CPI da Ponte: “Governo mandava diminuir o ritmo”, afirma sócio da Espaço Aberto

Atualizado

Uma das falas mais esperadas desde que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Ponte Hercílio Luz foi instaurada aconteceu na manhã desta quarta-feira (14). Paulo Ney Almira, sócio-administrador da Construtora Espaço Aberto, foi ouvido em uma das salas da comissão da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) durante 3 horas e 30 minutos por ao menos nove deputados estaduais, imprensa e sociedade.

CPI da Ponte Hercílio Luz – Caroline Borges/ND

No depoimento, o arquiteto falou da relação entre a empresa e os servidores do extinguido Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) e agora SIE (Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade), atrasos na construção da obra e outras polêmicas envolvendo a construção.

Questionado sobre os atrasos no cronograma, o arquiteto afirmou que os problemas foram decorrentes da falta de repasse do governo estadual. À época, o governo estadual tentou, inclusive, recursos por meio da Lei Rouanet para finalizar a obra.

“O governo não tinha dinheiro e mandava diminuir o ritmo. Eu fui induzido a fazer [lentamente] porque disseram que não iam me pagar e não me pagaram”, declarou.

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Assinado em 2008 e com edital de 2007, o contrato da Espaço Aberto foi rescindido em 2014, com apenas 30% da obra feita e oito aditivos.

Conforme o executivo estadual, a medida foi tomada após análise do cronograma de execução das obras que estava bastante atrasado.

Veja um trecho da fala:

A CPI busca esclarecer os gastos com a reforma da ponte, que já passam de R$ 700 milhões. Ao todo, mais de 30 contratos foram feitos entre o Estado e empresas desde 1982 -, data em que a ponte foi interditada pela primeira vez.

Relação entre Deinfra e Espaço Aberto

Entre as perguntas feitas pelo relator Bruno Rosa (sem partido), Almira foi questionado sobre a relação entre ex-presidentes e ex-diretores do Deinfra. Logo após a assinatura do contrato, ao menos três servidores que participaram da licitação foram contratados pelas empresas que compõem o consórcio.

Segundo o depoente, no entanto, as contratações ocorreram porque os ex-funcionários públicos eram competentes:

“Eu contratei pois eles eram competentes e sabiam muito. Faria outra vez”, disse.

No ano passado, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) chegou a pedir o bloqueio de bens de pessoas envolvidas nos contratos de obra da Ponte a partir de 2006. Na solicitação, Romualdo Theophanes de França Júnior e Paulo Roberto Meller, ex-presidentes do Deinfra, são citados.

Formação de consórcio com empresas nacionais e internacionais

Questionado sobre as tratativas que levaram a criação do Consórcio Florianópolis Monumento, liderada pela Espaço Aberto, Paulo não conseguiu responder algumas perguntas sobre datas, documentação e funcionários:

“Eu não sei. Eu vim aqui preparado para responder perguntas técnicas porque sei muito sobre isso. Eu vivi a obra”, disse.

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