Polêmica: cientistas criam ser híbrido entre humano e macaco na China

O tema é polêmico: equipe de cientistas criou pela primeira vez uma quimera entre humano e macaco. Quimera é um ser híbrido, com características de ambos, formando um terceiro. O fato teria ocorrido em um laboratório da China, comandado pelo pesquisador Juan Carlos Izpisúa. Seu objetivo é transformar animais de outras espécies em autênticas “fábrica de órgãos” para transplantes.

A cientista Estrella Núñez, da equipe que criou a quimera – Reprodução

A bióloga Estrella Núñez, integrante da equipe e vice-reitora de pesquisa da Universidade Católica de Murcia, da Espanha, confirmou a informação ao site “El País”.

No processo, a equipe de Izpisúa modificou geneticamente embriões de macaco, desativando genes essenciais na formação de órgãos. Feito isso, foram injetados células humanas capazes de gerar qualquer tipo de tecido. Assim, a quimera foi criada, híbrida de macaco com células humanas. Porém, os cientistas interromperam a gestação, como estava previsto no trabalho.

A experiência foi desenvolvida na China a fim de evitar obstáculos legais comuns em outros países. Segundo Estrella Núñez, “os resultados são muito promissores”, aguardando apenas o interesse de alguma revista científica com prestígio internacional para publicar o trabalho.

Outro lado

A Espanha é pioneira nesse tipo de trabalho, mas há o outro lado da questão. Ángel Raya, diretor do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona levantou questões éticas na mesma matéria. “O que acontece se as células-tronco escapam e formam neurônios humanos no cérebro do animal? Terá consciência? E se estas células pluripotentes se diferenciarem em espermatozoides?”

Em defesa, Estrella Núñez explicou que a equipe de Izpisúa “habilitou mecanismos para que as células humanas se autodestruam, caso migrem para o cérebro.

Ainda segundo a reportagem, a comunidade científica estabeleceu uma “linha vermelha de 14 dias” de gestação. Seria esse o tempo suficiente para que se desenvolva o sistema nervoso central. Antes desses 14 dias, os embriões quiméricos devem ser eliminados. “Assim, a gestação não é levada a termo em hipótese alguma”, finalizou Núñez.

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