Comissão unificada vai exigir eleição direta para reitor

Ato antecederá reunião do Conselho Universitário da UFSC, nesta quarta (1/11). Comunidade acadêmica também marcou protesto contra terrorismo de Estado

Ainda abalada pelos acontecimentos que atingiram a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) desde 14 de setembro – quando a Polícia Federal prendeu o reitor Luiz Cancellier e mais seis pessoas ligadas à instituição –, a comunidade acadêmica começa a reagir. Nesta quarta-feira, 1/11, 30 dias após a trágica morte do seu principal dirigente, grupos de técnicos administrativos, professores e estudantes reúnem-se no hall da Reitoria, a partir das 13h, para exigir participação direta na escolha da lista tríplice, com nomes indicados para o cargo de reitor, exigida pelo Ministério da Educação até 2 de dezembro.

Trata-se de uma vigília democrática, convocada pela Comissão de Mobilização Unificada, composta pelo Sintusfsc (Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado de Santa Catarina), Andes-SC (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior) e DCE (Diretório Central dos Estudantes). A concentração começará uma hora antes da reunião do CUn (Conselho Universitário), presidida pelo reitor em exercício, professor Ubaldo César Balthazar.

Na prática, docentes, estudantes e servidores querem ser ouvidos e, principalmente, defendem a realização de uma escolha direta, como a ocorrida em 2015, que elegeu Luiz Cancellier para a Reitoria e Alacoque Lorenzini Erdmann para a vice-reitoria.

Além da mobilização pela eleição direta, o grupo vai pedir permissão ao Conselho Universitário para ler o manifesto “Floripa Contra o Estado de Exceção”, que repudia ações policiais e judiciais abusivas, como a Operação Ouvidos Moucos, que implantou um clima de terrorismo no campus da Trindade – fato inédito, inclusive durante os chamados “Anos de Chumbo” (ditadura civil-militar de 1964). Uma das questões mais graves em discussão é justamente sobre a autonomia universitária, garantida pela Constituição e violada por ingerências externas, desde que o servidor da AGU (Advocacia Geral da União), Rodolfo Hickel do Prado, assumiu a Corregedoria da UFSC, no início de 2016.

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