Coronavírus e praia: veja o que dizem infectologistas sobre o tema

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Com a suspensão das aulas por conta do coronavírus, muitas famílias acabaram optando por frequentar praias.

Aglomerações acima de dez pessoas já devem ser evitadas. Foto: Anderson Coelho/ND

No Rio de Janeiro, especialmente, o fim de semana ensolarado levou milhares de pessoas às praias, lotando os balneários mesmo com as medidas restritivas. Na segunda (16), a Defesa Civil precisou intervir e alertar os cidadãos a voltarem para suas casas. O mesmo aconteceu na Espanha, no começo das medidas preventivas para evitar a propagação da Covid-19.

Mas, afinal, qual o problema de ir à praia?

Mesmo sendo ambientes abertos e arejados, praias e parques devem ser evitados o máximo possível nessa fase de precaução contra a contaminação pelo novo coronavírus. O problema não é o ambiente em si, já que não há evidências científicas que comprovem a disseminação do vírus pela água ou areia, mas a junção de muitas pessoas.

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De acordo com o médico infectologista Antônio Mazzei, qualquer ambiente com mais de dez pessoas deve ser evitado. “Por isso escolas de dança, academias, clubes e escolas estão fechando nesse momento”, explica Mazzei.

Essa também é a opinião do professor Daniel Santos Mansur, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). “Você terá que se expor indo ao mercado, à farmácia, ao trabalho. Temos que diminuir a chance de contágio, então ir à praia é mais um risco que colocamos a nós e a quem está ao nosso redor”, afirma Mansur.

O que fazer com as crianças

No entanto, como manter as crianças pequenas dentro de casa ou em apartamentos fechados por um longo período de tempo?

“Essa situação pode se estender até o final do inverno, então, se você for levar as crianças à praia ou a algum parque, procure horários alternativos e avalie o número de pessoas presentes. Se tiver mais de dez, melhor voltar para casa. Se permanecer, mantenha pelo menos um metro e meio de distância das outras pessoas”, diz Mazzei.

Portanto, a praia segue a mesma indicação de qualquer local onde possa haver aglomeração de pessoas, como supermercados, farmácias, escolas, trabalho, etc. O melhor mesmo, é permanecer em casa.

Fezes e urina

Embora não seja a via principal de contaminação, o coronavírus é eliminado pelas fezes e urina e esse material pode ser fonte de infecção. Conforme  estudo recentemente publicado na revista Nature, há indícios dessa possibilidade.

“Isso deve acontecer em cerca de 0,5% dos casos, por isso, profissionais de saúde que precisarem lidar com trocas de fraldas de pacientes contaminados devem ter o máximo cuidado e fazer uma higiene rigorosa. O mesmo vale para pais de crianças que usam fraldas, sempre lavar bem as mãos logo após a troca”, ensina Mazzei.

De acordo com o médico, a maior preocupação é com quem tem mais idade, possui algum problema prévio de pulmão ou coração ou outras doenças crônicas. “Todas as medidas estão sendo tomadas com foco em proteger essa população. Embora todos possam contrair o vírus, jovens e crianças não são o problema. As crianças chegam a adoecer, porém na maioria das vezes com poucos sintomas, mas elas podem ser vetores de transmissão: o vírus pode não se manifestar, porém ser passado adiante”.

Ainda segundo Mazzei, a expectativa é de que em um ano o coronavírus se torne endêmico, ou seja, permaneça entre nós habitualmente, como mais um
vírus como a influenza e outros. “Também pode ser que se descubra uma vacina e as pessoas possam se imunizar antes do inverno, como já acontece
com a gripe”.

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