Comunistas incluem ideias de Xi em sua Constituição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Partido Comunista da China incluiu o pensamento político do presidente Xi Jinping em sua Constituição nesta terça-feira (24), colocando-o ao lado do fundador da China moderna, Mao Tsé-tung, e de Deng Xiaoping, cujas reformas iniciadas no fim dos anos 1970 transformaram o país em uma potência.

O partido aprovou por unanimidade uma emenda para incluir o “Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era” como um de seus princípios.

A medida consolida o poder do atual líder antes do início de um segundo mandato de cinco anos à frente da ditadura de partido único.

As novas emendas à Constituição determinam que a luta contra a corrupção que caracteriza o governo Xi, e que já puniu mais de 1,3 milhão de funcionários, continuará. Uma surpresa foi a inclusão da iniciativa Cinturão e Estrada, de autoria de Xi. Também chamada de Nova Rota da Seda, trata-se de um ambicioso plano de construção de infraestrutura para ligar a China a mais de 60 países.

Também entrou para a Carta um compromisso com reformas industriais voltadas à cadeia de suprimentos e a menção ao “papel decisivo” das forças de mercado na alocação de recursos, promessa feita por Xi no início de seu primeiro mandato.

“O partido exerce a liderança geral em todas as áreas de empreendimento em cada parte do país”, afirma a legenda em um comunicado, refletindo os esforços de Xi para fortalecer os comunistas.

A Constituição da sigla, que é diferente da Constituição chinesa, estabelece as regras da agremiação e apresenta o pensamento dos principais líderes de sua história. As novidades no documento também servirão como guia para a doutrinação partidária nas escolas, na mídia e no governo.

SUCESSÃO

O partido anunciará nesta quarta (25) os novos integrantes do Comitê Permanente, seu órgão mais importante. Ele atualmente tem sete membros e é presidido por Xi, que permanecerá no posto.

Muitos analistas preveem que Xi siga no comando do país após o fim de seu segundo mandato, em 2022, com o que quebraria uma tradição de 25 anos.

Desde a aposentadoria de Deng, em 1993, o responsável por comandar o país é escolhido pela cúpula do partido e permanece no cargo por cerca de dez anos, passando o poder para um sucessor. Foi assim com Jiang Zemin (1992-2003) e Hu Jintao (2003-13).

Mesmo que não consiga permanecer no poder após 2022, o atual dirigente pode manter seu prestígio caso consiga emplacar um aliado como sucessor, algo que os dois antecessores não puderam fazer. Neste caso, o mais cotado é Chen Min’er, secretário-geral do partido em Chongqing.

Nesta terça, Chen foi um dos 204 nomes escolhidos para o novo Comitê Central do partido, um pré-requisito para entrar no Comitê Permanente. Um nome que parece descartado da disputa é o de Wang Qishan, aliado de Xi que comandou as iniciativas de combate à corrupção e que ficou de fora do Comitê Central por ter ultrapassado a idade de aposentadoria costumeira de 69 anos.

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