Combinação para viver mais e melhor

Américo Tângari Jr.

Especialista em cardiologia

Divulgação

Imaginar o futuro sempre foi uma atitude envolvida por uma atmosfera mágica, repleta de ilusões e engenhocas mirabolantes. No famoso filme da década de 80 “De volta para o futuro” ficávamos maravilhados com a possibilidade de em 2015 podermos dirigir automóveis voadores e conversar com pessoas a quilômetros de distância por meio de uma tela.

O mundo mudou e muito nos últimos anos. Embora um pouco diferente do previsto por Hollywood, algumas das evoluções imaginadas hoje são reais no nosso cotidiano. A medicina, como já era previsível, também foi beneficiada por este desenvolvimento. Foi-se o tempo em que o estetoscópio e depois o eletrocardiograma eram os únicos exames capazes de detectar alguma anomalia no coração. Atualmente contamos com um verdadeiro arsenal de alta tecnologia para auxiliar na prevenção e também no monitoramento de doenças cardiovasculares.

O surgimento da ressonância magnética, do ecocardiograma tridimensional e da tomografia computadorizada significou ganhos imensuráveis para a saúde humana, uma vez que com sua utilização, dentre outros diagnósticos, pode-se detectar a presença de placas de gorduras acumuladas nas paredes das artérias antes que o quadro clínico se torne irreversível, culminando na obstrução dos vasos sanguíneos. Assim, doenças cardiovasculares podem ser previstas e evitadas por meio de medicamentos específicos.

Aplicada nas áreas de oncologia, neurologia e cardiologia, a Tomografia por Emissão de Pósitrons, conhecida por PET Scan, tem capacidade para identificar e avaliar o fluxo do sangue, o oxigênio e a glicose presentes no organismo, o que permite ao médico saber como está a saúde de órgãos e tecidos. A tecnologia detecta tumores e metástases, lesões no músculo cardíaco, alterações de memória, dentre outras doenças.

Com o advento da robótica os procedimentos cirúrgicos tornaram-se minimamente invasivos, possibilitando aos pacientes vantagens incomparáveis quanto às cirurgias convencionais. Cateteres são utilizados para troca da válvula cardíaca e há próteses tão sofisticadas a ponto de terem durabilidade prolongada.

Outro artefato com os dias contados são as agulhas. A medicina já estuda como realizar exames de sangue por meio de eletrodos digitais, os quais, quando em contato com a pele do paciente, serão capazes de coletar os dados necessários e enviá-los automaticamente para avaliação do médico. Em um futuro não muito distante, teremos diagnósticos imensamente mais precisos e, quem sabe, tratamentos eficazes para doenças hoje incuráveis como o câncer e a Aids.

Nós, os médicos, temos o dever de estar preparados para absorver este turbilhão de novas informações e novidades. Precisaremos agregar os estudos da medicina aos conhecimentos tecnológicos. Estar por fora do que se discute pela área médica mundial em termos de avanços da tecnologia é estar alheio ao nosso presente, e sobretudo ao futuro da humanidade.