Coronavírus: entidades lançam o movimento “Reage SC” contra o Covid-19

Um movimento reunindo mais de 50 entidades e associações civis de Santa Catarina elaborou um documento direcionado ao governador Carlos Moisés. Batizado “Reage SC“, a ação tem por objetivo básico proteger vidas, no entanto, retomando a atividade econômica produtiva no Estado. Entidades e empresários se posicionam dessa maneira diante da ameaça do coronavírus, cientes de que ela não é apenas social, mas também econômica.

Carlos Moisés se manifestou pelas redes sociais após pronunciamento de Bolsonaro – Foto: magazine/ND

Em carta aberta ao governador Carlos Moisés, o grupo reconhece os esforços públicos no combate ao Covid-19 e na contenção da pandemia. Entretanto, reivindica uma retomada rápida da atividade econômica, considerando o “enorme impacto humanitário e social de uma recessão econômica profunda”. De acordo com o documento, isso afetaria “principalmente os segmentos mais vulneráveis da população.

O deputado estadual Milton Hobus (PSD), que é industrial e integrante do movimento, gravou um vídeo no qual defende o movimento e o explica em detalhes. Confira:

O grupo cita o prejuízo em face aos “milhões de empregos e milhares de empresas” que vão sucumbir diante das restrições, mas aponta medidas que poderiam amenizar essa crise. A principal é iniciar imediatamente a retomada da atividade econômica formando um comitê, que incluiria lideranças empresarias. O objetivo é iniciar essa retomada a partir do dia 30 deste mês de março.

A estratégia de quarentena e isolamento seria limitada aos grupos de risco, liberando parte da força de trabalho para retorno às atividades, priorizando, quando possível, o home office. O movimento sugere ainda que as empresas possam operar com horário ampliado, para evitar aglomerações.

Confira o documento na íntegra, abaixo, além das entidades integrantes do movimento.

“Ao Senhor

CARLOS MOISÉS DA SILVA

Excelentíssimo Governador do Estado de Santa Catarina Nesta Capital

Senhor Governador,

Florianópolis, SC, 25 de março de 2020.

É consolidado o conhecimento que a pandemia provocada pela COVID-19 tem demonstrado uma capacidade de contaminação incomensurável, inclusive para o setor produtivo mundial, o que não diferentemente se observa em nosso estado.

Notadamente, são louváveis todos os esforços envidados por esse governo no sentido de contenção da pandemia e preservação do todo.

Recentemente, não somente empresários, mas médicos, tem se manifestado no sentido de uma condução mais reconciliatória na retomada rápida da atividade econômica com a minimização do risco associado com a epidemia de Covid-19.

Muito tem sido discutido e proposto em relação ao manejo da pandemia de Covid-19 focando em isolamento social, quarentena, fechamento em massa de empresas e negócios, uma virtual parada da atividade econômica.

Frequentemente esta discussão é colocada de forma bastante simplista, “basta ficar em casa” e “salvar vidas é mais importante do que a economia”. Isto desconsidera o enorme impacto humanitário e social de uma recessão econômica profunda, que afeta principalmente os segmentos mais vulneráveis da população.

Logo, não há que se negar a existência de nítidas evidências científicas claras de que recessão em países em desenvolvimento, e mesmo em países desenvolvido, aumenta a mortalidade em geral, novamente, em especial nos grupos sociais e economicamente mais vulneráveis.

Ainda, é importante destacar que há tanto uma baixa capacidade de oferta de liquidez às empresas, tendo em vista a condição fiscal dos governos estadual e federal; quanto um possível agravamento do quadro fiscal tendo em vista a queda na arrecadação pelo prolongamento do isolamento e quarentena.

É urgente, portanto, registrar a nossa máxima preocupação em face aos milhões de empregos e milhares de empresas que estarão sucumbindo diante da intensa restrição de convívio social, o que, em nosso entender, pode-se amenizar com algumas das considerações que registramos abaixo:

a) Iniciar imediatamente o planejamento da retomada da atividade econômica, formando um comitê que inclua lideranças empresarias, com objetivo de que a reabertura gradativa aconteça a partir do dia 30/03/2020.
b) Destravar gradativamente os segmentos do setor produtivo para evitar um colapso econômico e social sem precedentes;

c) Focar estratégia de quarentena e isolamento para os grupos de risco, liberando parte da força de trabalho para retorno às atividades, priorizando, quando possível, o home office; d) Permitir que as empresas operem com horário ampliado, para evitar aglomerações e possam distribuir os atendimentos;

e) Determinar o funcionamento das indústrias, do comércio e de serviços, mesmo que seja em regime de escalas com suas equipes alternadas caso o setor produtivo tenha essa possibilidade (adequando a cada tipo de segmento);
f) Determinar que os segmentos de serviços, comércio varejista e atacadista, que mantenham o controle de acesso dos clientes respeitando as distâncias mínimas e fornecendo meios para a higienização dos colaboradores e clientes;

