Ceasa em São José ficou pequena para oferta de alimentos e procura nova área

Pedro Mauro da Silva, 53 anos, chegou à Ceasa (Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina) há 33 anos. “Na época a cultura do milho dava só três meses, outubro, novembro e dezembro. Hoje, produzimos o ano todo e só não vendemos mais porque o espaço ficou pequeno”, conta o produtor de Santo Amaro da Imperatriz. Para o mercado de hortifruti do Estado, a crise econômica parece não representar um problema.

Até o fim deste ano, a Ceasa deve negociar R$ 800 milhões, um crescimento em torno de 30% em relação a 2015, quando foram comercializados R$ 613 milhões. Para aumentar ainda mais esses números, a diretoria da Ceasa já procura por uma nova área para instalação da central.

Área da Ceasa, que fica às margens da BR-101, em São José, tem 111 mil metros quadrados - Daniel Queiroz/ND
Área da Ceasa, que fica às margens da BR-101, em São José, tem 111 mil metros quadrados – Daniel Queiroz/ND

Fundada em 1976, a Ceasa está alocada em uma área de 111 mil m², em um dos pontos mais privilegiados de São José — às margens da BR-101. Comerciantes, produtores, motoristas e a diretoria dizem que o local ficou pequeno para a demanda. Isso impede o crescimento dos produtos escoados e o ingresso de novos clientes por falta de espaço.

“Circulam por aqui quase 4.000 veículos por dia e 7.000 pessoas. Sem contar que a estrutura também poderia ser melhor e mais moderna”, aponta o gerente de abastecimento Edimilson Moreira. Para garantir os produtos, comerciantes se acomodam como podem no estacionamento e disputam espaço para conseguirem encostar nos boxes para carregar os caminhões.

A central é a maior do Estado e abastece uma grande parte do mercado catarinense. Entre os principais problemas, a diretoria aponta a estagnação do volume comercializado, que poderia crescer ainda mais em um ambiente adequado à realidade atual, e problemas com a comunidade do entorno, como mobilidade urbana, reclamações do barulho pelos edifícios residenciais que cercam a área e estrutura interna não adequada.

Preço médio dos hortifrutigranjeiros foi 4,7% menor em setembro. Com o preço médio dos hortifrutigranjeiros em R$ 1,96, R$ 0,10 a menos do que em agosto. 

Estado procura área na Grande Florianópolis

Diretor-técnico da Ceasa, Albanez Souza de Sá diz que a Secretaria de Estado da Agricultura já autorizou a busca por uma área adequada. O novo local deverá ser até cinco vezes maior que os 111 mil m² atuais para atender uma expectativa de mais 50 anos de atividades. “A primeira proposta era encontrar uma área próxima ao Contorno Viário, por questão de logística. No entanto, não há expectativa de quando ele deve ficar pronto e a Ceasa não pode esperar”, afirmou.

A diretoria afirmou que está mapeando áreas entre a BR-101 e o futuro contorno, mas afirma que a preferência é por uma nova área em São José, Biguaçu ou Palhoça. “Nosso objetivo é construir uma nova central mais moderna, que contará com posto de combustíveis, agencia bancária, redes de supermercados, entre outros”, disse.

Nos últimos dez anos, o volume de comercialização cresceu 200,56% e o volume financeiro cresceu 425,74%. Já o preço por quilo teve um aumento de 74,92%

Central faz adaptações para reduzir impactos

Para Ivanor Gazzoni, que comercializa produtos na Ceasa há 26 anos, a urgência por nova área é uma demanda do mercado. “Algumas redes de supermercado deixam de comprar com a Ceasa por falta de estrutura. Atualmente nós passamos sufoco para conseguir acomodar os clientes e com isso se perde vendas”, apontou o comerciante que traz produtos de diversas partes do país.

Para minimizar os impactos da falta de espaço enquanto não encontra a nova área, a Secretaria de Agricultura promove mudanças internas no prédio. Entre as melhorias constam adequação do pátio, conclusão da canalização do rio Araújo, sistema de tratamento de resíduos, além da aquisição de equipamentos e maquinário. A partir de 6 de novembro, a unidade passará a funcionar com novo horário, com o intuito de distribuir melhor os dias bons de compra e diluir o público em mais dias.

Novos horários da Ceasa

Segunda à sexta:

11h – entrada dos produtores

14h – abertura para entrega de mercadorias

22h – fechamento dos portões

Sábados:

Das 6h às 12h

Volume da produção peso/t2014: 322.048

2015: 344,995

2016: 260.000 (até setembro)

Volume da produção

2014: R$ 489 milhões

2015: R$ 613 milhões

2016: R$ 548 milhões (até setembro)

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