Computador e videogame ganham museu especial na Grande Florianópolis

Marcos Horostecki/ND

Eduardo Vicente e o primeiro disco rígido já construído

A tecnologia que nos cerca nos dias de hoje, os avançados smartphones e os jogos ultramodernos, com realidade virtual, tiveram um ponto de partida. E quem tem 35 anos ou mais, lembra bem como foi difícil a transição da máquina de escrever para os primeiros computadores. Em São João Batista, na Grande Florianópolis, um empresário apaixonado por tecnologia decidiu abrir e transformar em museu uma das mais completas coleções de equipamentos, jogos e peças de informática do País. Uma das únicas em que computadores e jogos eletrônicos do final dos anos 1970 e 1980 estão em pleno funcionamento e encantam visitantes de todas idades.

O Educomp Museu da Informática e do Videogame oferece informações históricas sobre cada uma das peças do acervo. Em uma visita guiada, que pode ser marcada para até 15 pessoas, é possível conhecer o Osborne, o primeiro microcomputador portátil comercialmente bem-sucedido, lançado em abril de 1981 pela Osborne Computer Corporation. “Ele pesa doze quilos e foi feito para caber embaixo da poltrona do avião, pois quem possuía uma máquina dessas nos anos 1980 viajava muito”, explica o empresário Eduardo Augusto Demonti Vicente, 37 anos, proprietário do museu.

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Museu conta com exemplares dos primeiros videogames

Entre os exemplares raros do acervo, além do Osborne, faz parte da coleção outra tentativa de criar o notebook como o conhecemos nos dias de hoje. Uma máquina da fabricante Compac, o Portable 3, que foi lançado sete anos depois, e ainda pesava mais de 10 quilos. Ele foi adquirido ainda na caixa e nunca havia sido usado pelo primeiro comprador. Ainda é do tempo do MsDos, que serviu de base para o programa Windows, um dos mais conhecidos do mercado. Várias versões do programa estão disponíveis no museu e em operação em computadores da época.

Das impressoras ao primeiro disco rígido

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O Osborne, a primeira máquina portátil, pesa 12 quilos

A viagem pela história da informática começa no Museu pela evolução das impressoras, saindo das matriciais para a impressão de formulários contínuos e chegando até às modernas multifuncionais à laser dos dias de hoje. “Muita coisa eu guardei ao longo da minha trajetória profissional. Tenho até hoje o meu primeiro teclado de computador e o meu primeiro videogame”, acrescenta Vicente,

O visitante pode perceber como as placas integradas de computador evoluíram, com uma infinidade de melhorias que levam o computador pessoal aos dias de hoje. Chama atenção dos visitantes, os mais variados modelos de gabinetes de computador, criados para acompanhar a evolução das placas e processadores.

A sessão de meios de armazenamento é uma das que mais chama a atenção no museu. Vicente conseguiu uma das peças do primeiro disco rígido de computador, construído pela fabricante IBM em 1956. “O sistema era composto por 50 discos magnéticos e podia armazenar 5 megabytes”, lembra.

Meios de armazenamento mais primitivos também podem ser conhecidos. É o caso do cartão perfurado, criado por volta de 1725 e aplicado à informática pela IBM em 1950 e da fita perfurada, usada até bem pouco tempo nos equipamentos de telex.

Crianças de meia idade

No setor dedicado ao videogame, o visitante com idade a partir dos 30 anos vira criança novamente. Vicente montou um catálogo e armazenou em um servidor jogos dos anos 1970, 1980 e 1990, disponíveis para os mais diversos tipos de consoles. Eles podem ser projetados num telão e degustados pelos visitantes a partir de uma mesa que lembra um fliperama.

No museu está disponível um dos primeiros videogames vendidos comercialmente no Brasil, o Telejogo 1, produzido numa parceria entre a Philco e a Ford e lançado em 1977. O equipamento  funciona perfeitamente, num televisor da mesma época. “Para manter um museu como esse é fundamental termos peças de reposição e parceria com um bom técnico em eletrônica, para a substituição de alguns componentes”, explica o empresário. Ao lado do Telejogo, está o Telejogo 2, que já possuía mais de uma opção para o usuário. No museu ainda estão exemplares bem conservados do Odyssey, do Atari e do Dactar, consoles famosos nos anos 1980.

Para conhecer o museu é simples. Basta montar um grupo e entrar em contato com a Educomp (48 3265 3953)  para uma visita guiada. Eduardo Vicente afirma que, com a abertura do acervo, concluiu o trabalho de sua vida. “Se minha vida terminasse hoje estaria plenamente realizado”, garante. O Museu, segundo seu criador, ainda é carente de peças que lembrem os primeiros computadores, como o Eniac e o Enivac. É o próximo desafio de Vicente.

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