Chabu: PF faz buscas em sede de empresa de tecnologia em Florianópolis

Atualizado

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Grupo Nexxera, localizada no Centro de Florianópolis. A ação faz parte da Operação Chabu, deflagrada na manhã desta terça-feira (18). Três peritos da corporação estiveram no local.

Ao todo, foram expedidos pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, 23 mandados de busca e apreensão, e sete de prisão.

Entre os detidos estão o prefeito da Capital, Gean Loureiro, o delegado da PF Fernando Caieron, o ex-secretário de Estado da Casa Civil Luciano Veloso Lima, Marcelo Rubens Paiva Winter, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e diretor de comunicação do SINPRF-SC (Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina), e o empresário José Augusto Alves, apontado como pivô do esquema.

Grupo Nexxera, em Florianópolis, foi alvo de busca e apreensão – Divulgação/Grupo Nexxera/ND

No Grupo Nexxera, os agentes apreenderam documentos. A investigação busca confirmar a suspeita de crimes de associação criminosa e corrupção passiva por parte de agentes públicos e empresas.

Por telefone, o grupo informou que não sabe exatamente qual seria o motivo da busca, mas garantiu que segue contribuindo com o que o foi pedido pela polícia. A empresa lembrou, ainda, que por se tratar de uma investigação, não é possível dar mais detalhes sobre os documentos levados.

Movimentação é intensa na sede da Polícia Federal em Florianópolis nesta terça-feira – Anderson Coelho/ND

Criada em 1992, a Nexxera é especializada em elaborar plataformas integradas de serviços de automação bancária, gestão de cobranças e soluções de tecnologia. A empresa tem filial em São Paulo.

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Além da empresa, outros locais da cidade receberam a visita de policiais nesta manhã. No gabinete da prefeitura, no Centro da cidade, agentes federais descaracterizados foram vistos levando malotes e sacos pretos. Eles ficaram no local por volta de três horas e deixaram a prefeitura perto do meio-dia.

Entenda a Operação Chabu

Após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, a Polícia Federal apurou que a suposta organização criminosa construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação. O objetivo era embaraçar investigações policiais e proteger o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas.

Durante as investigações foram apuradas várias práticas ilícitas, dentre as quais destacam-se o vazamento sistemático de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar “salas seguras” a prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

Interferência

As provas obtidas durante as investigações apontam a prática de crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, além da tentativa de interferir em investigação penal que envolva a suposta organização criminosa.

O nome dado à operação, Chabu, significa dar problema, dar errado, falha no sistema, e é usado comumente em festas juninas, quando os fogos de artifício falham. Segundo a Polícia Federal, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer.

Contraponto

O advogado Alessandro Abreu, que representa a Nexxera, disse que a empresa não está envolvida diretamente, por isso não irá se manifestar. Segundo ele, a Nexxera aparece na operação porque pode ter informações que podem contribuir com as investigações.

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