Carlos Moisés é recebido com vaias de servidores na Alesc

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A expectativa criada para o início da 19ª legislatura da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), com a leitura da mensagem anual do governador Carlos Moisés, frustrou a quem aguardava a retirada do projeto de Reforma da Previdência estadual e um posicionamento efetivo sobre assuntos importantes do Estado. Com um discurso curto, Moisés preferiu não citar questões polêmicas e ensaiou uma tímida aproximação com a Alesc com um convite “para encontrar soluções para Santa Catarina”.

Mensagem de Carlos Moisés foi curta e institucional. Foto: Rodolfo Espínola/Agência Alesc/ND

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O rito tradicional foi acompanhado com expectativa, principalmente pelos servidores públicos estaduais, que lotaram as galerias e até o hall do Palácio Barriga Verde. Na chegada ao plenário, Carlos Moises e a vice-governadora Daniela Reinehr foram recebidos com vaias.  Os servidores fixaram cartazes para manifestar o descontentamento com o projeto de reforma da Previdência enviado pelo governo do Estado em dezembro para a Alesc.

O clima tenso surpreendeu até a deputados experientes que já testemunharam situações parecidas durante votações importantes, mas nunca na mensagem anual do governador, rito tradicional que abre os trabalhos legislativos. Na mensagem com duração de quatro minutos e 30 segundos, Moisés disse que 2019 foi o ano de “arrumar a casa” e que o caminho escolhido foi apropriado “pelos resultados alcançados que se percebem”.

Diminuição dos déficits, economicidade, resgate da capacidade de investimento e credibilidade foram os pontos positivos destacados pelo governador, que também ressaltou a implantação da cultura da inovação. “A burocracia tem dado lugar à simplicidade. Estamos mais ágeis nas nossas entregas”, afirmou.

Por fim, Carlos Moisés convidou o Poder Legislativo a contribuir com o governo do Estado. “Há muito o que fazer para que Santa Catarina supere os resultados alcançados. Eu convido o parlamento que nos ajude a construir soluções para Santa Catarina, com uma relação respeitosa e independente”, declarou.

Manifestações são normais, afirma governador

Após o rito, em entrevista coletiva, o governador disse encarar as manifestações dos servidores com naturalidade, mas definiu a aprovação da Reforma da Previdência como um “ato de responsabilidade”. “Não se pode olvidar que temos um déficit de R$ 4 bilhões e não queremos acompanhar alguns estados que se inviabilizaram financeiramente, alguns deles aumentando o déficit em R$ 1 bilhão por ano”, ressaltou.

Servidores lotaram as galerias para pedir a retirada do projeto de reforma da previdência. Foto: Rodolfo Spínola/Agência Alesc/ND

Na sequência, o pronunciamento do presidente da Alesc, Julio Garcia, foi interrompido por duas vezes pelo coro de “retira, retira, retira” entoado pelos servidores nas galerias em relação à Reforma da Previdência.  O projeto segue em regime de urgência e a deverá ser votado em março, quando os prazos vencerão.  “Os prazos se interrompem no início do recesso e foram retomados a partir de ontem e vamos cumpri-lo”, informou Garcia.

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