Centro de Convivência da UFSC está depredado e serve de moradia improvisada para estudantes

Eduardo Valente/ND

Paredes pichadas e portas e janelas danificadas revelam o abandono do prédio

Ao procurar um espaço para expor trabalhos acadêmicos dentro da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), estudantes do curso de museologia descobriram que o Centro de Convivência do campus da Trindade não poderia ser utilizado porque estaria interditado. O prédio que já abrigou galeria de arte, livraria e outros projetos estudantis, atualmente tem apenas uma agência dos Correios e a sede do DCE (Diretório Central dos Estudantes). E cinco estudantes ocupam o local desde março. As janelas estão danificadas, portas arrombadas. Há infiltração e fios expostos. O projeto para revitalização do espaço está em fase de detalhamento no departamento de arquitetura.

“Como é que dizem que está interditado se tem pessoas circulando e uma agência dos Correios lá dentro”, questiona a estudante de museologia Lúcia Valente, 59 anos. Ela lamentou a negativa que seu grupo recebeu do Departamento de Assuntos Culturais para ocupar o espaço com uma exposição curricular. “Preciso saber por que isso. O prédio não está bom, mas não vi nenhuma faixa de interdição”, disse.

O estudante de geografia Marcos Vinícius dos Santos, 21, frequenta diariamente o prédio de 3.000 m². Ele é um dos líderes do DCE e lamenta a situação. Santos conta que há muita infiltração na sala da sede do diretório. “O pior vazamento vem do banheiro do piso superior”, detalhou, ao lembrar que amanhã haverá uma reunião entre estudantes e pró-reitoria para discutir a reforma do prédio. “Este espaço físico não cumpre sua função social. Está subutilizado”, lamentou.

Avisos nas janelas pedem para que ninguém as abram. A porta de entrada do banheiro feminino está com a fechadura arrombada. Pichações se misturam aos grafites. Sofás, fogão e louça na pia são sinais de que uma moradia foi improvisada no local. “Essa é uma ocupação cultural”, disse um dos estudantes enquanto varria o chão da sala improvisada.

Universidade prepara projeto para licitar a reforma

“Existem pessoas morando ali. A interdição é informal por questões de segurança”, garantiu o professor Américo Ishida, coordenador do projeto arquitetônico de revitalização do Centro de Convivência da UFSC. O trabalho está em fase de detalhamento pelo Departamento de Projetos de Engenharia e Arquitetura e será finalizado em até dois meses, para então ser licitado.

Após a reforma, o prédio construído em 1970 contará com sala de dança, galeria de arte, cafeteria, sebo e cinema no auditório. “Quem habita o espaço terá de sair quando a reforma começar”, assegurou Ishida.

O professor lembrou que o espaço não conta com sistema de prevenção contra incêndio, portanto terá de ser totalmente readequado. “O espaço de uso misto poderá ser frequentado por até 12 mil  pessoas a cada dia”, destacou.

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