Circolo Italiano é um reflexo de como italianidade pulsa forte em Joinville

Uma das principais culturas formadoras da população joinvilense trabalha pela proliferação dos costumes, mas sem apelar para o saudosismo

Carlos Junior/ND

Empresário Moacir Bogo é um dos maiores incentivadores do cultivo dos costumes e da disseminação da cultura italiana

Herculano Vicenzi

Especial para o ND

A preservação de valores culturais da pátria de Dante Aleghieri, Leonardo da Vinci e Giuseppe Verdi pulsa forte no bairro Anita Garibaldi, em Joinville.  Situado na rua Professora Senhorinha Soares, 62, o Edifício Ravello é a sede do Circolo Italiano di Joinville desde o dia 21 de novembro de 2004. Erguido por oriundi liderados pelo empresário e um dos maiores entusiastas da preservação da cultura italiana na região, Moacir Bogo, no Ravello está sendo concretizado o propósito dos associados em preservar e fortalecer a italianidade em Joinville.

Com 1.400 metros quadrados, divididos em dois pavimentos, o Ravello, além de ser a sede do Circolo, é também endereço da Agência Consular da Itália em Joinville. Caminhar pelos espaços do edifício encanta pela harmoniosa mistura de coisas do tempo da chegada dos imigrantes italianos e a realidade vivida por seus descendentes.

No piso térreo, o visitante depara-se com um grande salão de festas, uma cozinha de se tirar chapéu, uma cancha de bochas de fazer inveja e um bar para não se botar defeito. É nesse espaço que acontecem festas memoráveis com tradicionais receitas de gastronomia típica e muita música folclórica, tudo trazido da Itália na segunda metade do século 19. Perfeito ambiente para qualquer saudosista matar a saudade do tempo dos nonos e das nonas.

No piso superior, funciona um auditório com capacidade para 130 pessoas. Lá ocorrem projeções dos melhores filmes produzidos na Itália. Vale ressaltar que uma vez por mês uma película é exibida, com entrada franca, inclusive para quem não é sócio. A iniciativa é uma boa maneira de abrir as portas para a comunidade joinvilense, observam os diretores do Circolo.

O auditório também é aproveitado para exposições de obras de arte. No momento, uma delas reúne as obras de artistas joinvilenses cedidas para exibição por um colecionador, como uma forma de homenagear Joinville, que na próxima quarta completa 165 anos. Mas a coisa não para por aí. Também há salas para aulas das línguas italiana e francesa (todas com projetor de áudio e vídeo digital),  biblioteca de clássicos italianos, sala de midiateca e videoteca, estúdio para gravação do programa radiofônico Caffè Italia (transmitido pela rádio da Udesc), além da cozinha Catarina de Médici, na qual os frequentadores dos cursos da língua italiana se divertem dando muitas risadas enquanto aprendem a preparar deliciosos pratos e a aprimorar o idioma. Trocando em miúdos, um chefe de cozinha escolhido a dedo prepara comida italiana e a linguagem entre os participantes só pode ser aquela falada pelo autor de “A Divina Comédia”.

Carlos Junior/ND

Associados não perdem os jantares mensais: bom papo, boa comida e boa música

Gênese do Circolo

O surgimento do Circolo Italiano di Joinville começou a ser desenhado em 1987, por iniciativa de Moacir Bogo. Incomodado com a pobreza de italianidade em Joinville, apesar da presença de milhares de oriundi, ele reuniu um grupo de amigos com os quais passou a promover jantares em casas de um e de outro, tudo regado a vinho, pratos típicos e cantorias folclóricas.

Passados cerca de dois anos, o grupo de amigos fixou esses divertidos encontros em uma churrascaria, onde brotou a ideia de se fundar uma associação. Foi desse jeito que em 1990 surgiu a Associazone Veneta. Transcorrido algum tempo, associados que não tinham raízes na província de Veneto, começaram a questionar a regionalidade da confraria. Foi desse modo, que em 1995 foi fundado o Circolo Italiano di Joinville para contemplar todas as províncias do berço da Renascença.

Os encontros, por falta de sede própria, continuaram sucedendo-se nas casas. Com muito esforço, que envolveu financeiramente boa parte dos associados, finalmente em 21 de novembro de 2004 o Circolo Italiano di Joinville inaugurou o Edifício Ravello, que se transformou rapidamente em ponto de referência da italianidade.

Carlos Junior/ND

Estrutura especial para os visitantes se sentirem bem e os associados, em casa

Atividades intensas

O Circolo Italiano di Joinville caracteriza-se pela efervescência de atividades. Aulas da língua italiana e francesa movimentam permanentemente o piso superior do Edifício Ravello, onde também são realizados os ensaios de peças teatrais de autores italianos, todas apresentadas em língua original.

O Circolo mantém um coral ítalo-brasileiro, com coro misto a quatro vozes e oferece apoio financeiro a diversos grupos de música folclórica da cidade. Excursões culturais e de lazer, para imersão na língua italiana, fazem igualmente parte da planilha de atividades.

Mensalmente – em toda a última quinta-feira – há um encontro gastronômico organizado alternadamente por nove comunidades italianas de Joinville, mantendo-se dessa forma a tradição da boa cozinha e da amizade. Vale destacar ainda eventos anuais, como o Dia do Imigrante, em fevereiro; Fête de la Musique, em junho; Vinveneto, em agosto;  Settimana della Lingua Italiana nel Mondo, em outubro.

Modernizar para perpetuar

Presidente do Circolo e cônsul honorário da Itália em Joinville, Moacir Bogo enfatiza que a introdução de novas atividades, como teatro, cinema, programa de rádio e cursos diferenciados de italiano visam atrair os jovens para a entidade perpetuar-se. “Estive no interior de São Paulo, onde muitos espaços italianos que marcaram época nos anos 40 e 50 do século 20 hoje estão abandonados. Isso aconteceu pelo fato de que as atividades desses grupos estavam alicerçadas só no saudosismo, na nostalgia. Assim que os velhos morreram, veio a decadência. Para evitar que o Circolo Italiano di Joinville no futuro enverede por esse caminho, tratamos de inovar. Por isso,  aqui tradição e modernidade caminham lado a lado”, salienta.

Com quase 300 associados, o Circolo cobra anuidade de R$ 200. Em compensação, fora a bebida, o sócio, juntamente com a mulher e filhos abaixo de 18 anos, não paga nada para participar dos nove jantares anuais organizados pelas comunidades italianas de Joinville. “A anuidade é uma bela pechincha diante de tamanha contrapartida”, brinca Moacir Bogo.

PARA ASSOCIAR-SE

Interessados em obter mais informações podem acessar www.circolo.com.br ou pelo telefone 47/3455-0665.

Carlos Junior/ND

Em preparação, um dos concorridos jantares

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