g) Fornecer equipamentos de proteção para os colaboradores de vendas, produção e entrega, os quais possam, de alguma forma ter contato com outras pessoas;
h) Garantir aos colaboradores que se enquadram no grupo de risco fiquem de quarentena;

i) Retorno de atendimento mínimos em todas os órgãos da administração pública direta;
j) Criação de canais de atendimento via whatsapp, telefone e e-mail por parte de todos os órgãos estaduais, para recebimento de documentos e solicitações, com atendimento imediato, maximizando a automatização dos processos e a digitalização do governo;

k) Veto de qualquer legislação que controle preços de mercado, por compreender que resultam inevitavelmente em redução de oferta e escassez de produtos essenciais, bem como que são inválidos por inconstitucionalidade;
l) Possibilidade de retirada de produtos no local, através e sistema de drive-thru ou outro ponto no estabelecimento;

m) Campanhas publicitárias de conscientização sobre a necessidade de retomada econômica e de minimização do medo de sair de casa incutido na população pelo momento pandêmico atual, proporcionando que as populações de baixo risco voltem a circular e viver suas vidas de maneira mais próxima do normal.

MOVIMENTO DE ENTIDADES REAGE SC

Entende-se também que medidas para acréscimo da capacidade do sistema de saúde do Estado de Santa Catarina se fazem urgentes, de maneira a contribuir com a flexibilização nas medidas de isolamento social.

Por fim, entendemos que, juntos, podemos seguir mantendo o Pulso de Santa Catarina, protegendo vidas, retomando a atividade econômica produtiva e buscando um futuro para o nosso pujante estado catarinense.

Agradecemos antecipadamente a vossa sensível atenção e pronto atendimento ao presente pleito, cujas organizações signatárias manifestam.

Atenciosamente,

MOVIMENTO DE ENTIDADES REAGE SC

  • ABRAPE – Associação Brasileira de Promotores de Eventos
  • ABRASEL – SC
  • ACATE – Associação Catarinenses de Tecnologia
  • ACATS – Associação Catarinense de Supermercados
  • ACEPA/CDL – Associação Comercial e Empresarial de Palma Sola
  • ACIB – Associação Empresarial de Blumenau
  • ACIBIG – Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu
  • ACIC -Associação Comercial e Industrial de Chapecó
  • ACIC – Associação Empresarial de Canoinhas
  • ACIC – Associação Empresarial de Criciúma
  • ACID – Associação Comercial e Industrial de Descanso
  • ACIF – Associação Empresarial De Florianópolis
  • ACIG – Associação Empresarial de Gaspar
  • ACII – Associação Comercial e Industrial de Itajaí
  • ACIIO – Associação do Comércio e Indústria de Iporã do Oeste
  • ACITA – Associação Comercial e Industrial de Itá
  • ACIL – Associação Comercial e Industrial de Lages
  • ACIM – Associação Empresarial de Mondaí
  • ACIP – Associação Comercial e Industrial de Palmitos
  • ACIP – Associação Empresarial de Palhoça
  • ACIP – Associação Empresarial de Pomerode
  • ACIP – Associação Comercial e Industrial de Pinhalzinho
  • ACIPG – Associação Empresarial de Presidente Getúlio
  • ACIRS – Associação Empresarial de Rio do Sul
  • ACISA-CP – Associação Comercial e Industrial de Cunha Porã
  • ACIS – Associação Comercial e Industrial de Seara
  • ACIS – Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho
  • ACISJO – Associação Comercial e Industrial de São João do Oeste
  • ACISMO – Associação Empresarial de São Miguel do Oeste
  • ACIT – Associação Comercial e Industrial de Tijucas
  • ACITC – Associação Comercial e Industrial de Trombudo Central
  • ACIUR – Associação Empresarial de Urubici
  • ACIX – Associação Comercial e Industrial de Xavantina
  • ACIVALE – Braço do Norte
  • ADVB – SC
  • ADAC – Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses
  • AE – Associação Empresarial de Maravilha
  • AEA – Associação Empresarial de Agrolândia
  • AEMFLO – CDL / SÃO JOSÉ
  • AECF – Associação Empresarial de Coronel Freitas
  • AMI – Associação do Município de Iraceminha
  • ASSEMIT – Associação dos Empresários de Itapiranga
  • AVIP – Associação Visite Pomerode
  • CDL – FLORIANÓPOLIS
  • CDL – CHAPECÓ
  • CEC – Centro Empresarial de Chapecó
  • FACISC – Federação das Associações Empresariais de SC
  • FECOMERCIO – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina
  • FORTUR – Fórum de Turismo de Florianópolis
  • FLORIPA SUSTENTÁVEL
  • SEBRAE – SC

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