Contaminação da areia é um dos causadores das viroses no verão em Florianópolis

Calor intenso, praia lotada, mãos sujas, alimentos inadequados, areia contaminada e água poluída. Todos os anos, durante o verão, essa combinação de fatores faz com que pais levem seus filhos a hospitais e postos de saúde em busca de tratamento para as chamadas viroses. Febre, vômitos, diarreia, sonolência e mal estar são alguns dos sintomas da doença causada por vírus e que tem uma curta duração.

Foi por suspeitar de uma virose que o casal de moradores da Vargem Grande, Claudiomiro Deckert e Jennifer Souza, levou a filha Sofia, de três anos, para uma consulta médica na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Norte, em Canasvieiras. Depois de dois dias em casa sofrendo com sintomas como vômitos e diarreia, Sophia acordou “caidinha” na última sexta-feira (11) e os pais resolveram buscar tratamento.

Claudiomiro com a filha pequena Sophia, abatida, antes do atendimento. - Foto: Flávio Tin/ND
Claudiomiro com a filha Sophia, abatida, antes do atendimento. – Foto: Flávio Tin/ND

Eles frequentaram a praia de Canasvieiras no início da semana e suspeitam que o contato com a areia e com a água possa ter causado o problema. “Todos os anos isso acontece. No ano passado, nós três fomos pegos pela virose”, destaca Claudiomiro, enquanto dava colo para a abatida Sophia. Jennifer relata que chegou a ministrar remédio para enjoo, mas como o mal estar persistiu, resolveu buscar ajuda médica. “A filha da minha vizinha também estava com esse problema”, conta Jennifer.

Uma virose também assustou Mariana Goulart, mãe de Laura, de seis anos. Depois de frequentar a praia de Itapema no início do ano, a menina adoeceu após reclamar de coceira, seguida de um desconforto abdominal e dores nas costas. “Na segunda-feira, antes de irmos ao hospital, ela dormiu no banho quase desmaiada, pois não tinha força para ficar acordada”, relata Mariana, que ficou assustada depois que a filha dormiu por 15 horas seguidas.

Foram sete dias de muita atenção com a pequena, que precisou tomar remédio para enjoo, além de água, soro, dieta leve, repouso e muita paciência. No Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, Mariana ouviu dos médicos o relato de que de cada 10 casos, seis são viroses de praia. “É desgastante e revoltante, afinal tudo isso é o resultado do esgoto jogado diretamente no mar e o aumento da população no verão catarinense. Fica o alerta de uma mãe, inclusive para os adultos, pois nós também sentimos os sintomas”, relata Mariana.

Lavar as mãos é essencial para evitar problemas

A médica e gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, Ana Cristina Vidor, afirma que os cuidados nessa época do ano precisam ser redobrados, principalmente com crianças na beira da praia. Além da contaminação da água do mar por poluídos com esgoto irregular, Vidor destaca a contaminação da areia como principal causa para o surgimento das viroses no verão.

Para evitar os problemas associados à qualidade da água como as doenças gastrointestinais e a conjuntivite, Vidor ressalta a necessidade de lavar as mãos com sabão e até utilizar álcool para desinfetar as mãos antes de manipular alimentos na beira da praia. 

Areia contaminada pode ser a origem de problemas de pele - Foto: Flávio Tin/ND
Areia contaminada pode ser a origem de problemas de pele – Foto: Flávio Tin/ND

Já os problemas de pele, como a popular micose, estão relacionadas à contaminação da areia, principalmente pelas fezes de animais de estimação. “Já existem estudos da UFSC que apontam a contaminação da areia por fungos e bactérias que causam as dermatoses e outros problemas como o bicho geográfico”, ressalta.

DICAS PREVENTIVAS

– Consulte o site do IMA (https://balneabilidade.ima.sc.gov.br) para escolher a praia a ser visitada de acordo com as condições de balneabilidade.

– Evite tomar banho perto de foz de rios e de saída pluviais (canos que desembocam nas praias), o que pode provocar problemas gastrointestinais.

– Praias de mar aberto têm menor probabilidade de apresentar contaminação das águas.

– Não ingerir água do mar (salgada), pois podem provocar diarreia ou desidratação.

– Lavar as mãos (água e sabão ou álcool) antes de manipular alimentos que serão consumidos na praia. A contaminação pode não estar na água, e sim, na areia.

– Evitar ingerir alimentos comercializados por ambulantes não credenciados, sem embalagem adequada ou prazo de validade.

– Observar se a garrafa de água mineral comercializada está lacrada.

– Não levar animais de estimação para as praias, pois podem contaminar a areia com fungos e bactérias, originando bicho geográfico e dermatoses.

Fonte: Ana Cristina Vidor, médica e gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis

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