Memória de Florianópolis – O charme de Coqueiros

Bairro conserva personalidade dos tempos em que foi balneário; população luta para conter verticalização e manter a qualidade de vida

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Praia “dos” Coqueiros (Saudade), em 1964
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Praia do Bom Abrigo, também na década de 1960
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Vista aérea provavelmente da década de 1970

Coqueiros é um pedaço diferente de Florianópolis, não por estar no Continente, mas pela personalidade que conserva, da antiga região balneária, muito agitada também pela vida noturna intensa até a década de 1980.

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Nem sempre foi bairro de Florianópolis, porque integrou o território josefense até 1944, junto com toda a área continental. O distrito de João Pessoa, depois chamado de Estreito, acabou incorporado aos domínios da Capital por ordem do então interventor (governador) Nereu Ramos. Em reuniões na capital do país, o Rio de Janeiro, Nereu tinha vergonha de mostrar o mapa de Florianópolis, que era restrito à Ilha de Santa Catarina, por causa do tamanho muito pequeno da cidade. Em 1943 mandou fazer um estudo para “engordar” a área do município, fato concretizado por força de decreto no início de 1944.

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O bairro “dos” Coqueiros, como era chamado até os anos 1970, conservou durante décadas as suas características de balneário, com casas de praia dos mais abastados moradores da Capital – não havia estradas decentes até o Norte e o Sul da ilha, o acesso a Canasvieiras ou Armação era difícil e demorado. Estando mais perto, Coqueiros recebia as famílias na temporada de veraneio e era também um importante ponto para pescarias. Sua importância como balneário pode ser compreendida ainda com a construção da sede do Clube 12 de Agosto, chamada até hoje de Praia Clube.

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A badalação das praias começou a tomar força na década de 1960 e atingiu seu auge na década seguinte. Praias da Saudade, do Meio, Itaguaçu e Bom Abrigo recebiam milhares de pessoas, quase todas da região metropolitana, nos fins de semana. Bares e boates, como Tritão, Chopão, Capelinha, entre outros, marcaram época e eram parte de um roteiro de baladas que se completava com a Avenida Beira-Mar Norte, outro point da cidade.

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Numa das imagens que resgatei, um cartão postal com a data de 6 de abril de 1964 no verso, já aparecia o trampolim na praia da Saudade, muito anterior à construção do trapiche e do restaurante Arrastão (área atualmente interditada, por falta de segurança).

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Na outra imagem, também um cartão postal, a serena praia do Bom Abrigo, muito antes da ocupação imobiliária, quando era apenas refúgio de algumas famílias mais ricas, entre as quais a família Amin – que tem residência no local até hoje.

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A imagem aérea – cuja autoria desconheço, porque circula na internet sem a informação – mostra Coqueiros em meados da década de 1970, com baixa ocupação vertical e com a devastação quase completa das áreas verdes e morros. Destaque para o trapiche do Restaurante Arrastão e, bem à esquerda, o Edifício Normandie, raro exemplar do modernismo brasileiro em Florianópolis, tombado como patrimônio histórico.

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O bairro cresceu muito e se tornou uma espécie de Ipanema ou Copacabana de Florianópolis, incorporando muitos moradores que vieram de fora, especialmente gaúchos e paulistas, que apreciam os belos visuais e o clima de lugar independente e charmoso. A atual luta da comunidade local, para conter a expansão da verticalização, tem justamente o objetivo de manter a qualidade de vida de toda a região, agora conhecida por ser uma das rotas gastronômicas de Florianópolis. 

Empregos

A CDL de Florianópolis está promovendo em Canasvieiras seu 1º Balcão de Empregos. Objetivo é auxiliar as empresas da região Norte da Ilha na contração de mão de obra. A presidente da entidade, Sara Camargo, explica que a CDL faz todo o trabalho de captação, análise e seleção, cabendo aos empresários efetuarem as contratações de acordo com suas necessidades. O evento acontece neste sábado, das 9 às 17h, no Hotel Moçambique. 

Compromisso

Em resposta a nota publicada na coluna de sexta, 7, o advogado Anderson Nazário, reafirma “o total comprometimento do Consórcio Fênix na prestação de um serviço de qualidade e eficiência no transporte público da capital. O Consórcio, no entanto, não tem autonomia para efetuar qualquer alteração nos itinerários ou horários, pois só cumpre as determinações do município”. 

Canais de ouvidoria

Anderson Nazário observa que “todas as reclamações devem ser acompanhadas do número do ônibus e do horário,  pois só assim poderão ser encaminhadas para análise e correção pela prefeitura. Sugestões e reclamações podem ser feitas pelo e-mail sac@consorciofenix.com.br ou pelo telefone 3025-6868. Para informações sobre horários e linhas, o site é www.consorciofenix.com.br”. 

Ordem na casa

O loteamento embargado na sexta-feira pela Floram na Vargem do Bom Jesus não é caso novo. Já abordamos o assunto aqui na coluna em setembro: empreendimento parcialmente irregular, em área de preservação permanente e com lotes fora do padrão urbanístico. É um problema social? Sim. Mas a cidade tem que acabar com essa fama de casa da mãe Joana, onde cada um faz o que quer. 

Sem jeitinho

E essa história das safadezas nas internas da prefeitura de Florianópolis, revelada em ampla reportagem do ND, comprova em parte aquilo que a Operação Moeda Verde investigou em 2007: a criação de dificuldades para venda de facilidades. Caso sério, méritos da atual gestão, que resolveu enfrentar o problema de frente, sem panos quentes. 

Cecília

“Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa. / Não sou alegre e nem sou triste: / sou poeta”. Cecília Meireles, nascida há 113 anos (7 de novembro) e falecida há 50 anos (9 de novembro).

Obras públicas

Câmara de São José aprovou projeto do presidente Sanderson de Jesus (PMDB) que dá prazo para a recomposição dos passeios, calçadas, vias e logradouros públicos do município. Objetivo é reduzir as irregularidades e garantir acessibilidade às vias públicas. A comunidade agradece.