Conheça o Morro da Pedra Branca, marco geográfico da Grande Florianópolis

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Morro da Pedra Branca visto a partir do início da trilha – Foto: Anderson Coelho/ND

Por onde quer que você ande em São José ou Palhoça em algum momento do dia seus olhos cruzarão com uma rocha meio caiada, meio acinzentada como se fosse a cabeça de um ancião com seus fios grisalhos de décadas de vida.

No caso dela, a idade é milhares de vezes maior, perto de 120 milhões de ano. Com cerca de 500 metros de altitude, o Morro da Pedra Branca é ponto de referência e de limites entre os dois municípios da Grande Florianópolis.

Localizada nos bairros Sertão do Maruim e Colônia Santana, em São José, tem acesso também pelos bairros Caminho Novo e São Sebastião, em Palhoça. Para uns, a pedra é palhocense, para outros é josefense.

Para quem não limita a natureza, a Pedra Branca é de quem quiser fazer sua trilha com respeito ao que ela oferece, uma vegetação variada da Mata Atlântica e alguns cursos de água, esses cada vez mais escassos.

Quem afirma que a oferta de água não é mais como antigamente é o guia Edu Santos, que conhece a pedra há uns 30 anos. “Antes tinha mais bicas d’água onde a gente se refrescava e enchia as garrafas. Hoje já não existem mais. Sobraram umas duas”, lamenta o trilheiro.

A vida está por toda parte – Foto: Anderson Coelho/ND

Edu conta que costumava ir de bicicleta com uma turma de oito meninos até a Pedra Branca. Com a disposição que a juventude oferece, as crianças-quase-adolescentes subiam o morro pedalando. “Naquele tempo não tinha bicicleta com marcha, era na força das pernas mesmo”, relembra.

Nessa época das pedaladas, Edu morava na Coloninha e do bairro para o morro o percurso de quase 20 quilômetros era um tiro. A brincadeira de subir a Pedra Branca deixou uma marca no então adolescente, o gosto pelo contato com a natureza.

Há poucos anos, ele reúne pessoas de idades diferente para fazer trilhas pela Grande Florianópolis.

“Meu objetivo é que pais participem com filhos, que crianças e adolescentes deixem a tecnologia um pouco de lado para viver uma aventura na natureza, sabe? Andar entre as árvores, escalar pedras, viver!”, ressalta Edu Santos.

A trilha seguida pelo ND+ foi a do bambuzal – Foto: Anderson Coelho/ND

O começo da trilha

A equipe do ND+ fez a trilha do Morro da Pedra Branca numa manhã de pouco sol, o que é muito bom, pois reduz a sensação de cansaço pelo abafamento dentro da Mata Atlântica. Quem acompanhou a reportagem foi o guia turístico regional Edu Santos, que prefere fazer trilhas durante a noite quando o clima é ameno.

O ponto de início da trilha foi o Sertão do Maruim, próximo ao viaduto do futuro Contorno Viário, em São José. Há pelo menos três trilhas que levam ao pico da Pedra Branca, a tradicional, a da bica e a do bambuzal.

A escolhida pelo guia foi a trilha do bambuzal porque na noite anterior havia chovido e por esse caminho o chão é coberto por folhas que dão mais firmeza às passadas diminuindo o risco de escorregões.

A trilha começa bem, mas logo é possível perceber que não será tão tranquila. É preciso estar atento para não pisar em falso e se desequilibrar. O ideal é usar um calçado confortável e antiderrapante.

No entanto, isso não se aplica ao guia Edu, que prefere estar descalço. No começo da trilha, ele retirou os tênis e os deixou numa sapateira natural, um arbusto do caminho.

O guia Edu Santos prefere andar de pés descalços – Foto: Anderson Coelho/ND

Fácil, mas nem tanto

Após 30 minutos de caminhada, a certeza era de que a trilha pode ser considerada fácil, mas nem tanto. Isso porque há trechos que é preciso usar muita força e firmeza para subir. “Acredito que todo mundo pode fazer, tem que tentar, ir até o seu o limite”, argumentou o guia.

Passada uma hora de subida, um trecho destoa de toda a paisagem. No meio da trilha há alguns metros pavimentados. O guia Edu disse que não sabe quem fez e porque construiu aquele pedaço de estrada no meio do nada. “A espessura do asfalto é boa, parece obra do Exército, mas não sei se é”, comentou.

No meio da trilha surge um trecho pavimentado. – Foto: Anderson Coelho/ND

Uma hora e meia de subida

Mais alguns minutos de subida, com trechos mais íngremes do que outros, surge a pedra acinzentada. Já é possível ver prédios e ruas, ouvir o trânsito passando lá embaixo. Os últimos lances que levam ao píncaro antecipam o que está por vir.

A chegada ao pico acontece exatamente 1h30 após iniciado o percurso, que teve três ou quatro paradas para a equipe recuperar o fôlego e fazer algumas fotos.

A vista é espetacular até onde os olhos alcançam. De um lado está São José e é possível ver a Colônia Santana e o icônico hospital, do outro está Palhoça e lá de cima se reconhece o bairro que tem o nome do morro.  Mais adiante, a capital catarinense. Na direção oposta estão São Pedro de Alcântara e Antônio Carlos.

No meio de duas cidades, a poucos quilômetros da metrópole, a 490 metros de altitude se deslumbra o mar, o verde, o agito e parte da beleza da Grande Florianópolis.

As cidades e parte de um trecho da obra do Contorno Viário – Foto: Anderson Coelho/ND

A Pedra Branca

Oficialmente, o Morro da Pedra Branca pertence ao município de São José e é um atrativo para quem gosta de contato com o verde e de se aventurar por trilhas.

Localização

Ao lado do rio Maruim, entre Palhoça e São José.

Altitude

490 metros

Pedra:  120 m²

Acessos

Colônia Santana, Sertão do Maruim, em São José; e Caminho Novo e São Sebastião, em Palhoça

Dificuldade

Média, com cerca de cinco quilômetros de caminhada a partir do km 226 do Contorno Viário, em construção no Sertão do Maruim.

No topo do Morro da Pedra Branca – Foto: Anderson Coelho/ND

Flores nos aclives da trilha – Foto: Anderson Coelho/ND

A maior parte da trilha é de aclives – Foto: Anderson Coelho/ND

A Pedra Branca, marco geográfico da Grande Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

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