Cemitérios exigem atenção redobrada no combate ao Aedes aegypti

Com muitos vasos de plantas que acumulam água, locais podem virar foco de larvas do mosquito da dengue

Em uma rápida caminhada pelo Cemitério Municipal Itacorubi São Francisco de Assis, em Florianópolis, é possível notar pontos de acúmulo de água que podem servir de criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor de dengue, febre chikungunya e zika vírus. O local, assim como todos os outros sepulcrários de Santa Catarina, é considerado pela secretaria estadual de Saúde como um ponto estratégico de combate à proliferação do mosquito.

Bruno Ropelato/ND

Exames feitos a partir de coletas descartam presença de larvas no Cemitério Itacorubi, segundo a vigilância ambiental

A fiscalização dos cemitérios faz parte do programa de controle da dengue, como explica a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica): “São considerados pontos estratégicos aqueles locais que, por sua atividade, oferecem risco de proliferação do vetor, como cemitérios, ferros-velhos e borracharias, por exemplo.” Além da fiscalização dos locais, uma das recomendações do órgão às prefeituras municipais é a criação de leis municipais que proíbam a colocação de recipientes que possam acumular água nos cemitérios, como fez São Bento do Sul.

Em Florianópolis, os cemitérios públicos são visitados quinzenalmente pelos agentes de endemias. “Coletamos as larvas e monitoramos para ver se são de Aedes aegypti. No Itacorubi nenhuma larva positivou para o Aedes”, disse a gerente de vigilância ambiental Priscilla Valler. Sabendo da existência de vários pontos que podem servir de criadouros nos cemitérios, a secretaria municipal de Saúde tem trabalhado junto às administrações para capacitar os funcionários e cobrar ações de combate aos focos do mosquito.

Paralelamente, prefeitura e governo estadual dão continuidade aos trabalhos de orientação à população e eliminação dos criadouros. Ontem, o governador Raimundo Colombo se reuniu com diretores das escolas estaduais para traçar o plano de ação nos colégios estaduais, enquanto a prefeitura de Florianópolis deu início à campanha “A rede contra o mosquito” nas escolas municipais.

Polêmica com larvicida

No sábado (13), o governo do Rio Grande do Sul suspendeu o uso do larvicida Pyriproxyfen (utilizado para deter o desenvolvimento da larva do Aedes aegypti) em água para consumo humano, após a ONG de médicos argentinos, Physicians in the Crop-Sprayed Towns, levantar hipótese de que a substância pode potencializar os casos de microcefalia causados pelo zika vírus.

O Ministério da Saúde afirmou que cada secretaria estadual tem autonomia para desenvolver estratégias alternativas, mas garantiu que o larvicida, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e certificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é seguro.

Em Florianópolis, o Pyriproxyfen é utilizado apenas em depósitos de água parada onde não é possível retirar a água. “Utilizamos em registros fixos, onde a água não pode ser eliminada, como piscinas abandonadas. A quantidade que usamos é muito baixa, e o larvicida tem o uso bastante controlado. Até o momento não tivemos nenhum indicativo de suspensão do seu uso”, disse Priscilla Valler.

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