Com grande expectativa de turistas no verão, Florianópolis tem várias opções de hospedagem

Um dos destinos de verão mais procurados por turistas brasileiros e estrangeiros, Florianópolis tem diversas opções de hospedagem. Tem para famílias ou solteiros, para quem gosta de luxo ou prefere a simplicidade de uma pequena pousada à beira-mar, para quem busca interação e novas experiências ou para quem quer apenas descansar. Para os que preferem planejar bem a estadia, novas formas de se hospedar e de fazer reservas têm facilitado a vida dos viajantes. Seja por meio de sites ou aplicativos, como OLX e Airbnb, a variedade de opções é grande e atende a todos os bolsos. Para o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Florianópolis, Tarcísio Schmitt, este tipo de serviço não compete com o setor formal de hotéis, já que a rede hoteleira absorve no verão apenas 22% dos turistas na cidade.

Daniel Queiroz/ND

Marina Paiva oferece apartamento para alugar na praia Brava pelo site Airbnb 

Com a proposta de ser um mercado comunitário para pessoas anunciarem, descobrirem e reservarem acomodações ao redor do mundo, o Airbnb tem se tornado uma forma eficiente de aluguel para quem procura uma estadia e de fácil negociação para quem tem imóvel disponível. Criado em 2008, o serviço do site está em mais de 190 países e ganhou força no Brasil nos últimos dois anos. Na prática, o Airbnb permite fazer reservas diretamente com o proprietário, sem o intermédio de imobiliária, de casas inteiras, apartamentos ou apenas um quarto.

Depois de duas experiências bem-sucedidas com o Airbnb no Rio de Janeiro e em Londres, a advogada Marina Paiva, 28 anos, decidiu passar de hóspede à anfitriã. Em março deste ano ela comprou um apartamento na praia Brava, Norte da Ilha, com o objetivo de ganhar dinheiro e, desde então, só alugou pelo site. “Tive o primeiro aluguel em julho, depois em setembro e não parou mais. De 13 de dezembro até meados de março do ano que vem já está quase tudo lotado, só tem uma semana livre”, diz.

Outra forma de hospedagem alternativa aos hotéis, que aos poucos ganha a confiança dos brasileiros, são os hostels – espécie de albergues com preços mais em conta, com quartos coletivos ou individuais e ocupados, na maior parte, por jovens. Para Eduardo Nóbrega Costa, 42, gerente do Floripa Hostel Barra da Lagoa, eleito este ano como o melhor do Brasil da rede Hostelling Internacional, a explosão deste tipo de hospedagem no país aconteceu no ano passado, com a Copa do Mundo. “O brasileiro ainda está aprendendo a se adaptar aos hostels, pois ainda tem muito receio em dividir os quartos”, conta.

Perfis diferentes em hostels

Na Ilha, de acordo com Tarcísio Schmitt, há cerca de 500 estabelecimentos de hospedagem, sendo 194 hotéis. O restante se divide entre pousadas e hostels. “Quem vem com família normalmente busca pousada, pois é mais barato. Quem é solteiro também fica em pousadas e hostels, pois as camas são individuais”, diz.

Dos três hostels certificados pela Hostelling Internacional em Florianópolis, dois ficam na praia (Barra da Lagoa e Canasvieiras) e um no Centro. De acordo com Eduardo Nóbrega Costa, gerente do Floripa Hostel Barra da Lagoa, a maioria dos hóspedes dos hostels do litoral tem as características clássicas de quem se hospeda neste tipo de hospedagem: fazem amigos, interagem, cozinham em conjunto, trocam informações e aproveitam juntos. “Quem está de férias procura os hostels do litoral. No Centro, por exemplo, é mais ocupado por gente que presta vestibular, concurso e está à procura de novos empregos”, afirma. Para esta temporada, no hostel da Barra, 60% das reservas estão feitas e a expectativa é chegar a 80%.

Até 90% de ocupação em Florianópolis

Crise é uma palavra que parece estar longe do vocabulário do setor hoteleiro para a temporada de verão. Com a expectativa do governo de Santa Catarina de receber oito milhões de turistas no Estado, a projeção é de que a rede hoteleira na Capital tenha de 80% a 90% de ocupação entre dezembro e fevereiro.

