Comunidades do interior se ligam na internet no Vale do Rio Tijucas

Depois da enxurrada de antenas parabólicas, a população do campo se liga na internet em velocidade rápida

Marcos Horostecki/ND

Técnico instala aparelho na comunidade de Sertão, em Porto Belo

Até o final dos anos de 1990, ter uma antena parabólica era o grande sonho de consumo dos moradores das comunidades do interior. Com o avanço da tecnologia, não demorou muito para que os receptores de satélite baixassem de preço e se tornassem eletrodomésticos tão comuns quanto a geladeira e o fogão. Mais recentemente, quem vem ganhando espaço no campo é o computador e, com uma nova revolução tecnológica, a internet. 

No litoral Norte do Estado e no Vale do rio Tijucas, de cada dez residências em comunidades do interior, pelo menos seis já contam com o serviço. Em municípios como Tijucas, por exemplo, o índice já chega perto de oito receptores para cada dez moradias, segundo os provedores da região.

As antenas que recebem a internet via radiofrequência estão em toda a parte, disputando espaço com as parabólicas e vencendo distâncias, matas e montanhas.O crescimento até chamou a atenção da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que pretende agora licitar uma banda de radiofrequência para a distribuição dos serviços nas comunidades do interior.

Será a chamada banda rural, aguardada com ansiedade pelos provedores regionais, que não estão muito preocupados com a possível presença das gigantes das telecomunicações. “Eu costumo dizer que essas empresas são como uma grande bola, que não consegue rolar para todo o canto. Nós, provedores regionais, fazemos o papel que as teles não conseguem ou não tem interesse de fazer”, explica Marcello Letti, diretor técnico da Unetvale, um dos maiores provedores do Estado.

Revezamento no computador

Marcos Horostecki/ND

Fabíola usa a internet para estudar e para falar com amigos

A estudante Fabíola Vanin dos Santos, 18 anos, da comunidade de Sertão, no interior de Porto Belo, cidade do Litoral Norte do Estado, diz que o computador e a internet mudaram a rotina da casa. Ela, os dois irmãos e até o pai fazem revezamento para se debruçar pela janela virtual que se abriu no canto da sala, há cerca de seis meses. “Nós fazemos de tudo. Estudamos, olhamos as redes sociais, nos informamos. Meu pai ainda está apreendendo, mas gosta muito de ler sobre o futebol aqui da região”, revela.

Na casa da família, o computador passa o dia todo ligado e mesmo distante mais de dez quilômetros de Tijucas – a cidade mais próxima –  o sinal da rede chega forte e permite uma navegação tranquila por todo o tipo de conteúdo.

Para ter acesso à internet, no entanto, a família improvisou um poste, no limite da estrada de terra que corta a comunidade, para desviar das árvores que estavam bloqueando as ondas de rádio.

Na área central da comunidade de Sertão, onde não há obstáculos para o transmissor implantado pelo provedor, as antenas estão sobre quase todas as casas, na escola e no centro comunitário. “A gente consegue aproveitar muito. Podemos estudar, não precisamos mais ir para a cidade. E aqui, como não chega telefone e o celular é caro, eu uso das redes sociais para falar com minha família”, relata a universitária Priscila dos Santos Alves, 24 anos.

Avanços baratearam equipamentos

Nos últimos anos, o avanço das tecnologias e o crescimento dos provedores tem facilitado a vida dos moradores do campo. Atualmente, não é preciso mais comprar o receptor, que chegou a custar, no passado, mais de R$ 1500,00. Hoje, com uma taxa de ativação, o rádio é instalado na propriedade e o acesso à rede é imediato. “O cliente do campo é um dos mais fiéis que temos.

Ele é diferenciado, quer qualidade, mas não quer mega velocidades. Quer estar conectado ao mundo”, complementa Letti. Segundo o diretor, além das propriedades e residências rurais, as empresas instaladas em regiões afastadas também tem se aproveitado dessa revolução. É o caso de uma PCH (Central Hidrelétrica de Pequeno Porte) distante quase trinta quilômetros da cidade de Nova Trento.

A empresa não tinha acesso a telefone fixo, celular ou internet. Procurou pelas grandes empresas de telecomunicações durante um longo tempo, até perceber que se a internet estava chegando nas comunidades via sinal de rádio, também poderia chegar na hidrelétrica. Atualmente, a tecnologia Voip (voz sobre dados) permite que a empresa opere como se estivesse num grande centro, com computadores ligados à rede, transmissão de dados e ligações telefônicas.

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