Caso Wesley: Após 6 anos da morte, policiais acusados não foram a júri popular

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Seis anos se passaram desde que Wesley Lopes, à época com 25 anos, desapareceu, no dia 28 de setembro de 2013, depois de sair para comprar um lanche e ser abordado pela Polícia Militar no loteamento Santo Antônio, bairro Itinga, em Araquari, no Norte do Estado. Até hoje, os policiais denunciados pela morte ainda não foram julgados.

Wesley Lopes desapareceu ao sair para comprar um lanche – Foto: SOS Desaparecidos/Divulgação/Arquivo/ND

A confirmação da morte veio à tona um ano após o desaparecimento, quando uma ossada sem cabeça foi encontrada em uma região de mata fechada perto da Estrada Rio do Morro, no mesmo município. Um exame de DNA confirmou que os restos mortais encontrados em setembro de 2014 eram de Wesley.

A Justiça de Araquari acatou a denúncia do Ministério Público, que apontou os policiais militares Juan Felipe Berti e Jocenir Cavejon como os responsáveis pela morte.

Eles foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe e por utilizar recurso que dificultou a defesa da vítima, além de abuso de autoridade e ocultação de cadáver.

Moradores fizeram protestos na época do desaparecimento de Wesley – Foto: Luciano Moraes/Arquivo/ND

Agora, o caso deve ter um novo capítulo. O Ministério Público e o advogado Adir Martins, assistente de acusação, protocolaram um pedido de desaforamento do julgamento.

O desaforamento é a retirada do júri popular da comarca na qual corre o processo. O pedido aguarda apreciação do Tribunal de Justiça.

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“Não há imparcialidade”, diz advogado

Mãe de Wesley à espera de repostas antes de ossada ter sido encontrada – Foto: Rogério Souza Jr/Arquivo/ND

O advogado explica que o pedido foi feito porque a acusação entende que não há imparcialidade suficiente para que o júri aconteça em Araquari.

“São dois policiais militares que serão julgados e, em Araquari, os júris são realizados ou na Câmara de Vereadores ou na sede da PM, porque o fórum não tem esse espaço apropriado, então, não há imparcialidade”, afirma Martins.

Além disso, ele ressalta que durante as investigações, testemunhas foram ameaçadas, o que, para ele, contamina ainda mais o julgamento dos jurados selecionados.

“É claro que eles ficarão com medo porque sabem que testemunhas foram coagidas”, salienta.

Martins explica que nos casos de desaforamento, o mais comum é que o julgamento seja transferido para a Capital. Portanto, se o pedido for atendido, o júri pode ser encaminhado à Florianópolis.

“É o ideal para que seja um julgamento transparente, límpido. Nós gostaríamos que, ao final da exposição de provas, os jurados tenham o entendimento sem interferências”, completa.

A acusação, no entanto, não acredita que o julgamento do pedido de desaforamento ocorra ainda neste ano.

Depois da denúncia, um dos acusados, o soldado Juan Felipe Berti, pediu baixa e saiu da corporação.

A reportagem tentou contato com a defesa dos policiais, mas até o fechamento do material não conseguiu contato e nem obteve retorno.

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