Crianças de Florianópolis participam de projeto com alunos de ilha da Holanda

No projeto Sail a Future, os participantes pintam velas de barcos que serão usadas para fazer bolsas ecológicas

As crianças do morro da Penitenciária, em Florianópolis, e da Ilha de Vlieland, na Holanda, agora estão ligadas pela arte. O projeto social Sail a Future (Velejando o Futuro), da holandesa Hetty van der Linden, utiliza velas de barcos para reciclar os materiais que iriam para o lixo. As velas, pintadas pelas crianças das duas ilhas, vão virar bolsas ecológicas. A renda será revertida para ajudar os projetos da Casa da Criança, na Capital.

Matheus desenha a imagem da mãe dentro de um coração - Daniel Queiroz/ND
Matheus desenha a imagem da mãe dentro de um coração – Daniel Queiroz/ND

Na manhã desta quarta-feira (25), os alunos da Casa da Criança se divertiram pintando com tintas e canetas as velas doadas de diversas partes do mundo – incluindo uma de 163 m² doada em Itajaí no fim da regata Volvo Ocean Race. Idealizadora do projeto, Hetty veio da Holanda com o objetivo de conseguir colocar a ideia em prática.

A artista plástica percorre o mundo com projetos voluntários que educam e levam também impacto social para a vida dos pequenos. “Conversei com a Prefeitura de Vlieland, que comprou a ideia e vai dar para todos os moradores da cidade um kit de Natal dentro dessas sacolas que estamos criando”, contou. Dentro das sacolas estarão também produtos totalmente ecológicos e sustentáveis.

A pintura de velas em algumas regatas da Europa é comum, mas sempre com artistas plásticos renomados. Pela primeira vez, as velas são pintadas por crianças de Florianópolis e Vlieland, um pequena ilha holandesa que tem pouco mais de 1 mil habitantes.

Em grupos, os pequenos da Casa da Criança se reuniram sobre as velas para pintar o que quisessem. Só havia uma regra: com os pés afastados e os calcanhares juntos, cada um deveria contornar os pés e, assim, formar um coração. Dentro dos corações, eles podiam pintar livremente. “A ideia não é pintar sem sentido. Eles têm que pintar o que tem dentro de seus corações”, disse a artista plástica.

Matheus da Silva de Souza e Gabriela Ferreira da Silva, ambos de 6 anos, não pensaram duas vezes. Em corações vermelhos, azuis e verdes desenharam o que mais amam: suas mães.

Pintando futuros em todo o mundo

O projeto Sail a Future é derivado de uma outra proposta que a artista Hetty van der Linden faz há 18 anos: o Paint a Future (Pintando um Futuro). Crianças de 15 países, como Taiwan, Croácia, Chile, Argentina, Marrocos, Bulgária, Madagascar e Brasil já participaram. Em comunidades carentes, com ajuda de assistentes sociais, Hetty convida as crianças a pintarem o que querem para o futuro.

A artista plástica Hetty van der Linden é a idealizadora do projeto - Daniel Queiroz/ND
A artista plástica Hetty van der Linden é a idealizadora do projeto – Daniel Queiroz/ND

Artistas renomados são convidados a transformar aqueles desenhos em obras de arte. As telas são vendidas e a renda é revertida para conseguir realizar o sonho daquelas crianças.

Entre bicicletas, brinquedos e cestas básicas, o projeto já realizou o sonho de milhares de crianças. Até mesmo uma casa na Favela do Siri, nos Ingleses, foi possível construir com a venda de um quadro. “As crianças acabam pintando o futuro delas de verdade sem saber”, afirmou Hetty.

Moradora da Holanda, a artista visita o Brasil e Florianópolis frequentemente em busca de novas histórias e projetos. “Estou sempre aqui em Florianópolis, eu amo essa ilha”, disse.

Projeto pedagógico vencedor

A Casa da Criança atende crianças de 6 a 17 anos diariamente desde 1988. A ONG trabalha com educação integral, ou seja, todas as crianças precisam estar estudando e, no contraturno, elas têm atividades culturais, esportivas e pedagógicas, como dança, roda de samba, capoeira, balé, educação física, biblioteca, artes e informática. Em 2011, a Casa da Criança ficou em primeiro lugar entre mais de 3.000 participantes do prêmio Itaú-Unicef, que premia os projetos de organizações sem fins lucrativos.

Para Veronice Sutilli, assistente social da Casa da Criança, a parceria com Hetty van der Linden, que começou há mais de dez anos, tem um impacto muito positivo sobre as crianças. “É uma riqueza grande, as crianças fazem esse intercâmbio com outra ilha e perceberam o resultado do trabalho. Nosso objetivo aqui é dar oportunidade para eles, para terem acesso às oportunidades”, disse.

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