Carcaças de geladeiras e lixo doméstico retirados do rio Ratones são entregues à Comcap

Sucatas de ferro, garrafas de vidro e pet, sacolas de plástico e latinhas de cerveja e refrigerantes estavam acumulados em manguezal

Três carcaças de geladeiras, uma churrasqueira de latão e cerca de 300 quilos de lixo doméstico foram retirados, ontem, de trecho de apenas cinco quilômetros do rio e do manguezal de Ratones. Os entulhos estavam acumulados entre as SCs-401, na Vargem Pequena, e  402, o principal acesso a Jurerê, no entorno da Reserva Ecológica de Carijós, unidade de conservação ambiental federal administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade), no Norte da Ilha.

Flávio Tin/ND

Limpeza. Olímpio Pinto (à frente) e Abenir Andrade recolheram o lixo encontrado no rio e entregaram a Comcap

Além do lixo pesado, foram retiradas garrafas de vidro e pet, sacolas de plástico, latinhas de cerveja e refrigerantes, isopor, restos de redes e pedaços de ferro. Monitorada durante os seis últimos meses, a sujeira foi recolhida pelo ambientalista Olímpio Monteiro Pinto Sobrinho, 45, que costuma aproveitar os momentos de maré cheia para remar nos afluentes que formam o curso original do rio Ratones.

“Estes resíduos sólidos comprometem todo o ciclo biológico do manguezal, berçário das principais espécies marinhas”, diz Olímpio. Arrastado até a margem da SC-402, o lixo retirado ontem foi removido pela equipe de plantão da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital).

De acordo com o gerente do departamento de limpeza pública da empresa, Patrick Volnei Coelho, 26, o que não estiver contaminado seguirá para reciclagem. “O resto vai para o aterro sanitário”, diz. O lixo pesado foi encaminhado para a terceirizada conveniada para reaproveitamento do ferro pela indústria siderúrgica. “Há vários pontos ilegais de descarte de lixo na cidade, e muita coisa acaba nos rios”, admite Coelho.

Separada da área de amortecimento do entorno apenas pela rodovia e duas pontes, Carijós também não está livre da sujeira. O engenheiro agrônomo Leandro Silva, 38, agente ambiental do ICMBio na reserva, confirma que não existe levantamento quantitativo dos resíduos sólidos, tampouco dos impactos deles no meio ambiente. O lixo deixado defronte às casas noturnas da região, segundo Silva, é um dos agravantes.

Diário de bordo

Dura vida de repórter

Fui ao mangue catar lixo, observar caranguejo, conversar com urubu…

Inspirado em Manguetown, do pernambucano Chico Science, lá também encontrei tainhotas, camarões, garças, lontras, jacarés, mutucas, nuvens de maruins, sacolas de plástico, garrafas, churrasqueira, isopor e geladeiras. Isso mesmo, geladeiras, ou pelo menos carcaças enferrujadas, quatro delas, uma já parcialmente revestida pelas cracas marinhas e ostras.

Foram elas, as geladeiras, e o lixo doméstico acumulado, os motivos da pescaria inusitada num dos trechos do que sobrou do leito antigo do rio Ratones, na chamada “área de entorno” da Reserva Ecológica de Carijós, Norte da Ilha.

Na verdade, foi do compadre Olímpio, a ideia da incursão ao Ratones, fora da reserva de Carijós, para resgate das geladeiras. Ambientalista nato e morador na Vargem Pequena, por onde o rio antigo serpenteava em direção ao pontal da Daniela, ele acompanhou durante três meses o vaivém delas pelos igarapés e valas, no balanço da maré. Algumas vezes, enroscadas nas raízes, outras, encobertas pela copa do mangue branco.

Paciente, ele esperou o melhor momento de juntá-las no mesmo ponto para providenciar a remoção dos entulhos. E coube a mim a honra de ajudá-lo na empreitada.

Chegamos ao rio antes das 8h, a maré ainda estava baixa. Logo percebi que seria um dia árduo, uma remada inesquecível.

Aos poucos, a lâmina d´água subiu para permitir o deslizar da pequena canoa de fibra. Com força, remamos cinco quilômetros em cinco horas, levando a reboque três das quatro geladeiras, uma plataforma de PVC e isopor e mais dez sacos de 100 litros abarrotados de plástico, vidro e metal.

Ficaram as dores nas costas e nos ombros. Sintomas da reciclagem necessária para os lixos que produzo e absorvo todos os dias.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...