Casan e Floram rebatem informação sobre contaminação na Lagoa do Peri

Atualizado

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) e a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) emitiram notas rebatendo as informações divulgadas por pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sobre uma possível contaminação da água na Lagoa do Peri.

Na Lagoa do Peri, a captação de água abastece até 150 mil pessoas. Imagem do assoreamento causado pela estiagem – Foto: Flavio Tin/ND

O órgão estadual declarou que “rechaça a divulgação por Redes Sociais de documento que semeia medo e desinformação a respeito do baixo volume da Lagoa do Peri, em Florianópolis”.  A Companhia afirmou que possui convênio de cooperação técnica com o Limnos (Laboratório de Ecologia de Águas Continentais) da UFSC, o qual “não avaliza a nota divulgada por professores que atuam na instituição”.

A Casan afirmou ainda que realiza monitoramentos semanais das cianobactérias, e que essas análises não constataram diferença na contagem do número de células até o momento. Além disso, os resultados das análises semanais de cianotoxinas estariam em conformidade com a Portaria de Potabilidade do Ministério da Saúde (Anexo XX, da Portaria de Consolidação nº 5 de 28/09/2017).

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A empresa considera “irresponsável a divulgação sem o devido critério técnico de um documento com aura de laudo após a realização de uma única visita ao local, enquanto a Casan está 24 horas por dia no local, todos os dias, realizando um trabalho profissional de tratamento e distribuição de água”, afirma a nota.

Adicionalmente, a Casan reconhece que o nível de água na lagoa está abaixo do normal devido à estiagem e pede à população que use a água tratada de forma consciente, evitando o desperdício. “Mas não é hora de agentes não habituados a monitorar a Lagoa usar os holofotes da crise hídrica para espalhar pânico com base em avaliações superficiais”, acrescenta o documento.

Pesquisadores da UFSC realizaram coletas na quinta-feira (10) e recomendaram que a população evite o contato com as águas e sedimentos da Lagoa do Peri – Foto: Daniel Queiroz/ND

Já o Departamento de Unidades de Conservação da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) afirmou que a informação divulgada pelo laboratório da UFSC se trata de um teste isolado e que seus técnicos ainda não puderam de fato avaliar sua veracidade.

O órgão tranquiliza a população a respeito da qualidade da água e alerta sobre o baixo volume do manancial da Lagoa do Peri, ressaltando a importância do uso racional nesse período de estiagem.

Entenda o caso

Segundo pesquisadores do Laboratório de Ficologia da UFSC, coletas de água, plâncton e sedimentos litorâneos da lagoa realizadas no dia 10 de outubro, apontaram a presença e altas concentrações de três cianobactérias tóxicas ou “algas azuis”: Cylindrospermopsis raciborskii, Limnothrix sp. e Microcystis sp.

As duas primeiras espécies produzem a saxitoxina – uma toxina que causa paralisia e pode levar à morte animais e pessoas por ingestão. Já a terceira espécie é produtora de microcistina, uma toxina hepatotóxica. A

Por conta disso, os pesquisadores emitiram uma nota técnica e a recomendação de evitar o contato com a água, tanto de pessoas quanto animais.

Localizada no Sul da Ilha de Santa Catarina, a Lagoa do Peri é amplamente frequentada por moradores e turistas como local de banho e lazer. Ela também serve como manancial hídrico que abastece de água a população do Sul até o Leste da Ilha, atendendo cerca de 150 mil pessoas.

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