Para João Eduardo Amaral Moritz, presidente do Conselho Deliberativo da Abih-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), esta será a melhor temporada de verão dos últimos dez anos. “Além de termos o litoral com ocupação acima de 90%, também serão ocupados hotéis de águas termais e hotéis fazenda da Grande Florianópolis”, diz. Por isso, Moritz estima que os hotéis contratem de 15% a 20% a mais de pessoas para esta temporada com relação ao ano passado.

Com a alta do dólar, o turismo interno deve se intensificar em Santa Catarina, com turistas principalmente de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Da América do Sul, os argentinos devem ser os maiores visitantes, junto com uruguaios, paraguaios e chilenos. Segundo Tarcísio Schmitt, presidente do Sindicato de Hotéis, os países do Mercosul aproveitarão a alta do dólar para vir ao litoral catarinense, apesar de esta temporada ser mais curta. “As aulas começam na metade de fevereiro, logo após o Carnaval, então é possível que janeiro tenhamos uma ocupação de 90% e, em fevereiro de 70%”, prevê, ao ressaltar que a temporada será melhor do que ano passado.   

Preparação nas grandes redes

As grandes redes hoteleiras da Capital também se preparam para receber o grande fluxo de turistas. Por conta de outros eventos, desde setembro o Costão do Santinho contrata mais profissionais para trabalhar no resort. Os novos funcionários devem ficar para a temporada, em um acréscimo de cerca de 200 trabalhadores no quadro de 1.000 funcionários.

Segundo Amanda Paleari, gerente de vendas do Costão, a expectativa é de que a ocupação de dezembro a fevereiro fique entre 85% e 90%, com aumento principalmente do mercado estrangeiro. “As vendas internacionais estão bem aquecidas este ano, principalmente a partir da segunda quinzena de janeiro, com turistas vindos da Argentina, Uruguai, Chile e Peru”, diz.  

De acordo com o gerente do Beach Village Jurerê, Samir Machado Miguel, as reservas para o fim de ano e início de janeiro estão mais adiantadas do que em anos anteriores. “Devemos ter 100% de ocupação durante o Réveillon, 85% de ocupação em janeiro e 75% em fevereiro”, afirma.

Para Miguel, os argentinos devem comparecer em peso este ano no hotel de Jurerê. A média de argentinos sempre foi de 25% no hotel, mas, nos últimos anos, caiu para 18%. “Para este ano deve passar de 25% e chegar a até 40% somente em janeiro”, diz. O gerente também precisou reforçar a equipe, que passou de 62 para 83 funcionários.  

SERVIÇOS DE HOSPEDAGEM

Airbnb

Por meio do site www.airbnb.com.br, o usuário cria um perfil e escolhe a cidade/bairro que deseja ir, a faixa de preço, o número de hóspedes, os serviços incluídos (ar-condicionado, garagem, etc) e a especificação do tipo de hospedagem.

Há opções de aluguel de todos os tipos: casas e apartamentos inteiros, estúdios, quartos individuais, quartos compartilhados, coberturas, mansões, chalés, casas de campo.

A comunicação e a negociação são feitas diretamente entre viajante e anfitrião. Todas as dúvidas podem ser tiradas diretamente pelo site.

Após a escolha, o usuário deve fazer o pagamento, que só é repassado ao anfitrião 24 horas após a chegada do hóspede, para que o viajante não caia em uma armadilha. O site cobra taxa de 6% a 12% sobre o valor do aluguel.

Para se certificar de que o local escolhido é exatamente como o descrito, o ideal é procurar por anfitriões que sejam bem qualificados por outros usuários que já se hospedaram naquele local. Os anfitriões mais bem ranqueados e com melhor reputação aparecem nas primeiras páginas.

Hostel

Expressão criada em 1912 na Alemanha com o primeiro Albergue da Juventude, pelo professor Richard Schirmann, que dedicava parte de seu tempo a criar programas de convivência para seus alunos.

A ideia chegou ao Brasil na década de 1960 com os movimentos hippies e os movimentos estudantis em todo o mundo. Anos depois, no Brasil, o termo albergue foi substituído por hostel, popularizando-se nos últimos anos, principalmente com a Copa do Mundo de 2014.

Opção de mochileiros, jovens e estudantes, os hostels oferecem ambiente amigável, que possibilita a interação entre os hospedados e de encontro de diversas culturas.

Entre as principais características dos hostels estão: quartos e cozinhas coletivas (de quatro a até 20 pessoas podem ocupar o mesmo quarto) e preços mais acessíveis.

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