Caso Marielle: casa de vereador do Rio é alvo de mandado nesta sexta-feira

Agentes apreenderam tablet, computador, HD e documentos na casa de Marcello Siciliano (PHS)

A casa do vereador do Rio Marcello Siciliano (PHS) foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira, 14, na Barra da Tijuca, na zona oeste. A ação tem relação com os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que completa nove meses nesta sexta-feira. No local, os agentes apreenderam um tablet, um computador, HD e documentos. O vereador não foi encontrado em casa no momento do cumprimento.

Policiais da Delegacia de Homicídios (DH) do Rio já haviam ido às ruas nesta quinta-feira, 13, para tentar cumprir 15 mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados à morte de Marielle e Anderson.

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Vereador Marcello Siciliano (à direita) chega na Cidade da Polícia para prestar depoimento - ESTEFAN RADOVICZ/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Vereador Marcello Siciliano (à direita) chega na Cidade da Polícia para prestar depoimento – ESTEFAN RADOVICZ/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Veronica Garrido, mulher do vereador Siciliano, deixou no início da tarde a Cidade da Polícia, na zona Norte do Rio, onde esteve ao lado do marido por quase três horas. Siciliano permanece na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente acompanhado dos advogados.

O vereador é investigado por participar de um suposto esquema de grilagem de terras por milicianos, que pode ter relação com o assassinato da vereadora.

Pela manhã, policias cumpriram mandados em seis locais relacionados a Siciliano, inclusive a Câmara Municipal de Vereadores e residência na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade.

O vereador chegou à Cidade da Polícia às 10h30 e a mulher às 11 horas.

O delegado antecipou que não concederá entrevista. Entre os materiais recolhidos pela polícia há uma série de documentos e um cofre.

Vereador diz que foi pego de surpresa

Siciliano disse que não “sabe o que está acontecendo” ao prestar depoimento na Polícia Civil na manhã desta sexta-feira. Ele foi ouvido sobre um esquema de grilagem de terras, que teria motivado o crime.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o secretário da Segurança Pública do Estado do Rio, general Richard Nunes, afirmou que Marielle foi morta porque milicianos acreditaram que ela poderia atrapalhar os negócios ligados à grilagem de terras na zona oeste do Rio. Segundo ele, o crime era planejado desde 2017.

“Fui pego de surpresa. Estou aqui para tomar conhecimento. Estou revoltado com isso tudo e continuo indignado com essa acusação maligna que fizeram a meu respeito”, afirmou o vereador.

Marielle Franco morreu no Rio de Janeiro na noite de quarta-feira (14) - Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio/Divulgação/ND
Marielle Franco foi assassinada no Rio – Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio/Divulgação/ND

Buscas

As buscas na casa do vereador foram noticiadas na manhã desta sexta. Siciliano não estava em casa no momento da chegada dos agentes. Na residência foram aprendidos um tablet, um computador, HD e documentos.

Investigações também apontam participação, em menor grau, do ex-PM Orlando Curicica, que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Defensora dos direitos de moradores de favelas, negros, mulheres e da população LGBT, Marielle levou quatro tiros na cabeça dentro de seu carro na noite de 14 de março. Ela e seu motorista saíam de um evento no Estácio, região central do Rio, quando foram executados. Foi noticiado que as câmeras de segurança da prefeitura do ponto exato onde ocorreu o crime haviam sido desligadas, mas não ocorreram maiores esclarecimentos sobre essa questão.

Suspeito enaltece ações sociais

Empresário da área de construção civil, novato na política, pouco conhecido até dos próprios colegas da Câmara e eleito com forte votação na zona oeste, um tradicional reduto das milícias. Esse é Marcello de Moraes Siciliano, de 45 anos.

No site da Câmara dos Vereadores, um vídeo apresenta o parlamentar. O vereador conta, sem disfarçar o orgulho, que teria sido indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2010 por suas ações sociais em Vargem Grande e Vargem Pequena, na zona oeste do Rio, onde mora há mais de 20 anos.

No vídeo, o vereador se apresenta como “pai de família, com cinco filhos e três netos”. Diz que trilhou sua trajetória profissional sozinho, e começou a trabalhar com apenas 15 anos de idade. Aos 17, começou a comprar e vender carros.

Depois, conta, migrou para o ramo da construção civil, chegando a ser proprietário de uma empresa. “Comecei a minha vida do nada e me tornei um empresário bem-sucedido”, diz no vídeo. “Faço política para ajudar as pessoas, não preciso disso para viver.”

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