Cocal do Sul decreta situação de emergência por estiagem

Atualizado

O município de Cocal do Sul, na região Sul catarinense, decretou situação de emergência em razão do longo período de estiagem. A falta de chuvas compromete o sistema de fornecimento de água e os três reservatórios junto ao Rio Tigre, Rio Cocal e Represa Demaria Eugenito Rosso estão com níveis abaixo da capacidade.

Reservatórios estão com nível abaixo da capacidade, em Cocal do Sul – Foto: Divulgação/ND

A decisão pelo decreto foi tomada em reunião no gabinete do prefeito, reunindo secretários de Obras e Administração, Samae e coordenadoria da Defesa Civil municipal e estadual. Após negociação entre prefeitura e Casan, parte do município deve começar a ser abastecida com água do Rio São Bento, a partir desta segunda-feira (18).

Foram feitas obras que ampliaram em 300 metros a rede de água, puxando da rede do Bairro São Simão, em Criciúma. Cerca 700 famílias dos bairros Boa Vista, Centro, União, Brasília, Horizonte Guanabara e Cristo Rei serão abastecidas pelo Rio São Bento. Segundo o prefeito Ademir Magagnin, isso vai reduzir o tempo de desabastecimento que chegou a 36 horas, para 12 a 16 horas.

O Samae está fazendo o transporte de 176 mil litros de água “in natura” por dia, com caminhão pipa. O transporte do Rio Barbosa até a estação de tratamento é feito por dois caminhões de 7 mil litros e dois de 15 mil litros, que estão trabalhando 24 horas por dia. A empresa deve realizar ações de fiscalização do desperdício de água, inclusive com aplicação de multas, quando necessário.

Samae está transportando água em caminhões pipa – Foto: Divulgação/ND

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Previsão indica pouca chuva

Segundo o meteorologista da Epagri, Marcio Sonego, a região está com chuvas abaixo da média e a previsão para os próximos meses é que continue assim, com chuvas mal distribuídas. No próximo trimestre, deve chover 50 milímetros a menos, e a primavera pode ser ainda mais seca.

O coordenador regional da Defesa Civil, Rosinei da Silveira, afirma que toda região sul do Brasil está sofrendo com a seca. O Paraná já decretou situação de emergência e, em Santa Catarina, 68 cidades também estão nessa situação.

“É necessário o consumo consciente e racional por parte da população. Nas áreas rurais todos apresentam problemas, e existem relatos de lavouras de morango totalmente perdidas”, diz Silveira.

Segundo ele, nas áreas urbanas das cidades abastecidas pela barragem do Rio São Bento, ainda não há problemas. Mas a situação é crítica em municípios como Morro da Fumaça, Urussanga, Lauro Muller e Orleans. Pelas previsões dos próximos 20 dias, mais municípios devem seguir a situação de Cocal do Sul e decretar situação de emergência.

Prejuízos na pecuária

O coordenador da Defesa Civil de Cocal do Sul, Nilton Gonçalves, lembra que o município já decretou situação de alerta e passado o período de quase 15 dias não houve acréscimo no volume de chuva. Segundo ele, os maiores prejuízos são na agricultura e na pecuária.

O diretor do Samae, Marcio Zanetti, diz que o volume normal de vazão dos mananciais é de 390 litros por segundo, mas o volume disponível hoje para tratamento é de apenas 17 litros por segundo, uma redução de 95% da disponibilidade hídrica. Para abastecer o município é preciso tratar 42 litros por segundo.

Para o prefeito Ademir Magagnin, o decreto da situação vai dar mais agilidade nas ações. “Teremos mais agilidade na contratação de caminhões pipa, por exemplo, e na aquisição de água de outras cidades”.

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