Cães são encontrados carbonizados em terreno baldio no bairro Areias, em São José

Moradores do bairro Areias, em São José, ficaram chocados na tarde deste domingo (29) quando encontraram seis cães amarrados e carbonizados e outro com diversos cortes pelo corpo em um terreno baldio na rua Pedro Antunes Ezequiel. Os animais teriam sido queimados em sacos plásticos junto com peças de roupas em um loteamento do bairro, que também é utilizado para descarte irregular de materiais.

Moradores dizem que é o abandono de animais é comum no loteamento - RICTV Record/Reprodução/ND
Moradores dizem que é o abandono de animais é comum no loteamento – RICTV Record/Reprodução/ND

“A gente procura fazer o máximo possível para acolher esses animais. Se estiver na rua, conversamos com pessoas que têm casas maiores, para de repente acolher por um final de semana”, conta Seide Vieira, motion designer e um dos moradores da região. Segundo ele, a vizinhança costuma alimentar e algumas pessoas até adotam os animais.

Perto de onde os cães foram encontrados, organizações independentes montaram casinhas que servem de abrigo para os animais de rua, com água e comida. Ezequiel Nunes é um dos protetores que atua na região e idealizador do projeto Amiguinhos Indefesos, que cataloga os animais encontrados em situação de abandono.

“Não temos certeza de onde foram trazidos esses cães, mas a certeza que tenho é que não foi do bairro Areias. Haja vista, que tem um cadastro e a gente conhece cada um desses cães aqui”, disse Ezequiel.

Os moradores acreditam que o crime foi cometido por alguém de outra localidade e, de acordo com eles, o abandono de cães e gatos na área é frequente. O loteamento foi aberto há cerca de seis anos e as novas ruas deram acesso aos terrenos vazios, que viraram ponto para descarte irregular de materiais.

A prefeitura de São José diz que a limpeza dos terrenos é responsabilidade dos proprietários e que faz a retirada de lixo na região com frequência. A última limpeza foi feita há 15 dias, mas já há acúmulo de resíduos no local novamente. “A responsabilidade dos proprietários é manter o terreno limpo com relação a mato e sujeira. Esse descarte irregular, ele tem punição e não pode ser feito dessa forma”, explica Michael Pedro Rosanelli, secretário adjunto de urbanismo e serviços públicos.

Segundo Michael, é responsabilidade da prefeitura fiscalizar este tipo de descarte, mesmo quando o lixo está na frente do terreno da pessoa ou sobre a calçada. “Se for identificado quem fez esse descarte irregular, ele deve ser identificado e encaminhado até a delegacia”, disse.

Os animais mortos foram recolhidos ainda no fim de semana e enterrados perto de onde foram encontrados. Os moradores registraram um boletim de ocorrência, mas o Estado não tem delegacia própria para atender crimes contra a fauna e flora.

“Hoje, nossa legislação é muito fria em relação a punição. Ela tem uma pena prevista que vai de três meses até um ano. É muito pouco. Então, causa realmente uma sensação de impunidade na população”, falou o advogado, Anisio do Nascimento Júnior.

A ideia de que os animais possam ter sido torturados entristece quem costuma se doar para garantir o mínimo de bem-estar a eles. “Para a causa animal hoje, posso dizer que é um dia de luto. Não tem palavras que expliquem. Muito triste mesmo”, lamenta Ezequiel Nunes.

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