Corte de árvores próximas ao Aeroporto de Joinville causa protestos

Moradores donos de terrenos atingidos pela ação autorizada pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis, prometem ir à Justiça

Fabrício Porto

Sebastião era contra o corte de árvores natívas e frutíferas de seu terreno

O corte das árvores na lateral direta da cabeceira da pista de pouso 33 do Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola começou nesta quinta-feira (12) pela manhã e deve levar de cinco a seis dias. A 3ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis autorizou a supressão na segunda-feira (9), mas até esta quinta a Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente) não havia sido notificada da decisão que favoreceu a Prefeitura de Joinville. Em novembro, a Fatma decidiu que autorizaria o corte caso houvesse concordância dos proprietários das áreas, mas como isso não ocorreu, a licença não foi emitida.
Enquanto as primeiras árvores eram derrubadas por uma escavadeira, o empresário Sebastião Marcelo Neto, 49 anos, fazia fotos e afirmava que não havia sido notificado sobre a ação em seu terreno. “Fomos avisados verbalmente que a máquina ia entrar, mas não fomos notificados por um oficial de Justiça e vamos entrar com uma ação de invasão de propriedade.”
Vivendo na região há 12 anos, ele afirma que desde 2009 briga para que as árvores nativas e frutíferas não sejam derrubadas. “Tem caneleira, bacupari frutífera e toda a floresta nativa. A gente não pode ir contra a decisão da Justiça, mas vamos atrás dos nossos direitos.”
Ele e o construtor Nilton Cunha de Souza, 53, temem que com a supressão, a desapropriação parcial dos terrenos, transformados em utilidade pública com o decreto municipal 16.274 em dezembro de 2009, não saia. “O único obstáculo que impedia eles de ampliarem o aeroporto era a derrubada das árvores. Agora, quem garante que vão nos pagar?”
Segundo o superintendente do aeroporto, Rones Rubens Heidemann, a desapropriação está garantida. “Os cortes das árvores e as desapropriações são coisas distintas. As avaliações dos terrenos estão sendo feitas pela Prefeitura e assim que tiver a conciliação ou a sentença a gente cumpre e faz o pagamento”, detalhou.

Mais segurança para as operações de pouso e decolagem

O superintendente afirmou que o corte na área de 42 mil metros quadrados é necessário porque as árvores oferecem riscos nas áreas de transição e aproximação do aeroporto. Com o corte, a expectativa da superintendência e do município é de que Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não imponha restrições para pousos e decolagens na próxima inspeção, prevista para ocorrer ainda neste mês.
“Hoje temos uma área total de 892 metros, e, com as desapropriações, teremos uma área de um milhão e 500 mil metros, quase 150% a mais. Tomando a posse de algumas áreas, já conseguimos fazer o terminal de cargas”, projetou Heidemann.
Quando a pista for ampliada, passará de 1.640 para 2.040 metros quadrados. “No dia 26 de março, nós abrimos a licitação de 25 projetos para a ampliação, e hoje (quinta-feira), a licitação para as obras para a instalação do ILS foram abertas”, complementou.
Raulino Schmitz, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, afirma que não há conclusão de previsão para o corte. “Os bombeiros virão com motosserra nos ajudar, mas é uma área grande”, reiterou.

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