Coletivo Não é Não emite nota contra fala de Jessé Lopes: “desrespeita mulheres”

Atualizado

O coletivo Não é Não, responsável pela campanha de distribuição de tatuagens temporárias contra o assédio, emitiu uma nota contra a fala do deputado estadual de Santa Catarina Jessé Lopes (PSL). No texto, elas classificam a fala de Jessé como incoerente.

Coletivo responsável por tatuagens contra assédio emite nota contra fala de Jessé Lopes – Foto: Reprodução/Instagram

“Nós, integrantes do coletivo Não é Não, viemos através desta manifestar nosso apoio e solidariedade a todas as mulheres que, como nós, tiveram suas histórias de luta – e, por que não dizer, sofrimento – diminuídas pela fala pública de um parlamentar em suas redes sociais”, afirma o texto.

O deputado catarinense usou as redes sociais para criticar o que chamou de hipocrisia. “Não sejamos hipócritas! Quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser “assediado(a)”?? Massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”, afirmou.

Tatuagens contra o assédio

O coletivo Não é Não lançou uma campanha de financiamento coletivo para produzir e distribuir tatuagens temporárias contra o assédio sexual a mulheres. As artes trazem a mensagem que dão nome ao coletivo.

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“Configura-se como provocações inoportunas, capazes de criar situações ofensivas, de intimidação ou humilhação a uma mulher. Pressupõe uma conduta sexual não desejada, não se considerando como tal o simples flerte ou paquera”, diz a nota.

Confira a nota na íntegra

Nós, integrantes do coletivo Não é Não, viemos através desta manifestar nosso apoio e solidariedade a todas as mulheres que, como nós, tiveram suas histórias de luta – e, por que não dizer, sofrimento – diminuídas pela fala pública de um parlamentar em suas redes sociais.

Para nós, que militamos pelo fim do assédio às mulheres nos espaços públicos em mais de 15 estados brasileiros, é incoerente que um homem alheio às questões que discutimos e combatemos utilize seu espaço de poder para propagar desinformação e argumentos confusos sobre a atuação do coletivo.

É extremamente triste perceber, em atitudes como esta, a persistência de uma cultura machista e misógina, que continua a perpetuar e defender o comportamento de assediadores. Para além de confundir a opinião popular sobre a atuação de coletivos como o nosso, esse tipo de manifestação ofende e desrespeita mulheres que já sofreram episódios de violência e que trabalham voluntariamente para levar informação e apoio a outras mulheres que já foram coagidas, constrangidas, invadidas ou violentadas.

Aproveitamos para reforçar que assédio sexual é a forma mais comum de importunação sexual – ato que virou crime através da Lei 13.718/18 e prevê de 1 a 5 anos de prisão. Configura-se como provocações inoportunas, capazes de criar situações ofensivas, de intimidação ou humilhação a uma mulher. Pressupõe uma conduta sexual não desejada, não se considerando como tal o simples flerte ou paquera.

Nossa luta não retira direitos das mulheres, mas sim, busca a garantia efetiva de direitos constitucionais básicos, como o de ter liberdade de ir e vir em segurança. Em 2020 estaremos tatuando em todas as regiões do país, disseminando e levando nossa mensagem de apoio na própria pele – Não é Não é uma causa, um carimbo de apoio e acolhimento. Neste carnaval, convocamos você a lutar com a gente pelo fim do assédio – use a roupa e o batom que desejar, vai de saia ou de maiô, se pinte, se tatue e, se topar com alguma mulher em situação de perigo, interfira, apoie, acolha.

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