Conselho de Medicina emite nota a favor de estudantes impedidos de assistir aula na UFSC

Os estudantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), decidiram na tarde dessa terça-feira (10), aderir à greve geral por tempo indeterminado, contra o congelamento de verbas do governo federal.

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Após relatos de alunos que estariam sendo impedidos de frequentar as aulas, nesta sexta-feira (13) o CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) emitiu uma nota em defesa desses estudantes do curso de Medicina.

A nota afirma que há direitos que são sagrados e a liberdade de expressão, o direito de ir e vir e o livre arbítrio são alguns deles. Além disso, diz não compactuar com qualquer manifestação de intolerância.

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O caráter da greve, decidida na terça-feira, está centrado na recomposição do orçamento da UFSC, contra os contingenciamentos do Ministério da Educação para 2020, rejeição ao programa Future-se, readmissão dos trabalhadores terceirizados, revogação da emenda de gastos, solidariedade à UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul), entre outros.

Segundo o chefe de gabinete da reitoria da UFSC, professor Áureo Mafra de Moraes, a decisão sobre a greve é dos estudantes. As demais categorias, docentes e técnicos, continuam com atividades normais, segundo ele.

Diretório diz que orientação é diálogo

De acordo com Marco Antônio Pinheiro, membro da coordenação geral do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFSC, não existe qualquer orientação por parte dos estudantes ou do DCE de impedir que alunos frequentem as aulas.

“A greve se constrói conversando e convencendo as pessoas a mostrarem sua insatisfação. Temos adotado uma postura de conversar com os alunos e expor a situação. A greve está movimentada e não existe orientação de impedir ninguém de assistir aula. É preciso fazer o diálogo para mostrar o momento que estamos vivendo e mostrar isso, com diálogo, para todas as categorias”, afirmou Pinheiro.

O representante do DCE ainda disse que, no momento, as negociações continuam, mas a pauta central, que é a recomposição do orçamento da UFSC, ainda não foi atendida. Segundo ele, a última notícia – de que o governo liberaria uma verba de R$ 7 milhões – não é suficiente e só garantiria o funcionamento da universidade até 15 de outubro.

Ainda de acordo com Pinheiro, os técnicos da UFSC tiveram uma assembleia nesta quinta-feira (12), em que entraram em estado de greve em apoio aos estudantes.

Uma reunião nacional com os servidores acontecerá neste sábado (14) e domingo (15), em Brasília. Na segunda-feira (16), haverá uma nova assembleia dos técnicos e docentes da UFSC.

Confira na íntegra a nota oficial do CRM de Santa Catarina

NOTA OFICIAL

Há direitos que são sagrados e a liberdade de expressão, o direito de ir e vir e o livre arbítrio são alguns deles. Por isso, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, por meio de sua Diretoria, manifesta irrestrito apoio aos estudantes de Medicina da UFSC que optaram por assistir às aulas, ainda que parte do corpo estudantil tenha decidido por uma paralisação desde o dia 10 de setembro. O respeito ao direito do outro é condição básica para a convivência pacífica em sociedade e o CRM-SC não compactua com qualquer manifestação de intolerância.

Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina

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