Comércio irregular invade praias e SUSP promete intensificar fiscalização

Bagunça, terra sem lei, terra sem dono. Essas são algumas das palavras para descrever o atual cenário em algumas das praias mais frequentadas de Florianópolis diante da ação de ambulantes irregulares.  Sem identificação, eles se misturam a grandes grupos de turistas na faixa de areia e comercializam produtos como milho verde, água de coco e choripan (pão com linguiça).

O problema é uma realidade latente em três das praias mais visitadas do Norte da Ilha: Jurerê, Canasvieiras e Ingleses. Na faixa de areia, os ambulantes irregulares circulam tranquilamente com carrinhos ou caixas de isopor, que às vezes são posicionados estrategicamente, em locais com fácil rota de fuga. Não era para ser assim, já que a prefeitura de Florianópolis emite alvarás para regularizar o trabalho na alta temporada.  

Comércio irregular pode ser visto na faixa de areia de Canasvieiras - Foto: Divulgação/ND
Comércio irregular pode ser visto na faixa de areia de Canasvieiras – Foto: Divulgação/ND

Regularizado há nove anos, José da Silva (nome fictício) afirma inclusive ter medo de denunciar os ambulantes irregulares, pois a maioria são “pessoas de fora” da cidade, que atuam de forma organizada. “No ano passado já foi complicado, mas este ano está sem condições. O pior é que esse pessoal vem de fora e esse dinheiro não fica aqui”, relata o ambulante, que investiu R$ 10 mil para colocar dois carrinhos de água de coco em Jurerê.

De acordo com Silva, a presença de um número grande de ambulantes na faixa de areia também já provoca desconforto naqueles que buscam tranquilidade e diversão na beira da praia. “Até os turistas estão reclamando devido à quantidade de ambulantes, porque não conseguem ficar de olho nas crianças”, explica Silva.

O ambulante afirmou também que ainda não percebeu a presença de fiscais percorrendo a faixa de areia desde que a temporada começou oficialmente, em 15 de dezembro. “Além de estar uma bagunça, está perigoso, porque a gente não conhece quem são esses irregulares, de onde eles vieram, então fica difícil até chamar a polícia”, completa.

Na última semana, ambulantes regulares também reclamaram da concorrência desleal na faixa de areia de Canasvieiras. Um dos ambulantes irregulares se aproximou da equipe de reportagem e fez ameaças ao notar que o fotógrafo captava imagens do movimento na faixa de areia.  “Aquele fotógrafo está fazendo coisa errada. Avise para ele, caso contrário vai ficar ruim para ele”, ameaçou o ambulante irregular, que parecia embriagado e empurrava um carrinho de picolé descaracterizado para vender água, refrigerante e cerveja na praia.

SUSP garante fiscais nas praias

Para realizar o trabalho de fiscalização, a prefeitura de Florianópolis contratou 63 auxiliares de fiscalização de uma empresa terceirizada, que irá se juntar ao trabalho realizado pelo quadro efetivo de 20 fiscais da SUSP (Superintendência de Serviços Públicos). De acordo com o superintendente João da Luz, a partir desta sexta-feira (28), todo o efetivo estará concentrado nas praias.  

Os auxiliares de fiscalizaram receberam capacitação durante a semana e estão prontos para atuar ao lado dos fiscais da SUSP, agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Ainda sem contar com os auxiliares, fiscais da SUSP atuaram no final de semana nas praias de Ingleses, Santinho e Canasvieiras, todas no Norte da Ilha.

“Estamos saindo da área central, onde também coibimos o comércio irregular, e a noite já estaremos em Canasvieiras, onde marcaremos presença todas as noites também. A fiscalização já existe desde o dia 2 de dezembro, mas agora iremos concentrar o efetivo nas praias”, relata João da Luz.  

De acordo com o superintendente, a ação no final de semana resultou em algumas apreensões. Os ambulantes irregulares tiveram a mercadoria apreendida e foram multados em valores que variam de um salário mínimo até R$ 10 mil. “O maiores problema estão em Canasvieiras e Jurerê Internacional. São muitos ambulantes, mas esperamos minimizar esses problemas a partir de agora”, explica.

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