeitura, pelo menos outras duas placas, não a estátua inteira, foram roubadas nos últimos dias. A de Celso Ramos, na praça Celso Ramos, na Agronômica, e a de Bulcão Viana, na praça dos Bombeiros.

Celso Ramos, aliás, já tinha sido vítima dos ladrões. Em 2011, uma escultura dele foi roubada na frente do hospital que leva o seu nome.

“Não faz sentido refazer os bustos”, diz pesquisadora

Para a artista Giovana Zimermann, não faz sentido refazer os bustos. Na visão dela, isso não seria arte. “Eles não cumprem mais o papel. Demorou 14 dias para perceberem que eles sumiram”, afirmou.

Giovana conhece bem o local e a arte pública. Em 2010, defendeu o mestrado no programa de pós-graduação em urbanismo, história e arquitetura da cidade, sob o título “Arte pública em Florianópolis: a praça 15 como lugar praticado”. Para ela, seria uma ótima “oportunidade de propor situações novas”.

Se fosse ela a artista escolhida para repensar as obras, gostaria de pensar sobre Cruz e Sousa. “Mas, se pudesse, faria de todos”, disse.

Câmeras e ferros-velhos

O inquérito que apura o sumiço dos quatro bustos de bronze da praça 15 passou a ser presidido pelo delegado Arilton Zanelatto. Segundo ele, a mudança foi por causa de problemas de saúde do delegado Antônio Seixas Jóca. O foco, nesse momento, está nas imagens da vigilância.

Segundo Zanellato, peritos estão tentando melhorar uma imagem que capta alguém tirando um dos bustos. “Também estamos pesquisando nas câmeras de vigilância das redondezas, em horário semelhante ao roubo”, afirmou. Além disso, a polícia está investigando em ferros-velhos, que podem ter recebido os bustos para fundir.

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