Confira os impactos da greve geral nesta sexta-feira em Santa Catarina

Atualizado

A greve geral convocada por centrais sindicais e movimentos sociais em todo o país na sexta-feira contra a reforma da Previdência também teve reflexos em Santa Catarina. Trabalhadores do transporte público, da educação, da saúde e dos bancos aderiram à paralisação. Serviços de coleta de lixo, correios e até do comércio também pararam em alguns municípios.

Manifestantes em frente à Catedral – Flávio Tin /ND

Além da paralisação de serviços, manifestantes tomaram as ruas não só para questionar a proposta de reforma, mas para protestar contra outras medidas tomadas pelo governo federal como os cortes de verba nas instituições públicas de ensino e a suposta intenção de privatizar os Correios ventilada por Jair Bolsonaro desde a campanha.

Logo no início da manhã, por volta das 5h, estudantes se concentraram em frente às entradas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), na Carvoeira e no Pantanal, e montaram barricadas usando lixeiras e pedaços de madeira. O carro de um professor da universidade, que estava estacionado em uma das entradas acabou sendo arranhado.

A Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) também foi bloqueada por manifestantes que impediram a entrada de funcionários, alunos e professores.

A prefeitura de Florianópolis informou que 15 escolas municipais estavam sem atendimentos na sexta-feira. Não houve relatos de escolas fechadas em outras regiões do Estado. O IEE (Instituto Estadual de Educação) e o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) também não abriram as portas. A secretaria de Saúde da Capital informou que das 49 unidades de saúde, 13 não estavam funcionando e outras de forma parcial.

Na Capital, as manifestações seguiram até a noite. A concentração principal ocorreu durante a tarde no Parque Metropolitano Francisco Dias Velho – nas imediações do Terminal Antigo. Na sequência, eles seguiram em ato pela Beira-Mar Norte e percorreram ruas do Centro até o Largo da Catedral.

A Polícia Militar disponibilizou várias guarnições para a manifestação, incluindo batalhões da cavalaria, do choque e canil. Até às 20h de sexta-feira, não foi registrado nenhum tumulto. A estimativa da polícia é de que o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas. Já as lideranças sindicais falaram em 30 mil.

Transporte Coletivo

Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro é um dos alvos dos manifestantes – Flávio Tin / ND

Em Florianópolis, os trabalhadores da categoria também aderiram à paralisação. O Ticen (Terminal de Integração do Centro) amanheceu sem o movimento dos dias normais. Na SC-401, no Norte da Ilha, houve lentidão no sentido bairro-Centro. No início da manhã, manifestantes colocaram barricadas e bloquearam temporariamente o tráfego de veículos na avenida da Saudade, o que provocou congestionamento no início da rodovia.

Blumenau também amanheceu sem transporte coletivo. Motoristas e cobradores iniciaram a paralisação às 3h30 e retornaram ao trabalho às 7h. Em Itajaí, Chapecó e Criciúma, o transporte coletivo não foi alterado.

Por volta das 9h30, a BR-116 foi fechada por manifestantes, em ambos os sentidos, próximo ao trevo Patussi, em São Cristóvão do Sul, na região Serrana de Santa Catarina. A rodovia foi liberada às 10h45.

Em Itajaí, bancários e comerciantes não aderiram à paralisação. Os serviços de Criciúma também não foram afetados. Em Joinville, o transporte público e coleta de lixo funcionaram normalmente.

Representantes sindicais de Chapecó discursaram em cima de um caminhão de som, em frente à Catedral. Houve também um abaixo-assinado contra a reforma da Previdência. Cerca de 1.500 participaram das manifestações.

Segundo os organizadores, cerca de 1500 pessoas participam da manifestação em Chapecó. – Felipe Kreusch/RICTV

Sem adesão dos transportes, greve tem efeito limitado

A greve geral contra a reforma da Previdência, convocada pelas centrais sindicais, teve atos registrados em praticamente todos os Estados. Mas, sem a adesão maciça dos trabalhadores dos setores de transporte, os efeitos acabaram sendo localizados. Em São Paulo, por exemplo, os ônibus e os trens metropolitanos funcionaram normalmente durante todo o dia. Apenas o metrô teve parte das operações paralisadas.

Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, a greve é um movimento relevante como termômetro do poder de mobilização da oposição, mas não deve ter nenhum efeito prático em relação à votação da reforma da Previdência. “A greve é relevante, mas não trouxe algo de diferente do que já estava contabilizado tanto para a imagem do governo quanto no cálculo de custo/benefício que os legisladores fazem (ao votar contra ou a favor de algum projeto)”, disse. Por isso, afirma, não deve significar algum impeditivo para o prosseguimento da agenda econômica do governo, sobretudo para a Previdência.

Para o cientista político e professor da USP Alcindo Gonçalves, a greve geral foi “bastante parcial, localizada e, de certo ponto, inoportuna”, por ocorrer no dia seguinte à apresentação do parecer do relator da reforma da Previdência na Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), que contempla “uma série de desejos da oposição e das centrais sindicais”.

Em São Paulo, foram realizados protestos em pontos localizados da Região Metropolitana desde o início da manhã. O movimento Frente Povo sem Medo fez interrupções, por períodos curtos de tempo, em diversas rodovias e ruas. Houve paralisação nos bancos e, segundo o Sindicato dos Professores da Rede Particular de São Paulo (Sinpro-SP), 53 escolas da capital paulista foram afetadas, de forma parcial ou total. Em todo o Estado, 14 pessoas foram detidas pela Polícia Militar. Os protestos terminaram com uma manifestação em frente ao Masp, na Avenida Paulista, onde, além da reforma da Previdência, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi alvo dos ataques.

Em Brasília, ônibus pararam de circular. O Transporte Urbano do Distrito Federal, autarquia responsável por controlar e avaliar o transporte público, estimou que toda a categoria estivesse paralisada. O Metrô-DF funcionou de forma reduzida, mas lá os funcionários estão de greve há 46 dias. As aulas nas escolas públicas também foram impactadas pela paralisação. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal, cerca de 70% dos professores aderiram ao movimento.

No Rio de Janeiro, duas rodovias foram ocupadas por manifestantes na capital fluminense. O principal protesto foi realizado pela manhã, na BR-101, na altura do município de Campos. A rodovia ficou totalmente fechada por quase três horas. A BR-040, que liga a capital à região serrana ficou parcialmente fechada, em Duque de Caxias.

Na capital, manifestantes fecharam parcialmente a Avenida Brasil, na altura do Caju, próximo ao centro. A polícia usou bombas de efeito moral para dispersar a multidão. O trânsito foi liberado pouco antes das 8h, causando engarrafamento com reflexos na zona norte e em Niterói. O trajeto pela ponte Rio-Niterói, que normalmente é feito em 20 minutos, chegou a mais de uma hora, no sentido Rio de Janeiro. Foram registrados protestos também em Niterói.

Metrô, trens da Supervia e ônibus funcionam normalmente até o momento.

Pouco depois das 18h, uma passeata marcou o dia de greve geral. Os manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas e foram em passeata à Central do Brasil.

Portando faixas e cartazes com críticas à reforma da Previdência e contra o contingenciamento de recursos para a educação, estudantes, sindicalistas e trabalhadores gritavam palavras de ordem contra as mudanças propostas. O policiamento na região foi reforçado.

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