Carlos Moisés alega insegurança e cogita recuar no decreto de isolamento

Atualizado

O governador Carlos Moisés (PSL) já cogita voltar atrás na medida que prevê o afrouxamento no decreto de isolamento em Santa Catarina. Em entrevista concedida na manhã deste sábado (28), onde atualizou o número de infectados em 184 casos, o chefe do Executivo já trabalha com a hipótese de voltar a restringir a circulação dos catarinenses.

Secretário de Saúde, Helton Zeferino, e governador Carlos Moisés, em coletiva sobre o coronavírus – Foto: Mauricio_Vieira/ND

Depois de anunciar a “retomada econômica” para o próximo dia 1º de abril, onde relaxa alguns itens e libera, aos poucos, a população da quarentena, o governador já sinaliza uma possibilidade de desistência.

Leia também

Para Carlos Moisés não há uma segurança no que diz respeito ao repasse de insumos e equipamentos por parte do governo federal tanto para os trabalhadores da saúde, quanto para eventuais emergências.

Apesar de não ter mencionado em seu discurso, a pressão que o Executivo vem sofrendo desde o anúncio da “retomada econômica”, também pode estar pesando na decisão do governador. O tema chegou a parar nos trending topics do Twitter, no Brasil, com a hashtag SC Não Quer Morrer.

“Se a capacidade de resposta do Estado não avançar nos próximos dias, se as coisas não chegarem, se não formos atendidos pelo mercado privado e pelo governo federal, teremos que rever uma série de ações que a gente pretende fazer. Vamos rever a forma que vamos fazer para que tenhamos segurança em tudo que viemos fazer”, argumentou Carlos Moisés.

Grande Florianópolis mantém confinamento

O município de Florianópolis, em pronunciamento do prefeito Gean Loureiro, seguiu um caminho oposto e confirmou a manutenção do decreto de isolamento na capital, pelo menos, até o dia 7 de abril.

Neste sábado também foi a vez dos outros municípios da Grande Florianópolis, anunciarem a extensão do período de quarentena. Os prefeitos Camilo Martins, de Palhoça; Adeliana Dal Pont de São José e Ramon Wollinger, Biguaçu, estenderam até o dia 5 de abril.

Os três municípios, juntos, somam cerca de 500 mil habitantes que vivem nas imediações da capital do Estado.

Desde o decreto 515, assinado em 17 de março de 2020, Santa Catarina já contabiliza 11 dias de confinamento. Para Carlos Moisés, até o 15º dia, limite para o retorno de mais alguns setores do comércio não essenciais, o governo do Estado vai avaliar “como a sociedade vai encarar”.

“Todos os dias tomamos decisões, todos os dias o quadro modifica. Aqueles que podem ficar em casa, devem ficar em casa. A nossa próxima coletiva [seguda-feira, 30] faremos uma avaliação de como a sociedade recebe, de como as pessoas estão se comportando, do movimento nas agências bancárias”, prometeu.

Ministro da Saúde pede “racionalidade”

Coincidência ou não, a entrevista coletiva concedida pelo ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, na tarde deste sábado (28), corroborou a preocupação do governador Carlos Moisés já que o vírus não ataca somente a saúde, mas interfere na logística, economia e funcionamento do planeta.

Ministro Luiz Henrique Mandetta participará de inauguração de UBSF em Joinville – Foto: Erasmo Salomão / Ministério da Saúde / Divulgação

Ele explicou que há uma dificuldade no transporte de equipamentos tanto na chegada ao País, como na distribuição aos estados.

“Mais uma razão para ficar em casa, parados, até que a gente consiga colocar os produtos nas mãos dos profissionais da saúde que precisam. Se a gente sair andando, todo mundo de uma vez, vai faltar para o rico, para o pobre, para todos”, alertou.

Saúde