Chefs dão dicas de como preparar pratos sem carne vermelha, a vilã do Natal

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A surpresa chegou antes do Natal e não foi nada agradável. A alta de preços atingiu em cheio a carne bovina, proteína animal mais consumida pelos catarinenses. Os açougues viram os clientes quase sumirem e os consumidores ainda estão se adequando à realidade. Carne vermelha não é mais, pelo menos por enquanto, para o cardápio diário.

Chefs dão dicas de como preparar pratos sem carne vermelha, a vilã do Natal – Foto: Pixabay

E para a ceia de Natal, o que preparar? Para quem não abre mão dos cortes bovinos e prefere investir a ter que ficar sem o assado especial, o chef e professor de gastronomia Daniel Paiva indica músculo, coxão mole ou paleta, que também estão caros, mas um pouco menos em relação ao filé ou alcatra.

“Apesar de mais em conta do que os cortes de primeira, essas carnes também estão com os preços bastante elevados. Tem carne moída custando R$ 40, o quilo”, aponta.

Agora, quando o assunto é churrasco as opções econômicas são mais difíceis. O churrasqueiro terá que mudar o modo de preparar uma carne menos macia, por exemplo, ou aderir ao assado no forno. Tudo em nome da economia. “Ou quem sabe ousar e preparar hambúrgueres”, sugere Paiva.

A carne suína é a aposta do chef Daniel Paiva – Foto: Pixabay

O chef Daniel aposta na carne suína como a estrela desse ano. Na família dele, o suíno preparado com maçã e abacaxi é sucesso há muitos natais. “É uma carne saborosa e com diversas opções de preparo”, afirma.

A carne de porco é a segunda carne mais exportada por Santa Catarina. A primeira é o frango. Essas duas proteínas têm sido as escolhas de consumidores que abriram mão da carne vermelha. No entanto, os preços desses produtos têm sofrido um leve, quase imperceptível aumento – que ocorre em função da conhecida oferta e procura.

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Para quem ceia natalina só combina com peru e demais aves de festa, a boa notícia é que os preços estão na média dos anos anteriores. “O preço dessas aves não é muito alterado porque elas são produzidas para essa época do ano, então quem tem o hábito de prepará-las pode ficar tranquilo”, afirma Daniel Paiva.

Mudança de hábito

Daniel Paiva ressalta que o cardápio brasileiro está passando por um mudança que deve ficar ainda mais forte nos próximos anos com a adoção de vegetais e tubérculos na dieta. A sustentabilidade à mesa pede produtos regionais, vontade de inovar e criatividade.

Ele acredita que os vegetais vão dominar muitas receitas onde antes apenas a proteína animal era utilizada. A substituição ficará mais fácil à medida que os cozinheiros domésticos se arriscarem a criar variedades.

Além dos vegetais e tubérculos, peixes regionais devem tomar lugar à mesa com mais frequência. “O ideal é utilizarmos o que temos em abundância durante todo o ano”, afirma. A carne suína e de frango também é citada por Paiva como opção à vermelha.

Promoção e adaptação

A consultora de gastronomia Norma Arceno Salman é adepta de promoções. Desde que o preço da carne bovina começou a subir ela redobrou a busca por melhores preços quando a receita tinha como base a carne vermelha. Para Norma, as combinações que mais se entendem na cozinha que ela comanda é a promoção e a adaptação. “Se não tem um produto, vamos usar o que o bolso alcança”, diz.

Nessas buscas por melhores preços, ela encontrou o quilo da paleta por um pouco menos de R$ 15 e preparou assada com batatas.

A consultora Norma sugere a preparação de anchova como se fosse bacalhau – Foto: Luciane Daux/ND

O prato principal da ceia na casa de Norma foi comprado em uma promoção logo que as aves de festa começaram a aparecer, semanas atrás, nos supermercados. A ave será servida com recheio, salada de batatas e farofa de banana.

Norma diz que para a ceia natalina desse ano as pessoas vão ter que abusar da criatividade para servir bem sem zerar a carteira.

Uma sugestão da consultora é preparar uma anchova como uma espécie de “bacalhau falso”. Para isso, uma salada com batatas, ovos cozidos, azeitonas e palmito resolve a receita. “O tradicional para mim é saber economizar”, resume.

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