Coronavírus: confinados em hotel, catarinenses na África do Sul convivem com a insegurança

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Vivian Costa, enfermeira, e Francisco Bittencourt, engenheiro, estão desde o último dia 13 na África do Sul. Moradores de Florianópolis, o casal foi passar férias em Johanesburgo. O que não esperavam é que nesse meio tempo o coronavírus virasse uma pandemia e o governo sul-africano restringisse a circulação pública e fechasse as fronteiras do país.

Após terem o voo marcado para o dia 30 sendo cancelado pela Latam, o casal ficou de fora de um segundo voo marcado pela empresa aérea para esta quarta-feira (1). Os mais de 500 brasileiros no país não poderiam ser abrigados no Airbus A350 que partiu do aeroporto do país. No sorteio, eles ficaram de fora.

Enfrentando respostas vagas do consulado brasileiro e da empresa de aviação, o casal não tem mais perspectiva de quando pisará de volta em solo brasileiro novamente. A situação é compartilhada por outros brasileiros que estão no país e não sabem quando vão voltar.

Vivian e Francisco, moradores de Florianópolis, foram à Àfrica aproveitar as férias – Foto: Divulgação/ND

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Nos últimos seis dias, Vivian e Francisco tiveram que substituir as praias azuis e ensolaradas da Cidade do Cabo pelas paredes do quarto e pelo jardim do guesthouse onde estão hospedados, em Johanesburgo.

O lockdown, isolamento imposto pelo governo sul-africano na última quinta-feira (26), prevê que as pessoas saiam na rua apenas para serviços essenciais, como a compra de comidas e remédio.

Entre outras restrições impostas pelo governo sul-africano está a limitação do uso de Uber a apenas uma pessoa por viagem. O aplicativo só pode funcionar das 5h até às 9h, voltando a ser utilizável das 16h às 20h. A entrada no mercado também é controlada.

Apesar de ter tido o voo cancelado pela companhia, Vivian e Francisco contavam que iam integrar um segundo voo da empresa aérea, remarcado para a madrugada desta quarta-feira (1). Conforme o comunicado do consulado brasileiro, o voo teria capacidade de abrigar 350 pessoas.

No grupo de Whatsapp com brasileiros que estão no país, os conterrâneos divulgaram os emails mandados pela empresa e que confirmavam a partida. Entretanto, na caixa de email deles não chegou nenhuma nova mensagem da Latam.

Ao entrarem em contato com a empresa, foram informados simplesmente que “a seleção de passageiros foi feita por um robô”, afirma Vivian.  Apenas em Johanesburgo, em torno de outros 40 brasileiros ficaram de fora do voo. A embaixada afirmou que “tratativas estão sendo tomadas”. Mas não deu uma data. “Eles sempre são muito vagos, nunca precisos”, conta.

Outros brasileiros que estão enfrentando a mesma situação de Vivian e Francisco, afirmam que não estão recebendo sequer apoio financeiro da embaixada. Muitos hotéis, em respeito ao decreto do governo, estão pressionando os hóspedes a deixarem as suas dependências.

Medo

A rotina de quarentena do casal consiste em assistir televisão o dia inteiro e fazer ligações de vídeo aos familiares brasileiros. A maior diferença da rotina de isolamento dos conterrâneos é a distância, as diárias de R$150 e a insegurança diante da epidemia.

Quando eles chegaram no país, a África do Sul contava apenas com um caso confirmado do novo coronavírus. Agora, o número de infectados pela Covid-19 no país ultrapassa a casa de mil. “Não sabemos a capacidade de UTIs e nem se atendem turistas”, afirma Francisco.

“Os números vêm crescendo exponencialmente. Temos medo de adoecer num pais estranho, sem saber como é o sistema de saúde. O seguro da viagem não cobre questões de saúde. Nos sentimos desassistidos” desabafa Vivian, que é enfermeira na rede pública de saúde em Florianópolis. A enfermeira conta que quer logo voltar ao país no combate à Covid-19.

O nd+ contatou a embaixada do Brasil em Pretória, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

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