Casarão do Campeche pode virar memorial do piloto e do pescador, em Florianópolis

O casarão fechado e com aparência de abandono na avenida Pequeno Príncipe, Campeche, no Sul da Ilha, é a única construção com acesso ao público que resgata a memória do serviço aeropostal francês no Brasil. A linha operou, de 1927 a 1931, da Europa até a América Latina passando por 26 cidades, sendo em 11 bases brasileiras. Nesta semana, a presidente da Amab (Associação em Memória da Aéropostale no Brasil), pesquisadora Mônica Cristina Corrêa, entregou à Prefeitura de Florianópolis a proposta de transformar o imóvel em um memorial do piloto e do pescador.

Imóvel tombado pelo patrimônio histórico deve receber o acervo do serviço aeropostal francês - Flávio Tin/ND
Imóvel tombado pelo patrimônio histórico deve receber o acervo do serviço aeropostal francês – Flávio Tin/ND

O objetivo é reformar o prédio tombado pelo patrimônio histórico, que servia como acomodação para pilotos e local de integração com os moradores da região, para o encontro das cidades escalas que deve acontecer na capital catarinense em 2019. “No mês de abril estive em Casablanca [Marrocos] representando o prefeito [Gean Loureiro], que enviou uma carta convite para sediar o encontro. O convite foi aceito e será a primeira cidade na América Latina a sediar o evento”, disse Mônica.

A Amab conta com um acervo com dezenas de gravuras, mapas, maquetes e outros utensílios que resgatam a história do serviço aeropostal francês. Sem um local próprio para manter os objetos, avaliados em 15 mil euros, a exposição fica na obrigação de ser itinerante. Atualmente, a mostra está no Terminal Rodoviário Rita Maria. “Com um memorial para resgatar a história dos pilotos franceses e dos pescadores por meio do serviço da Aéropostale, a cidade ganha mais um ponto turístico e cultural. A sociedade precisa conhecer a sua história, de importância singular, para poder preservá-la”, afirmou a historiadora.

O vice-presidente da Amocam (Associação dos Moradores do Campeche), Ataíde Silva, apoia a proposta da Amab. “Historicamente lutamos pela preservação do campo de aviação, onde está localizado o casarão. É uma falta de respeito com a nossa história deixar o imóvel em péssimo estado de conservação”, lamentou. Entre vários pilotos, o casarão também abrigou o francês Antoine de Saint-Exupéry, que escreveu o livro “O Pequeno Príncipe”, em 1943.

Secretário de Cultura não concorda com simples reforma

O secretário de Cultura, Esporte e Juventude da Capital, Márcio Luiz Alves, confirmou o recebimento da proposta, mas não concorda com uma simples reforma. Ele informou que o problema é a ocupação irregular que existe no casarão. No terreno do imóvel moram duas famílias. Uma que está fixada no fundo da propriedade e outra que reside em parte da construção. “Não adianta fazer uma simples reforma em um patrimônio histórico. Precisamos da reintegração de posse da área para realizar as melhorias com um projeto bem elaborado. Pela minha experiência, o temporário vira permanente no setor público e a história do serviço aeropostal e dos pescadores não merece ser tratada assim”, disse.

Com cerca de 300 m², a construção já foi sede da intendência do Campeche. Uma parte do prédio está abandonada, com janelas e portas quebradas. A outra é ocupada por uma família. O homem que reside em parte do casarão e tem um lava-car, afirmou que seus avós viveram ali por décadas. “Estou aqui há sete anos”, contou.

Alves explicou que uma pequena reforma foi realizada e duas salas estão cedidas à comunidade. Ele informou que pretende realizar uma PPP (Parceria Público-Privada) com uma empresa aérea, após a reintegração de posse. A Procuradoria-Geral do Município informou por meio da assessoria de imprensa que entrará com uma ação de reintegração de posse na Justiça.

Aéropostale

Serviço de correio postal entre Europa, África e América do Sul

Aviões passavam por 26 cidades, sendo 11 brasileiras

O primeiro voo teste aconteceu em 14 de janeiro de 1924

A operação aconteceu de 1927 a 1931

Depois o campo de aviação continuou a ser utilizado pela Aeronáutica até a construção do Aeroporto Hercílio Luz.

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