Conte até 60, propõe o cronista Roberto Szabunia em sua crônica semanal

Quem acha que o tempo está passando mais rápido... Errou!

Contou? Quanto tempo levou? – Ora, uns sessenta segundos – respondes-me sem titubear. “Uns” sessenta segundos. Talvez até você possa dizer “exatamente” sessenta segundos. Pra dar exatos sessenta, precisa fazer como nos filmes: mileum, miledois, miletrês… Até milessessenta. Agora experimente cronometrar. Zere o marcador do relógio e conte de novo. Segundo alguns estudos, a percepção da passagem do tempo varia de acordo com a faixa etária. Li na Super. O neurocientista americano Peter Mangan dividiu voluntários em três grupos etários que deveriam lhe avisar quando 60 segundos houvessem passado. Os jovens levavam, em média, 54 segundos. Os mais velhos, 67 segundos. Ou seja: para os idosos, um minuto transcorrera antes que eles se dessem conta. Para os jovens, ainda restava meia dúzia de segundos pra curtir.

Você, caro leitor, prezada leitora, também tem a sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido? Que “já passamos da metade de março, domingo começa o outono, a Páscoa tá chegando, daqui a pouco termina o primeiro semestre, nada de prenderem o barbudo etc. etc.”?

Dê uma olhada na página de hoje da agenda. Vou usar a minha como exemplo. Bem no alto, canto esquerdo, em letras de tamanho médio, tá o ano: 2016. Pronto, começou: “Putz! Parece que ontem mesmo foi 1996…”. Logo abaixo, em miúdas, a efeméride: Dia Internacional da Marinha. Nesse caso, se você não foi marinheiro e não tem recordações de outros tempos, a informação passa meio batida. Terceira linha: Peixes, Crescente e Verão. Aí, em vermelho o aniversário da minha sobrinha Júlia (aiaiai… 6 anos já… como passou rápido). À direita, Março bem grandão, seguido de march e marzo menores. Quinta, thursday e jueves. Bem miúdo: 11ª semana – 077/289 (já se passaram 77 dias e faltam 289 pra 2016 ir pro espaço). E com as maiores letras da página, o 17 completa o cabeçalho. Seguem-se as linhas pra você preencher. No início de cada uma, o horário, das 7 às 20, de meia em meia hora. Pé da página. Um retângulo reticulado encimado pelo título “Importante”. À direita, o calendário de Abril. Fechando a página, a única informação que nada tem a ver com o tempo, a frase do dia (“O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção”, Adam Smith.

Viu só? Com exceção do entre-aspas, tudo gira em torno do tempo. Claro, ora, afinal trata-se de uma agenda, direis. Sei disso, só utilizei um exemplo pra demonstrar por que ficamos tão encafifados com a passagem mais rápida do tempo. Como assim, mais rápida? O dia ainda tem 24 horas, não é? O tempo passa igual sempre.

Bem, pelo que andei lendo aí, não é bem assim. A órbita terrestre em torno do Sol fica 15 centímetros mais afastada a cada ano. Outro dado: as marés estão gradualmente transferindo energia rotacional para o movimento lunar. Resultado: a cada ano a órbita lunar aumenta cerca de 4 centímetros e a velocidade de rotação da Terra diminui em 0,000017 segundos. Dezessete milissegundos por ano! Viu só? O tempo tá passando 17 milissegundos mais devagar a cada ano. Ganhamos tempo!

Caramba… Como esse ano tá demorando pra passar!