Carnaval, entre o real e o imaginário

Divulgação/ND

Kethe de Oliveira, psicóloga do Hospital Dona Helena

Muitas pessoas contaram os dias para a chegada do Carnaval. Essa festa popular tem o “poder” de arrastar multidões em todos os cantos do país com a promessa de pura diversão e alegria. Ao pensar sobre esse tema, percebe-se que as pessoas conseguem ter uma significativa mudança de comportamento e, contagiados por uma grande euforia, vão pular durante dias, sem pensar em mais nada.

Vivemos em um ritmo acelerado e pesado, tentando conciliar vários papéis que desenvolvemos em nossa vida, geralmente preocupados com o pagamento de contas e lidando com os desafios lançados diariamente em nosso cotidiano.

O que pensar dessa transformação, que durará apenas alguns dias? O que move tamanha energia nas pessoas, que cada vez realizam menos atividades em grupo ou não se envolvem em atividades prazerosas em função da grande correria estabelecida por uma sociedade preocupada com o ter?
Podemos encontrar respostas diversas para esses questionamentos ou ainda nenhuma resposta que nos convença. Utilizando os estudos de Freud, pode-se citar que a racionalidade deixa espaço para a alegria e o prazer.

Nesse momento, o ID – instância psicológica de cada indivíduo – é tomado pelos impulsos do prazer e conduzido pelo desejo, não mais pelas consequências. Nessa época, tudo é permitido, é uma grande festa democrática que muitos se “libertam” sem se preocupar com regras e leis.

Para Jung, outro grande estudioso da área da psicologia, os rituais facilitam a conexão entre a realidade interior e exterior, assim como os mundos desconhecidos e conhecidos. Sabe-se que desde as épocas mais remotas o homem se utilizava de rituais, como dança e cantos, para se liberar e expressar determinado sentimento, nesse momento o que é lógico e físico fica de fora. Em uma festa em que a fantasia prevalece, tudo é possível e permitido – afinal no mundo da fantasia a censura não existe.

Nesse tipo de evento, é preciso ter em mente o que o psicólogo Elídio Almeida explica: “É interessante pensar que ainda contamos com ambientes como o Carnaval para extravasar ou experimentar determinados comportamentos e emoções.

Contudo, é interessante também não perdermos de vista o nosso próprio controle para que, no calor da folia, não façamos algo que possamos nos arrepender ou até mesmo nos deixar com sentimento de culpa no futuro. O legal é sempre pensar nas consequências dos nossos comportamentos.” Afinal, por mais que se imagine estar no mundo da fantasia as consequências de atos desprovidos de razão são reais e podem trazer resultados positivos e negativos.

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