Catarinenses mortos no Chile avisaram parentes que estavam passando mal

Atualizado

Prima dos irmãos Débora e Jonathan Nascimento, Noemi Fortunato Nascimento falou com a reportagem do ND+ sobre as circunstâncias da viagem que terminou em tragédia. Dias atrás, os parentes chegaram a enviar áudios relatando que já estavam passando mal.

Em um crematório em Palhoça, parentes e amigos prestavam as últimas homenagens à mãe da vítima, que morreu na terça-feira – Anderson Coelho/ND

Quatro adultos e dois adolescentes – cinco deles catarinenses – morreram nesta quarta-feira (22), em um apartamento em Santiago, no Chile, depois de terem inalado gás, possivelmente monóxido de carbono.

A viagem ao Chile havia sido programada há um ano, para comemorar o aniversário de 15 anos de Karol, que seria nesta sexta-feira (24).

“Eles viajaram no domingo [19] e minha tia piorou em seguida, acabou internada e veio a falecer”, contou. Padrinho de Karoliny, Jhonatan planejou a viagem com a irmã Débora e o cunhado Fabiano.

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Denominada porta voz da família, Noemi nem conseguiu participar das últimas homenagens prestadas a Iete Isabel Muniz, sua tia, que faleceu na madrugada de terça-feira (21), vítima de câncer.

No hall de um crematório em Palhoça, na manhã desta quinta-feira (23), ela fazia contatos com amigos e parentes enquanto abria uma campanha virtual para arrecadar recursos para o translado dos seis corpos.

“A família não tem condições de arcar com os custos”, justificou Noemi. As doações podem ser feitas pela internet, na página “6 brasileiros mortos”. Advogados no Chile e em São Paulo também foram acionados para tentar resolver questões burocráticas como a liberação dos corpos.

Da esq. para a dir.: Felipe, Débora, Fabiano e Karoliny – Reprodução/Facebook

Diante da morte de Iete, que lutava contra um câncer há um ano, os familiares fizeram contato para avisar Fabiano e Débora e descobriram que eles estavam passando mal.

O casal chegou a enviar áudios por aplicativo de mensagem relatando a situação para os familiares, que acionaram a Polícia Federal. “Eles contaram que a Karol tinha vomitado e que o Felipe estava sangrando pelo nariz. Meu primo (Fabiano) disse que estava sem forças para levantar”, contou Noemi.

Os áudios

“Ai gente eu sinto que nós todos vamos morrer, a gente foi intoxicado por alguma coisa”, diz Débora em um dos áudios enviados para a irmã no Brasil, na tarde de quarta-feira. Em outro trecho, ela diz que não sente as articulações e que não consegue respirar. “Acho que todos vamos morrer”, finaliza.

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Endereço não encontrado

No Chile, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas não encontrou o endereço informado pelos familiares, que tiveram que entrar em contato com o site utilizado para alugar o imóvel para obter o endereço correto. “Quando os bombeiros chegaram ao local já encontraram todos em óbito”, relatou Noemi.

Bombeiros descobriram altas concentrações de monóxido de carbono no apartamento – Corpo de Bombeiros de Santiago/Reprodução/Twitter

Localizado em frente a uma praça da capital Santiago, o edifício teve que ser totalmente evacuado devido ao vazamento. Apesar das poucas informações, os familiares suspeitam que o vazamento de gás tenha como origem o sistema de calefação (aquecedor) utilizado no apartamento.

Ainda no crematório, Noemi recebeu a solidariedade da prefeitura de Biguaçu, que deverá ceder um espaço para o velório coletivo da família. O prefeito Ramon Wollinger também pediu contatos dos advogados da família para ajudar nos trâmites burocráticos de translado e sepultamento dos corpos.

O município irá decretar luto oficial de três dias. A família também solicitou à prefeitura um espaço para que seja realizado velório coletivo.

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