Com incidência alta de raios UV, saiba como se proteger do sol e aproveitar a praia com segurança

Exposições exageradas ao sol e descendência europeia são alguns dos motivos que levam ao grande aparecimento de câncer de pele no sul do país

O tempo ensolarado e de poucas nuvens dos últimos dias levou muita gente às praias. Mas na ânsia de se refrescar ou se divertir à beira-mar muitos esquecem de cuidados básicos ao ficar exposto ao sol: protetor solar, guarda-sol e chapéu ou boné. A proteção não é exagero. Essa semana, a incidência de radiação solar, segundo a Epagri/Ciram, foi superior a 11, em uma escala que vai até 16 pontos. Com esse alto índice, a exposição exagerada ao sol, sem proteção adequada, pode levar ao aparecimento do câncer de pele. Até o fim do ano, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima mais de 180 mil casos da doença no país. Em Santa Catarina, mais de seis mil casos devem ser detectados este ano.

Bruno Ropelato/ND

Na praia, Thayse toma todos os cuidados para a proteção dela e das crianças

“O câncer de pele é muito presente na região Sul devido à colonização europeia e à exposição intensa ao sol. A previsão de radiação solar para os próximos dias é extrema. É preciso se cuidar. Não estou dizendo para criar fobia do sol, mas evitar o exagero, como queimaduras e vermelhões”, adverte o dermatologista Roberto Amorim Filho. Apesar de não evitar os horários de maior incidência solar, a curitibana Sara Mendes utiliza com frequência o protetor solar, até mesmo quando não está na praia. “Utilizo fator 60 todos os dias. Ainda assim a gente queima, mas é preciso se cuidar, ainda mais aqui em Florianópolis, com o vento a gente não sente o sol queimar a pele”, conta.

A exposição errada ao sol que leva ao torrão e à insolação são motivos de intenso cuidado. A queimadura solar, de acordo com Amorim, pode ocasionar o melanoma, que representa 5% dos casos de câncer de pele. A incidência é menor, mas é um dos mais perigosos. “Temos o câncer que ocorre pela exposição cumulativa ao sol e o mais grave que é o melanoma, que ocorre pelas queimaduras solares, principalmente aquele individuo branco que leva um ‘torrão’”, diz o dermatologista.

De acordo com os dados mais recentes do Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), em 2013 o registro hospitalar contabilizou 152 pessoas atendidas com câncer de pele. Destes, 67 eram melanoma. Cinco pessoas morreram, com predominância maior na faixa etária de 50 a 59 anos.

Banhistas não obedecem aos horários de exposição ao sol

Muito protetor solar, guarda-sol e chapéu. Esses itens são imprescindíveis para a família de Ângela Stein, 35 anos. Com criança, a turista de São Paulo redobra os cuidados ao se expor ao sol. “Passamos bastante protetor, nos horários mais fortes de sol coloco a camiseta na pequena, e os acessórios como chapéu e óculos são indispensáveis”, conta.

O horário também é um empecilho para a curitibana Cristiane Passow. “Passo proteção. Mas de onde eu venho não tem sol assim, então a gente fica direto na praia”, admite.

Já a moradora de Florianópolis Thayse Teixeira, 23, toma todos os cuidados possíveis ao se expor ao sol. Horário adequado, protetor fator 60, reaplicação de duas em duas horas. “Sempre cuidei da proteção. Mas, um dia que não tinha sol não apliquei protetor no meu filho e ele ficou vermelho. Aprendi que proteção é sempre”, diz a mãe de Igor, 3 anos.

Poucas nuvens e sol constante são sinais de perigo

Apesar da incidência de radiação solar acima de 11 ser considerada altíssima, explica a meteorologista Gilsânia Cruz, é comum serem registrados no Estado índices dessa proporção no verão. “É só ter ausência de nuvem que terá esse extremo. Por isso, a gente fala que entre 10h e 16h o ideal é evitar por completo a exposição”, alerta.

Ao longo da temporada, sempre que houver poucas nuvens e sol constante, orienta Gilsânia, a probabilidade de que a exposição aos raios UV (ultravioleta) atinja 11 ou mais pontos é praticamente certa. O ideal, completa, é não se expor nessa janela de tempo de seis horas, período em que a inclinação do sol com relação à Terra é direta, e consequentemente mais intensa.

Raios UV e o tipo de exposição

2 ou menos: Baixo

3 a 5: Moderado

6 e 7: Alto

8 a 10: Altíssimo

11 ou mais: Extremo

 

Cuidados essenciais

Uso de protetor solar (usar o protetor não significa pegar sol o dia todo). Mínimo de proteção indicada FPS 30

Reaplicar o protetor de duas em duas horas

Evitar sol entre 11h e 13h (se ficar na praia neste horário se abrigar embaixo de guarda-sol, usar camiseta e acessórios como boné e óculos)

Depois da praia usar pouco sabonete e usar bastante hidratantes

Utilizar protetor solar sempre 30 minutos antes de se expor ao sol

Para gestantes e crianças os filtros físicos são os mais indicados (aqueles que apresentam na composição a proteção de barreira branca capaz de refletir a radiação UVA e UVB), conhecidos como bloqueadores solares

Cuidados redobrados
Pessoas de pele braça com muitas pintas 

Alguns perigos da exposição demasiada ao sol
Desenvolvimento de rugas, envelhecimento precoce da pele, lesões pré-malignas e malignas (cancerígenas: carcinoma, basocelular, carcinoma espinocelular e melanomas)

Sinal do câncer de pele
Pode se assemelhar a pintas ou lesões benignas. Por isso, o ideal, de acordo com o dermatologista Roberto Amorim Filho é estar sempre atento aos sinais que a pele apresenta. Qualquer alteração em uma pinta ou lesão já preexistente merece atenção. Ficar atento: cor, diferença das novas lesões, não cicatrização e sangramento.

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