Catarinense morta em Luxemburgo visitaria a família em SC na quarta-feira

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A catarinense Dione Streckert, de 53 anos, estava de viagem marcada para o Brasil. A mulher foi morta a facadas no último sábado (10), na cidade de Esch-sur-Alzette, em Luxemburgo. O namorado da vítima, Francisco Oliveira da Costa, de 50 anos, natural de Barcelos (Distrito de Braga, Portugal), foi preso como principal suspeito do crime.

Dione morava há 12 anos no País Europeu – Facebook/Divulgação

A reportagem do ND+ conversou, por telefone, com a irmã da vítima, Izabela Bello. Ela disse que Dione visitaria familiares em Treze Tílias, no Meio-Oeste catarinense e, chegaria no Estado na próxima quarta-feira (14).

“Nós íamos buscar ela no aeroporto. Estávamos esperando, já fazia sete anos que eu não a via mais. Estava tudo programado para ir buscá-la depois de amanhã”, contou Izabela. 

Dione nasceu em Xaxim, no Oeste catarinense, mas ainda pequena se mudou com a família para Treze Tílias, onde trabalhou como cozinheira num hotel e, também foi casada. Há cerca de 12 anos, com aproximadamente 40 anos, foi morar em Luxemburgo. 

No país Europeu, Dione conheceu o português, com quem estava junto há cerca de oito anos. Lá, trabalhava como cozinheira em uma creche. 

“Minha sobrinha, que mora na Áustria, disse que se visitavam sempre, que ele era muito querido, inclusive, passaram a virada de ano juntos”, comentou Izabela.

A família não tinha conhecimento do lado agressivo de Francisco. Segundo Izabela, ambas conversavam todos os dias, mas Dione nunca mencionou ter sido agredida pelo companheiro.

Emocionada, a irmã conta que a brutalidade foi grande.

“Ele quase degolou ela com uma faca, na frente da filha, de 10 anos, que tem autismo”, disse. 

Izabela lembra que Francisco era contra a viagem da namorada para Santa Catarina. “Ele não queria que ela viesse nos visitar, aí se desentenderam. Ele não aceitava”, lembrou a irmã da vítima.

Ainda consternada com a notícia, Izabela disse que conversou com Dione pela última vez há cerca de 15 dias. 

Com problemas nos tendões dos braços, por conta do trabalho, a mulher estava com intenção de voltar a morar em Santa Catarina, onde a filha pagava a aposentadoria da mãe. 

“Ela me disse que ia se aposentar e sossegar um pouco, porque estava muito cansada”. 

Há pouco tempo, segundo a irmã, Dione comentou da intenção de voltar a morar em Treze Tílias. 

“Ela ia vir primeiro para passear. A filha dela queria muito que ela viesse pra cá, por causa dos problemas da menina, para ela se adaptar com a família aqui, por causa do autismo, porque a criança é muito isolada da família”, comentou Izabela.

A polícia local vai investigar o crime, mas Izabela acredita que a morte tenha sido motivada pelo fato de Dione querer voltar morar no Brasil. 

“Quando ela disse que ia vir embora para cá, ele não aceitou. Ela disse, vamos junto, ele disse que não conheço ninguém lá, eu não vou para lá”, contou a irmã. 

O corpo da catarinense será cremado em Luxemburgo. As cinzas devem ser trazidas para o Brasil.

Dione e Francisco namoravam há oito anos – Facebook/Divulgação

Crime 

Dione foi encontrada com ferimentos graves dentro do próprio apartamento, por vizinhos. A mulher foi levada ao hospital, por volta das 18h de sábado, mas morreu já na madrugada de domingo (11). 

Francisco acabou preso ainda no local do crime. Ele foi ouvido no domingo por um juiz, que decretou prisão preventiva.

De acordo com a imprensa local, na sexta-feira (10), Francisco teria agredido a namorada. A polícia foi chamada e o português acabou detido provisoriamente, mas depois foi liberado pelas autoridades. 

A catarinense era mãe de quatro filhos: uma filha de 35, outra de 32, um filho de 24 e um menina de 10 anos, com autismo, com quem vivia em Esch-sur-Alzette.

Por e-mail, o Itamaraty informou que:

“O Brasil não possui representação diplomática ou consular em Luxemburgo. A Embaixada do Brasil em Bruxelas, responsável pelo acompanhamento dos interesses brasileiros naquele país, já foi instruída a contatar as autoridades luxemburguesas para acompanhar de perto o caso e a oferecer o atendimento consular cabível aos familiares da vítima”.

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