Chegam a Florianópolis os corpos dos seis turistas mortos em tragédia no Chile

Atualizado

Os corpos dos seis turistas encontrados mortos no Chile no dia 22 de maio chegaram ao aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, na noite desta segunda-feira (3). O voo pousou em solo catarinense por volta das 18h30.

As vítimas foram embarcadas em Santiago durante a manhã e chegaram a São Paulo à tarde, onde foi feito o transporte para a Ilha de Santa Catarina. Seis carros funerários saíram do aeroporto às 20h escoltados por dois carros da Polícia Rodoviária Federal.

Voo da Latam chegou no início da noite desta segunda-feira (03) – Flávio Tin/ND

As vítimas Fabiano de Souza (41), Débora Muniz Nascimento de Souza (38), os filhos Felipe Nascimento de Souza (13) e Karoliny Nascimento de Souza (14); além de Jonathas Nascimento (30) e Adriane Kruger (27) chegaram em dois voos da Latam, com origem em Guarulhos (SP).

O sepultamento está previsto para as 16h desta terça-feira (4), no Cemitério de São Miguel, na BR 101, Km 189, em Biguaçu. Segundo comunicado oficial da Prefeitura de Biguaçu, município onde quatro dos seis familiares mortos na tragédia viviam, o velório coletivo será aberto ao público das 8h30 às 15h30. O local é o Ginásio de Esportes da Univali, em Biguaçu.

A pedido da família, o acesso da imprensa será limitado nas primeiras horas do velório. A partir das 14h, haverá uma celebração feita pelo padre da paróquia local e por um pastor da Igreja Adventista – à qual a família de Débora era ligada.

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As mortes

Os seis brasileiros morreram após inalar monóxido de carbono em um apartamento no centro de Santiago, no Chile, no dia 22 de maio, onde estavam hospedados. A família estava a passeio para comemorar o aniversário de 15 anos de Karoliny.

O laudo sobre a causa das mortes foi emitido por autoridades chilenas e confirmado pelo advogado da família, Mirivaldo Aquino de Campos, na última sexta-feira (31). Porém, a perícia ainda precisa confirmar de onde partiu o gás.

Da esq. para a dir.: Karoliny, Fabiano, Débora, Felipe – Instagram / Reprodução ND

A construção, localizada na Rua Santo Domingo, a doze quadras do Palácio de la Moneda, data de 1965 e possui três fontes de gás para aquecimento. O imóvel foi alugado via plataforma Airbnb, a qual custeou o traslado dos corpos, a viagem de familiares para acompanhar os trâmites legais e o enterro coletivo.

Investigações

O apartamento em que a família ficou hospedada não passava por vistoria há pelo menos 15 anos. Segundo a Superintendência de Eletricidade e Combustível (SEC) do país, o edifício não possuía selo verde, o certificado que atesta que os sistemas hidráulico, elétrico e/ou de gás funcionam corretamente.

Em entrevista a canais de televisão chilenos, o segundo comandante do Corpo de Bombeiros chileno, Diego Velásquez, disse que a concentração de monóxido de carbono foi constatada assim que a primeira equipe chegou ao local.

A entrada no apartamento foi solicitada do Brasil ao Consulado Brasileiro no Chile, pelo advogado Mirivaldo Aquino de Campos, que é amigo da família. Agentes do Corpo de Bombeiros fizeram a evacuação imediata do prédio – ruas adjacentes também foram interditadas. Depois, realizaram medições do ar no apartamento e descobriram altas concentrações de monóxido de carbono, gás que não emite odor, mas cuja inalação provoca a morte.

Velásquez disse que não está descartada a hipótese de que as mortes estejam relacionadas com o tipo de calefação usada nos apartamentos.

De acordo com o advogado da família, tanto o consulado brasileiro no Chile quanto as autoridades locais foram muito solícitos e ajudaram em  tudo que foi possível. Ele informou ainda que não foi discutido se a família espera algum tipo de punição aos responsáveis pelo edifício e que a prioridade agora é o sepultamento das vítimas.

As vítimas

Das seis vítimas do incidente, um casal e os dois filhos adolescentes moravam em Balneário São Miguel, em Biguaçu. O segundo casal residia em Hortolândia, interior do Estado de São Paulo, há três anos.

  • Fabiano de Souza, 41 anos, pescador, marido de Débora e pai dos adolescentes;
  • Débora Muniz Nascimento de Souza, 38 anos, professora, mulher de Fabiano e mãe dos adolescentes;
  • Karoliny Nascimento de Souza, 14 anos, estudante do 1º ano do ensino médio, filha de Fabiano e Débora. Ela completaria 15 anos dois dias após o incidente;
  • Felipe Nascimento de Souza, 13 anos, estudante do 9º ano do ensino fundamental, filho de Fabiano e Débora e irmão de Karoliny;
  • Jonathas Nascimento, 30 anos, chefe do Departamento Pessoal do Instituto Adventista de Tecnologia, irmão de Débora e marido de Adriane;
  • Adriane Padilha Kruger, formada em engenharia civil, mulher de Jonathas.

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