Chuva deixa Santa Catarina em alerta para enchentes e deslizamentos

Até o início da noite desta quinta-feira, 88 municípios e 18.725 pessoas haviam sido afetados pelo mau tempo persistente

A chuva que castiga Santa Catarina desde o dia 8 de outubro, e que provocou volume cinco vezes superior à média para o período em algumas regiões – de 150 mm para 750 mm no Alto Vale do Itajaí, por exemplo -, provocou estragos em 88 cidades e atingiu 18.725 pessoas no Estado, sendo que 997 estão desalojadas e 868 desabrigadas. Até o início da noite desta quinta-feira (22), oito municípios haviam decretado situação de emergência: Lebon Régis, Papanduva, Itajaí, Ituporanga, Quilombo, Agronômica, São Cristóvão do Sul e Angelina.

Fabrício Porto/ND Joinville

Região central de Joinville estava alagada nesta quinta-feira

Os temporais, que danificaram 4.282 residências no Estado e causaram três mortes desde 8 de outubro, provocaram inundações especialmente no Vale e Alto Vale do Itajaí, Planalto Norte e Planalto Sul.

Na Grande Florianópolis, a maior preocupação da Defesa Civil é em relação à possibilidade de deslizamentos de terra em função de o solo estar encharcado. A previsão da metereologia indica que a chuva deve dar uma trégua nesta sexta-feira (23), mas ainda podem ser registradas pancadas isoladas especialmente no Vale do Itajaí e Litoral.

Com a previsão de diminuição das precipitações, a maior preocupação das autoridades se volta para o Vale do Itajaí, onde estão acima da cota de emergência os rios em Taió, Laurentino, Rio do Sul, Botuverá e Blumenau.

Em Brusque, o nível do rio Itajaí-Mirim superava seis metros. Em Blumenau, o rio Itajaí-Açu entrou em cota de emergência e a previsão era de chegar a 10,5 metros durante a noite, alagando ruas da cidade.

“Blumenau será afetada, pouco, mas será atingida pela água que desce do Alto Vale e inundará algumas ruas”, afirmou Milton Hobus, secretário de Defesa Civil no Estado.

Em Rio do Sul a situação também é considerada crítica por Hobus, e 419 pessoas estavam desabrigadas no município. Dos 25 bairros, 22 estavam alagados. Em Itajaí, cidade para onde escoa a água dos rios do Vale, o estado é de alerta com a chance de enchentes. O transbordamento do rio Itajaí-Mirim provocou estragos e deixou mais de 20 famílias desalojadas.

Barragens começam a verter água e elevam nível do rio Itajaí-Açu

Devido ao grande volume de água que escoa dos rios no Alto Vale, as barragens de Ituporanga e Taió começaram a verter água na tarde desta quinta. As represas, que ajudam a conter a água dos rios, foram abertas para escoar o grande volume de água contido nas barragens. Com isso, o nível do rio Itajaí-Açu vai aumentar nas próximas horas e a água que desce das barragens leva em média dez horas para atingir Rio do Sul.

“Tivemos que abrir as represas, e essa água vai chegar ao Médio Vale, pelo menos até Blumenau. Como a previsão é de que a chuva dê uma trégua, e a água de Taió leva dez horas para chegar em Rio do Sul e mais 16 horas para chegar em Blumenau, quando os volumes das barragens chegarem a Blumenau, por exemplo, boa parte da água acumulada na cidade já terá escoado”, informou o secretário Milton Hobus.

Defesa Civil lamenta que previsão indique chuvas constantes até meados de novembro

O secretário de Defesa Civil do Estado, Milton Hobus, observa que o fato de estar chovendo com frequência acima da média há quase um mês torna as previsões de novas chuvas nos próximos dias ainda mais preocupantes, pois as bacias hidrográficas e o solo estão saturados de água.

“O grande problema é o fato de que para de chover dois dias, mas depois a chuva volta e permanece sobre o Estado por quatro, cinco dias. Assim, não há tempo para que as bacias voltem ao normal e para que o solo seque, e isso nos preocupa bastante pelo risco de inundações e deslizamentos”, disse Hobus, que destaca o estado de atenção máximo da Defesa Civil pelo menos até 15 de novembro, quando a previsão do tempo indica maiores períodos de estabilidade em Santa Catarina.

O grande volume de chuva dos últimos dias, apesar de lembrar 2008, ano da maior enchente da história do Estado, não é motivo para alarmar as pessoas, aponta Hobus. “São situações bem diferentes e neste ano o Estado está mais preparado, pois nos últimos dias o trabalho de prevenção evitou duas situações de inundações no Vale do Itajaí”, revelou.


Portos de Itajaí e Navegantes estão fechados por tempo indeterminado

O canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes foi fechado nesta quinta por tempo indeterminado. O motivo é o alto nível do rio Itajaí-Açu, que aumentou o volume da correnteza na barra do rio, por onde acessam os navios.

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De acordo com a Praticagem de Itajaí, três navios aguardavam para acessar o porto e outros três para deixar os terminais. Esta é a segunda vez que o canal de acesso aos portos fecha em menos de uma semana devido à chuva. Cada navio parado representa um custo superior a R$ 100 mil por dia. A praticagem informa que como muita água ainda vai descer do Alto Vale, a expectativa é de que o canal de acesso dos portos permaneça fechado durante esta sexta-feira.

Próximos dias

Segundo o meteorologista Clóvis Correia, da Epagri/Ciram, o sistema de baixa pressão associada a um frente fria vinda do oceano que causou as fortes chuvas dos últimos dias, se deslocou em direção ao Paraná e proporcionará alguns dias de trégua.

“Até domingo, devemos ter uma trégua, com chances de pancadas isoladas de chuva ao longo do dia. O problema é que serão dois, no máximo três dias sem chuva até o final do mês. Então, não dá tempo de secar o solo e quando voltar a chover os problemas podem se repetir”, destacou.


Recomendações da Defesa Civil

Tempestades com descargas elétricas (raios), vento e granizo: permanecer em local seguro e não transitar em locais abertos, próximo a árvores, placas publicitárias ou objetos que possam ser arremessados. Em caso de ocorrência de granizo, é aconselhável que as pessoas se protejam em lugares com boas coberturas, fechem janelas e portas, e não utilizem equipamentos elétricos ou telefones.

Inundações/alagamentos: evitar o contato com as águas e não dirigir em lugares alagados. Evitar transitar em pontilhões e pontes submersas.

Deslizamentos de terra: deve ser observado qualquer movimento de terra ou rochas nas proximidades de residências, inclinação de postes e árvores e rachaduras em muros ou paredes. Neste caso, é recomendável que a família saia de casa e acione a Defesa Civil municipal ou o Corpo de Bombeiros.

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