Caro candidato a amigo,

Recebi com entusiasmo teu convite de amizade pelo Facebook. Gosto de receber solicitações e geralmente aceito os pedidos das pessoas com as quais me relaciono, pessoal ou profissionalmente, de forma direta ou indireta. Algumas pessoas eu não conheço, de fato, mas considero a proximidade com outros amigos, a relação com lugares e coisas em comum e as diferentes visões de mundo como fatores que influenciam na decisão de confirmação. 

Dito isso, quero observar que há tempos não vejo o senhor por essas bandas facebookianas. Talvez eu não seja um usuário tão ativo quanto imagino ser, mas acredito que uma ou outra postagem sua eu haveria de ver na minha carregada timeline. Minha lembrança do senhor, de verdade, vem de quase quatro anos atrás – que coincidência, bem na época das últimas eleições municipais –, publicando coisas de política, compartilhando artigos, fazendo críticas e tudo mais. 

Não sei se tens mantido o ritmo de postagens deste então. O certo é que, ultimamente, tenho visto que a pena segue afiada e não tens poupado alfinetadas contra a atual administração. É o senhor mesmo quem publica tudo aquilo? Alguns apontamentos até procedem, enquanto outros melhor estariam colocados se tivessem sido feito antes. Outros ainda – ouso dizer – me soaram bastante oportunistas. Mas não quero me precipitar em tais conclusões. Espero que o trabalho em algum cargo público não o tenha inibido na luta por direitos e melhorias, como o senhor aparenta estar bem engajado no momento. 

Devo dizer, no entanto, que senti sua ausência em muitas mobilizações organizadas por diversos grupos e moradores de vários bairros nos últimos anos. Algumas até bem recentes. Acho que seu apoio seria interessante, levando em conta a influência que o senhor parece ter no seu campo político. Nem mesmo vi alguma manifestação sua pela internet. Claro, talvez eu não tenha notado nada. Se for o caso, me perdoe pela falta de sensibilidade. 

Confesso que minha vontade imediata foi a de excluir peremptoriamente sua solicitação. Avaliei, por outro lado, que estaria a fazer uma grosseria. Por isso, me dediquei a essas reflexões, confiante que seu pedido seja genuíno e que tens o objetivo de aprimorar os contatos virtuais tanto quanto imagino ser cuidadoso e empenhado nos relacionamentos da vida real. Meu peculiar excesso de prudência, entrementes, me adverte que devo esperar. 

Veremos se suas intenções sobrevivem ao pleito municipal. Seu convite ficará pendente, portanto. Não me queira mal e me desculpe, mais uma vez, suspeitar de sua sinceridade. Reconheço – muitos já me disseram – que tenho mesmo cara de poucos amigos.

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